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Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo (USP), já trabalhou com marketing e redes sociais em uma consultoria financeira e é redatora dos portais Seu Dinheiro e Money Times.
Conteúdo Empiricus

Dividendos de até 108% do CDI sem Imposto de Renda: este FII pode surfar Selic alta e fluxo de dinheiro dos ‘órfãos’ dos títulos isentos da renda fixa

Enquanto mercado está receoso com os ativos de risco, analista alerta para oportunidade em FIIs que se beneficiam dos juros altos, têm volatilidade controlada e estão baratos; veja

Giovanna Figueredo
Giovanna Figueredo
10 de junho de 2024
12:26
Dinheiro caindo do céu sobre prédios representando os dividendos de fundos imobiliários (IFIX) mercado
Imagem: Shutterstock

Ao que tudo indica, o ciclo de corte de juros da Selic esfriou. O Relatório Focus já estima que a taxa básica de juros vai finalizar o ano em 10,25%, e a performance dos ativos de risco tem refletido o desânimo dos investidores.

Em períodos de Selic alta e ruídos no cenário macroeconômico, os investidores costumam “fugir” de ativos de maior risco para a segurança de títulos mais seguros. Ou seja, investimentos como a renda variável costumam ser penalizados em cenários como esse.

Entre os ativos que estão sendo impactados com os juros altos, estão os fundos imobiliários. 

O Ifix, principal índice dos fundos imobiliários, andou de lado no mês de maio com uma tímida valorização de 0,02% no período. Por pouco, o Ifix não teve o segundo mês consecutivo de queda.

Segundo o analista Pedro Niklaus, da Empiricus Research, o desempenho “morno” dos FIIs é causado pela incerteza do mercado.

Com os juros altos e os ruídos no cenário macroeconômico, o investidor se sente inseguro com alguns ativos de risco e os fundos imobiliários estão entre os penalizados.

No entanto, o analista destaca que há um segmento de fundos imobiliários que, no cenário atual, pode ir na contramão do resto do mercado e é uma boa oportunidade para o investidor: os FIIs de crédito.

“Esses fundos têm se provado a estratégia vencedora”, Niklaus defende no programa Giro do Mercado.

O portfólio desse segmento de FIIs é composto por títulos de renda fixa que investem no mercado imobiliário, como os CRIs e LCIs. Isso faz com que esses fundos se beneficiem em período de juros altos, visto que os ativos do portfólio podem passar a render mais.

Além disso, em comparação aos fundos imobiliários de tijolo, que investem diretamente nos imóveis, os FIIs de crédito têm volatilidade histórica reduzida e costumam gerar mais estabilidade para o investidor.

 Para ter ideia da confiança de Niklaus nesse segmento, a recomendação é ter 40% da carteira de fundos imobiliários alocada nesses ativos.

Os próximos meses podem ser promissores para a classe pelos seguintes motivos:

  • Selic alta: por serem FIIs de crédito, muitos têm portfólio atrelado ao CDI e, com a Selic alta, o valor recebido pelos ativos pode ser maior. “É bem benéfico em tempos de juros mais altos”, diz o analista.
  • Volatilidade moderada: esse segmento costuma ter oscilações mais suaves na bolsa. Portanto, Niklaus espera que, com o receio do mercado sobre os ativos de risco, possa haver um aumento de fluxo para os fundos imobiliários de crédito.

Pensando nesses fatores, a equipe de análise da Empiricus Research selecionou os 5 melhores fundos imobiliários para investir no cenário atual. Entre eles, o especialista em FIIs destaca um ativo de crédito que:

  • Tem dividendos anualizados de 11,3%;
  • Pode investir em ativos indexados ao IPCA e ao CDI;
  • Está com preço das cotas sendo negociado abaixo do que, de fato, vale.

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Escassez de títulos isentos de renda fixa também pode beneficiar estes fundos menos voláteis

Um terceiro fator que pode beneficiar o segmento de crédito é a mudança na regulamentação dos títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda, como os CRAs, CRIs, LCAs e LCIs, que aconteceu em fevereiro desse ano.

A principal alteração nas LCAs e LCIs foi no prazo mínimo de investimento. Antes, a carência das LCAs era de 90 dias. A partir da mudança do Conselho Monetário Nacional (CMN), o período mudou para 9 meses, enquanto de uma LCI passou de 90 dias para 12 meses. Nos CRAs e CRIs, houve uma limitação do tipo de empresa que pode emitir esses ativos.

Ou seja: embora esses títulos permitissem investir em ativos mais seguros e estáveis sem a “mordida” do Leão, as alterações na regulamentação tornaram as ofertas mais escassas.

E os investidores que estavam acostumados com esses títulos tiveram que buscar alternativas em outros ativos. Para Pedro Niklaus, mesmo que já tenham se passado alguns meses desde a decisão, ainda é possível que haja um fluxo de investimento para os fundos imobiliários de crédito.

Afinal, eles são uma oportunidade de buscar rendimentos recorrentes sem cobrança de IR – visto que os dividendos dos FIIs são isentos e sofrem oscilações mais tranquilas em comparação a outros ativos de risco.

O FII citado anteriormente, por exemplo, tem dividendos anualizados de 11,3%. Esse retorno equivale a uma taxa de 108% do CDI, considerando o CDI atual a 10,4% ao ano, sem preocupação com impostos.

E esse retorno só considera o pagamento de proventos. Vale lembrar que é possível também capturar ganhos a partir da valorização das cotas. E, com a expectativa do aumento de fluxo de investidores nesse ativo, quem se posicionar agora, enquanto o FII está em um bom ponto de entrada, pode se dar bem.

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Este fundo imobiliário pode entregar valorização média de 12% ao ano

O fundo de crédito destacado por Pedro Niklaus é o RBR Rendimento High Grade (RBRR11). Nos últimos 6 meses, o FII valorizou 5,88% – pouco acima dos 5,62% do Ifix no mesmo período.

Embora o fundo tenha entregado alta nas cotas nos últimos meses, os analistas da Empiricus Research defendem que há espaço para buscar retornos maiores.

O fundo se destaca por ter uma gestão de qualidade, que faz uma seleção criteriosa do portfólio, ter flexibilidade entre IPCA e CDI na carteira e ser um FII de qualidade que pode ajudar o investidor a capturar retornos atrativos mesmo em um cenário turbulento para a bolsa.

A expectativa da equipe de análise é que esse fundo imobiliário entregue um retorno médio de 12% ao ano pelos próximos 3 anos, considerando a valorização das cotas e dividendos.

Trata-se de uma oportunidade bem atrativa no cenário atual, mas lembre-se: este fundo imobiliário é só um entre as recomendações de Pedro Niklaus.

Em um contexto macroeconômico difícil como o atual, o melhor a se fazer é acumular ativos de qualidade e diversificar a carteira. Como dito anteriormente, os analistas selecionaram os 5 melhores fundos imobiliários para investir no mês de junho.

E a boa notícia é que é possível acessar todas essas recomendações de graça. Veja bem: você já sabe que é hora de investir no RBRR11, mas pode conhecer outros 4 ativos que podem pagar dividendos promissores e estão baratos.

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