Citi rebaixa recomendação de empresa centenária do agro para venda e cita 3 motivos; entenda a situação da Kepler Weber (KEPL3)
A Kepler Weber, que detém 35% do mercado de silos no Brasil, enfrenta pressão nos volumes devido à queda de rentabilidade dos agricultores nos últimos dois anos

A situação para o agronegócio está ainda mais complicada, com aumento da inadimplência. A crise não atinge apenas as empresas no campo, mas também aquelas que fornecem produtos ou serviços para as produtoras de commodities.
Esse é um dos motivos que levou o Citi a cortar a recomendação para as ações da Kepler Weber (KEPL3), empresa centenária fabricante de silos, de neutra para venda. O novo preço-alvo é de R$ 5,60, ante preço anterior de R$ 9, uma queda em relação ao preço atual de R$ 6,78.
As ações estão em baixa hoje, mas a companhia já vem sofrendo na bolsa há algum tempo. Em um ano, a queda é de 12,68% e, desde o começo de 2026, de 31,50%. O Citi já havia cortado o preço-alvo em março, de R$ 10 para R$ 9.
A Kepler Weber, que detém 35% do mercado de silos no Brasil, enfrenta pressão nos volumes devido à queda de rentabilidade dos agricultores nos últimos dois anos.
Fundada em 1925, é uma empresa de capital aberto desde 15 de dezembro de 1980. Tem três fábricas, nove centros de distribuição e mais de 1.800 colaboradores, com presença em 54 países.
Os motivos para o pessimismo com a Kepler Weber
O setor enfrenta uma combinação de fatores que pressiona os resultados: juros elevados por mais tempo, piora na relação de troca e preços de commodities menos favoráveis.
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Na comparação com o passado recente, a mudança é clara. Entre 2020 e 2022, o agro surfou um período de crédito farto e preços elevados. Desde meados de 2023, porém, o jogo virou — e o setor entrou em uma fase mais desafiadora, que ainda deve persistir no curto prazo.
As fazendas brasileiras estão trabalhando com margens muito próximas do equilíbrio, diz o relatório assinado pelos analistas André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta. Os produtores de soja e milho praticamente não têm geração de caixa de sobra, com "nenhuma justificativa econômica para investir em infraestrutura de estocagem", diz o relatório,
O preço das commodities já estava baixo, mas a situação dos produtores piorou ainda mais com a guerra no Oriente Médio, que afetou o custo de insumos, como fertilizantes. Por isso, o setor está em em um dos piores ambientes de rentabilidade em quase duas décadas, com margens entre 1% e 2%.
Segundo o Citi, a rentabilidade da Kepler está intrinsecamente associada à dos agricultores, e esse ambiente deve pressionar os resultados das empresas.
O segundo motivo é a alta taxa Selic, que deve terminar o ano em 13,75% ao ano, que dificulta que as empresas tomem financiamento para investir em suas fazendas. Ainda que o agro tenha acesso a linhas de crédito subsidiadas, a Kepler deve continuar sofrendo com a demanda baixa.
Além disso, "a incerteza fiscal faz com que a normalização seja improvável no curto prazo, aumentando a dificuldade de todos os ciclos de investimentos de longo prazo no mundo rural".
O terceiro motivo é uma concorrência mais acirrada. A brasileira seria vendida para a Grain & Protein Technologies (GPT), mas a operação foi desfeita por falta de acordo com a gestora Trígono Capital, que tem 15,3% do capital da empresa.
A expansão, agora de forma orgânica, da GPT, deve afetar a Kepler. A rival AGI, que tem estratégias comerciais mais agressivas, também pode prejudicar a companhia.
Com a redução da Selic, no entanto, a expectativa é que o setor tenha uma retomada rápida. O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil (BBAS3), Gilson Alceu Bittencourt, acredita que a inadimplência deve ter uma reação forte.
“Parte da inadimplência, inclusive, está concentrada em grandes indústrias de máquinas e insumos”, afirmou.
Na avaliação de Bittencourt, o agronegócio não enfrenta uma crise estrutural, mas sim desafios pontuais.
“A prova disso é a safra que nós estamos colhendo, seja em relação a área, produção e produtividade, mostrando que o agro continua pujante", disse.
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