Recuperação extrajudicial à vista? Oncoclínicas (ONCO3) convoca credores para renegociar dívidas; veja o que está no radar
Assembleias vão deliberar sobre mudanças em vencimentos, remuneração e demais condições das debêntures; confira o que estará em discussão

A Oncoclínicas (ONCO3) ainda não pediu recuperação extrajudicial, mas acaba de admitir oficialmente que essa possibilidade está no radar. Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (15), a rede de oncologia convocou assembleias de debenturistas para discutir uma ampla renegociação de suas dívidas.
A rede de tratamentos oncológicos convocou para o dia 6 de julho assembleias de debenturistas da 9ª e da 11ª emissões para discutir mudanças relevantes em suas dívidas.
Entre os temas que estarão na mesa estão o alongamento de vencimentos, alterações na remuneração dos títulos, mudanças no cronograma de pagamentos e ajustes em cláusulas de inadimplência.
Mas uma das pautas previstas no encontro com credores é que chama atenção: a eventual adesão a um plano de recuperação extrajudicial — mecanismo utilizado por empresas para reestruturar passivos diretamente com credores, fora do rito tradicional da recuperação judicial.
“As assembleias inserem-se no contexto da reestruturação do endividamento da companhia e das tratativas em curso com seus principais credores, refletindo as medidas adotadas pela companhia para o aprimoramento de sua estrutura de capital e para a preservação de suas atividades e operações”, afirmou a empresa.
Os títulos envolvidos na negociação são debêntures simples, quirografárias e não conversíveis em ações. Isso significa que os investidores não contam com garantias reais associadas aos papéis e ocupam a fila comum de credores da companhia.
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Caso as alterações sejam aprovadas, os debenturistas poderão enfrentar prazos mais longos para recebimento dos recursos e mudanças no fluxo de pagamentos originalmente previsto.
Oncoclínicas (ONCO3) em busca de fôlego financeiro
A convocação das assembleias de debenturistas ocorre em meio ao esforço da Oncoclínicas para reorganizar sua estrutura financeira e aliviar a pressão sobre o caixa.
Nos últimos meses, a companhia recorreu a um empréstimo emergencial de R$ 150 milhões junto à Lumina Capital para reforçar a liquidez, retomar compras de medicamentos e normalizar o relacionamento com fornecedores estratégicos.
Segundo o Valor Econômico, uma solução considerada sustentável para a empresa exigiria uma redução de dívida próxima de R$ 1,5 bilhão.
A situação ganhou urgência após o resultado do primeiro trimestre de 2026. A Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões no período, mais que triplicando as perdas registradas um ano antes.
O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 153,1 milhões, enquanto o Ebitda ajustado passou de R$ 153,9 milhões positivos para R$ 49,2 milhões negativos.
O endividamento também segue no centro das atenções. A dívida líquida encerrou março em R$ 3,2 bilhões, e a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses subiu para 5,2 vezes, ante 3,2 vezes um ano antes.
A história por trás da crise da Oncoclínicas
Desde a abertura de capital, em 2021, a Oncoclínicas passou por um ciclo agressivo de expansão, aquisições e crescimento acelerado — movimento que elevou a escala da operação, mas também aumentou significativamente a complexidade financeira da companhia.
Nos últimos anos, o mercado passou a questionar a velocidade de consumo de caixa, a estrutura de capital e algumas decisões estratégicas adotadas pela empresa.
A entrada de sócios controversos, como o Banco Master, o aumento da alavancagem e as mudanças recentes no alto escalão contribuíram para deteriorar a percepção de risco em torno da companhia.
Em abril, além do empréstimo emergencial junto à Lumina Capital, a companhia também promoveu mudanças relevantes de governança, incluindo a saída de Bruno Ferrari do conselho de administração e a entrada de novos nomes indicados por credores.
*Com informações do Money Times
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