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A Conferência do Clima será um evento crucial para definir os rumos da transição energética e das finanças sustentáveis no mundo. Entenda o que está em jogo e como isso pode impactar seus investimentos.
A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a ser realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025 na cidade de Belém (PA), promete ser um dos eventos mais relevantes para discutir o futuro do planeta — e da economia.
Com a emergência climática cada vez mais presente no cotidiano, compreender o papel da conferência e seus desdobramentos se tornou essencial não só para governos e grandes empresas, mas também para investidores individuais que buscam alinhar suas carteiras às novas demandas ambientais e sociais.
Aqui estão as principais informações que você precisa saber de antemão para acompanhar a Conferência do Clima na Amazônia.
COP é a sigla para Conference of the Parties, ou Conferência das Partes. Trata-se do principal fórum global de negociação sobre as mudanças climáticas, reunindo representantes de quase 200 países que são signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).
A UNFCCC, que deu origem à COP, foi adotada na Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, e representou um marco na conscientização e mobilização global em torno das questões climáticas.
A COP conta com a presença de chefes de Estado, ministros, diplomatas, representantes da ONU, cientistas, líderes empresariais, ONGs, ativistas e outros membros da sociedade civil dos países signatários da Convenção da ONU.
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Desde a primeira edição, em 1995, a COP busca soluções coordenadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos do aquecimento global. As negociações são complexas e envolvem governos, setor privado, sociedade civil e instituições financeiras.
Ao longo das conferências realizadas anualmente, foram estabelecidos marcos importantes, sendo os dois principais:
A COP30 será dividida em três principais espaços, denominados de Zonas. A Zona Azul é a área oficial da ONU, na qual ocorrem as negociações entre os países e reuniões de alto nível.
A Zona Verde corresponde ao espaço aberto ao público, com eventos, exposições e debates promovidos por organizações não governamentais, empresas e acadêmicos.
A área dos eventos paralelos inclui fóruns, encontros técnicos e painéis promovidos por diversas instituições e grupos de interesse.
Durante os 12 dias de evento, a COP30 será palco de:
Além do processo de negociação formal entre os Estados-parte, em 2021 as COPs lançaram a Agenda de Ação, um conjunto de iniciativas para mobilizar diferentes atores na implementação de soluções concretas para combater a mudança climática por meio de iniciativas voluntárias.
Ao contrário do processo formal, no qual os temas e trilhas de negociação são decididos multilateralmente, a presidência de cada Conferência das Partes tem a prerrogativa de definir sua própria Agenda de Ação.
Ela se concretiza em eventos, declarações, campanhas, compromissos voluntários e planos setoriais (climate action pathways) adotados voluntariamente por seus participantes para apoiar as negociações formais, impulsionando decisões ambiciosas e fortalecendo sua execução.
No caso da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, atual Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, foi nomeado para ser o presidente da Conferência.
A COP30 será um momento decisivo para a revisão das metas climáticas nacionais, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas ou NDCs, na sigla em inglês, que precisam ser atualizadas a cada cinco anos, conforme o Acordo de Paris.
Também completam-se 10 anos desde que o Acordo de Paris foi firmado. Então, os países poderão avaliar as ações já feitas até o momento, além de discutir formas de aumentar as ambições referentes aos mecanismos de combate às mudanças climáticas.
Outro desafio que se coloca para o Brasil é o de direcionar as negociações e encontrar saídas para os combustíveis fósseis, considerando que, na última COP, a ambição de fazer uma transição energética não baseada em combustíveis fósseis foi retirada do comunicado final do encontro.
Na COP29, que aconteceu no ano passado em Baku, no Azerbaijão, o acordo final sobre financiamento climático estabeleceu que os países desenvolvidos devem pagar US$ 300 bilhões anuais até 2035 para ajudar as nações mais pobres a lidar com os impactos das mudanças climáticas.
Acontece que este montante foi considerado insuficiente. Segundo economistas presentes nas negociações da ONU, os países em desenvolvimento precisam de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para lidar com as mudanças climáticas.
Os governos e empresas enfrentarão o desafio de ampliar os esforços para atingir essa meta mais ambiciosa, e a presidência do Brasil na COP30 será fundamental nesse processo.
Para o Brasil, anfitrião do evento, a COP30 é uma oportunidade estratégica de se colocar como uma liderança global na agenda climática, num momento em que o mundo todo estará de olho em nosso país.
