CEO conta os planos da Vale (VALE3): dividendos extraordinários, recompra de ações e aquisições que mexem com o bolso do investidor
Executivos da mineradora liderados por Gustavo Pimenta comentam o resultado financeiro do quarto trimestre de 2025, que trouxe prejuízo, mas também notícias boas para quem tem ou quer comprar o papel

“Estou feliz com os resultados que alcançamos até aqui”. Foi assim que o CEO da Vale (VALE3), Gustavo Pimenta, abriu a teleconferência desta quinta-feira (20) para explicar o desempenho do quarto trimestre de 2024 — e a alta de mais de 4% das ações da mineradora mostra que o mercado compartilha do mesmo sentimento do executivo.
Mais importante do que os números em si — que, aliás, trouxeram um prejuízo que não estava nas projeções — os sinais do balanço é que trazem a clareza que o mercado buscava sobre o futuro da companhia. Para os acionistas, abriram a porta para dividendos extraordinários neste ano.
Para conferir o desempenho da Vale no quarto trimestre de 2024 em detalhes, basta clicar aqui. Você também pode conferir a opinião de analistas sobre o resultado da mineradora no período, acessando aqui o conteúdo preparado pelo Seu Dinheiro.
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O custo de produção da Vale
Um dos sinais positivos do balanço da Vale veio do custo caixa de produção, ou C1, que mede o custo da mina até o porto. No quarto trimestre, esse indicador ficou abaixo de US$ 19 por tonelada — uma queda de quase 10% — mostrando que a Vale está investindo em melhorias que estão trazendo resultados.
- Nos últimos anos, a Vale vem enfrentando problemas com volume de produção por conta de licenciamentos e barragens, o que atrapalha a diluição dos custos. A queda do C1 entre outubro e dezembro mostra que a mineradora está reduzindo custos com melhora da produção — uma janela para um ganho importante de rentabilidade e de proteção do negócio em um ambiente de queda de preços do minério de ferro.
Não à toa, o CEO da Vale fez questão de reforçar que a entrega de projetos que adicionaram 30 milhões de toneladas de minério de ferro a baixo custo — uma referência aos projetos de Capanema e Vargem Grande, ambas em Minas Gerais.
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A recompra de ações da Vale
Junto com o resultado financeiro do quarto trimestre de 2024, a Vale anunciou que vai recomprar até 120 milhões de ações ordinárias, o que representa 3% dos papéis da mineradora em circulação.
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O mercado celebrou o volume do programa de recompra da Vale, que tem potencial para reduzir as ações em circulação, aumentar o preço dos papéis na bolsa e melhorar o montante em dividendos pagos aos acionistas.
“Sobre a forma como vamos operar ainda não dá para ter muita clareza, mas queremos ter condições de operar dentro dos próximos 18 meses", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Vale, Marcelo Bacci, na teleconferência.
Segundo ele, a política de recompra vai variar de acordo com o comportamento do fluxo de caixa e da dívida líquida expandida — cuja meta é sair dos US$ 16,45 bilhões atuais para US$ 15 bilhões até o fim do ano.
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Outros sinais: caminho aberto para dividendos extraordinários da Vale
A redução do capex da Vale — em US$ 600 milhões, para US$ 5,9 bilhões — também ajudou a amenizar as preocupações do mercado sobre a geração de caixa da companhia e sobre o pagamento de dividendos no futuro.
No quarto trimestre, a mineradora anunciou a distribuição de US$ 2 bilhões em proventos adicionais — acima do que o mercado esperava.
“Mesmo com dividendo adicional, vamos ficar nesse nível de dívida de US$ 16,5 bilhões porque tivemos redução no capex, que está bastante seguro para este ano”, disse o CEO da Vale.
Bacci, diretor financeiro da Vale, observou que o indicador está dentro do range de controle — de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões — mas lembrou que a meta é chegar ao final do ano com uma dívida de US$ 15 bilhões.
Neste sentido, o executivo reforçou que o pagamento de dividendos acima do mínimo vai depender da geração de caixa e do comportamento dessa dívida.
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A Vale vai às compras?
No mês passado surgiu a notícia de que o governo federal estaria influenciando a Vale na compra da Bahia Mineração (Bamin).
O negócio incluiria uma jazida de minério de ferro em Caetité, a concessão do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul em Ilhéus e demandaria investimentos de R$ 30 bilhões, segundo estimativas de mercado.
Questionado sobre o assunto, o CEO da Vale disse que a companhia não tem compromissos com projetos não anunciados.
Segundo Pimenta, a mineradora — que na semana passada anunciou, ao lado do presidente Lula, um pacote de investimentos que somam R$ 70 bilhões em Carajás — continuará “realizando investimentos que fazem sentido para a empresa e para o país”.
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