Oncoclínicas (ONCO3) confirma que pode entrar em recuperação extrajudicial, e ações desabam: o que já se sabe e o que falta definir
Oncoclínicas negocia plano de recuperação extrajudicial para solucionar crise financeira após prejuízos e dívida líquida de R$ 3,2 bilhões.

A Oncoclínicas (ONCO3) confirmou, na noite dessa quarta-feira (8), que mantém tratativas para a estruturação de um eventual plano de recuperação extrajudicial. Em comunicado divulgado ao mercado, a companhia afirmou, no entanto, que ainda não há uma data definida para o protocolo do pedido.
O fato relevante da companhia veio em resposta a uma notícia do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em que dizia que a Oncoclínicas deveria protocolar o pedido em breve.
Segundo a notícia, o suposto documento preparado pela companhia já contaria com a aprovação de um terço dos credores e a expectativa seria chegar a um entendimento com 50% deles em até 30 dias.
"A administração da companhia informa que vem mantendo negociações com seus credores, com o objetivo de encontrar a melhor solução para sua atual situação financeira; e que há, neste momento, tratativas para protocolo de plano de recuperação extrajudicial."
A companhia ainda não tem, no entanto, uma data definida para a realização do protocolo.
Hoje, as ações estão em queda de 16,98%, sendo negociadas a R$ 0,88 por volta das 12h50.
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Crise não é novidade
Esse desfecho para o problema do endividamento da companhia de saúde não é novidade. No dia 15 de junho, a empresa convocou assembleias de debenturistas para discutir uma ampla renegociação de suas dívidas.
Os encontros, marcados para o dia 6 de julho, não atingiram o quórum mínimo para a instalação, o que deixou uma eventual reestruturação das debêntures sem solução.
Nos últimos meses, a companhia recorreu a um empréstimo emergencial de R$ 150 milhões junto à Lumina Capital para reforçar a liquidez, retomar compras de medicamentos e normalizar o relacionamento com fornecedores estratégicos.
O que aconteceu com a Oncoclínicas
A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal-sucedida. Em meio a investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.
Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio.
No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
Os números da empresa
A dívida líquida encerrou março em R$ 3,2 bilhões, e a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses subiu para 5,2 vezes, ante 3,2 vezes um ano antes.
A Oncoclínicas reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), mais do que triplicando o prejuízo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.
De acordo com a companhia indicador foi diretamente impactado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo desabastecimento de medicamentos nas clínicas, cenário que começou a enfrentar durante o começo do mês de março e por provisionamentos contábeis ocorridos durante o trimestre.
A rede de oncologia teve receita líquida de R$ 1,16 bilhão no período de janeiro a março, uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A companhia afirma que a dinâmica está relacionada ao volume de provisões de PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) durante o trimestre.
Com Money Times
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