A escolha de Belém, no coração da Amazônia, é simbólica: a floresta tropical é crucial para o equilíbrio climático do planeta, e as discussões sobre sua preservação devem ganhar protagonismo nas negociações, especialmente porque as últimas duas edições da COP aconteceram em países produtores de petróleo (Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão).
Além disso, o Brasil tem a chance de se posicionar como referência na transição energética, na agricultura sustentável e na bioeconomia — setores que podem atrair investimentos verdes e gerar empregos qualificados.
“A COP30 marcará a metade da década crítica da humanidade na luta contra a mudança do clima como nosso inimigo comum. Agora é o momento de deixarmos para trás a inércia, o individualismo e a irresponsabilidade para abraçarmos as melhores versões de nós mesmos por meio da criatividade, da solidariedade e da perseverança”, escreveu o embaixador André Corrêa do Lago, em sua primeira carta à frente da presidência da COP30.
“Os países, as empresas e os indivíduos que se anteciparem às mudanças radicais que estão por vir serão aqueles que prosperarão, criando resiliência e aproveitando as oportunidades de engajamento, inovação e adaptação.”
A COP30 acontecerá em meio a turbulências geopolíticas e ataques ao multilateralismo, exacerbados pela saída dos EUA do Acordo de Paris e pelas novas tarifas comerciais do presidente Donald Trump.
Vale lembrar que mesmo antes do abalo na economia global provocado pelo anúncio das chamadas “tarifas recíprocas”, o republicano sempre se colocou como um defensor ativo do uso de combustíveis fósseis nos EUA.
No entanto, para Ana Toni, secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e diretora-executiva da COP30, o multilateralismo segue relevante, e a cooperação internacional é o único caminho para enfrentar a crise climática global.
“Em Belém, temos a oportunidade de virar um símbolo da importância do multilateralismo (...) Sabemos que, para combater a mudança do clima, não há outra saída a não ser de maneira internacional, porque as moléculas do carbono não entendem as nossas fronteiras de Estados-Nação”, afirmou a secretária, durante evento realizado recentemente.
Os compromissos firmados na Conferência do Clima reverberam fortemente na economia. Setores como energia, transporte, agropecuária e indústria são diretamente afetados pelas metas de redução de emissões e transição para modelos de baixo carbono.
Por exemplo:
Nas palavras do presidente da COP30, “em nossa luta contra a mudança do clima — a luta do século — todos os atores e todos os produtos e serviços estarão sob escrutínio em todos os lugares, agora e no futuro.”
“Aqueles que se recusarem a refletir pensamento de médio e longo prazo, políticas voltadas para o futuro e engajamento poderão sucumbir aos riscos relacionados ao clima, sejam eles de reputação, transitórios, legais ou físicos, para os quais o FSB [órgão internacional que monitora o sistema financeiro global e faz recomendações] já alertou. Aqueles que se comprometerem genuinamente a vencer a luta climática terão o potencial de emergir na liderança em uma era de ouro de renovação, regeneração e cooperação global”, disse ele.
A transição para uma economia de baixo carbono está acelerando, e políticas públicas são vetores importantes desse movimento. A COP30 deve sinalizar tendências que impactam o ambiente regulatório, a alocação de capital e as preferências dos consumidores e investidores.
Ficar atento às resoluções da conferência pode ajudar o investidor a identificar riscos e oportunidades, como ativos que podem perder valor na transição ou negócios e setores alinhados à agenda climática.
Além disso, cresce a importância da transparência: cada vez mais, empresas precisam reportar emissões e planos de descarbonização. Isso permite ao investidor individual fazer escolhas mais informadas.
Se nada disso bastasse, há ainda o apelo econômico. Descaso com o meio ambiente pode custar caro ao caixa das empresas, incluindo aquelas com ações em bolsa.
Nesse cenário, saber identificar quem realmente está comprometido com o avanço da agenda climática e aqueles gestores de olho apenas no retorno de curto prazo pode se tornar crucial na decisão de investimentos.
Para quem pretende ir a Belém e participar presencialmente da Conferência, a cidade possui uma capacidade limitada de hospedagem. Com aproximadamente 18 mil leitos disponíveis e expectativa de receber entre 50 mil e 80 mil visitantes durante a COP30, a discrepância entre oferta e demanda tem levado o setor hoteleiro e proprietários de imóveis de aluguel por temporada a aumentarem os preços de forma significativa.
Para mitigar a falta de acomodações e os preços elevados, os governos federal, estadual e municipal estão explorando alternativas, como leitos em cabines de navios de cruzeiro que permanecerão ancorados na região.
Para quem deseja acompanhar as discussões da COP30 de maneira remota, existem diversas opções:
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