Os dividendos da Petrobras (PETR4) estão sob nova ameaça? Ação toca mínima e a culpa não é só do petróleo
O tombo do petróleo colabora com a pressão sobre as ações da Petrobras, que limitam o Ibovespa, mas há mais por trás da queda dos papéis — e pode mexer com seu bolso

As ações da Petrobras tocaram as mínimas nesta segunda-feira (29), ampliando as perdas para mais de 3% durante a sessão, e a culpa não apenas dos preços mais baixos do petróleo.
O tombo da commodity no mercado internacional ajuda a pressionar os papéis da estatal, mas as incertezas sobre a política de dividendos da companhia também falam alto aos investidores.
Por volta de 16h05, Petrobras PN cedia 2,47% e a ON, 2,82%. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,44%, aos 126.926,96 pontos, com o efeito negativo de Petrobras limitado pelos ganhos de parte do setor financeiro.
No fechamento, Petrobras PN cedeu 2,2% e a ON, 2,52%. O Ibovespa caiu 0,42%, aos 126.953,86 pontos.
Depois do fechamento das negociações, a estatal divulga o relatório de produção referente ao segundo trimestre. O balanço está previsto para o dia 8 de agosto.
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Petrobras sente o petróleo em queda
O tombo do petróleo colabora com a pressão sobre as ações da Petrobras. A commodity, por sua vez, é penalizada pelo avanço do dólar ante as demais moedas, à exceção do real.
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No Brasil, a moeda norte-americana inverteu o sinal de alta e voltou a cair, com questões técnicas relacionadas à antecipação da rolagem de posições para a virada do mês.
No exterior, o petróleo tipo Brent — usado como referência internacional e também pela Petrobras — cedeu 1,5%, com o barril cotado na casa dos US$ 79.
"O mercado de petróleo praticamente desapareceu da história da guerra no Oriente Médio depois que a troca de tiros entre Irã e Israel em abril não conseguiu desencadear um conflito maior ou colocar o fornecimento de energia em risco material", disse Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital.
Não é só o petróleo, tem os dividendos
O mercado, no entanto, olha hoje para além do petróleo. Os investidores avaliam a informação dada pela diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia dos Anjos, na sexta-feira (26), indicando que a companhia fez uma oferta não vinculante para comprar a operação e uma fatia do bloco exploratório de petróleo e gás de Mopane, na Namíbia.
"No passado, a Petrobras investiu em campos em outros países sem muito sucesso, o que explica um pouco do ceticismo. Além disso, o valor mencionado (US$ 4 bilhões pela fatia a ser comprada) é relevante, e reduzirá a expectativa de distribuição de dividendos extraordinários", diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.
A Genial também comenta que a operação pode pressionar o pagamento de dividendos da estatal, preocupando os investidores e se refletindo nas negociações de hoje.
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A XP Investimentos, por sua vez, diz que a notícia é neutra. Segundo a corretora, há incerteza se a oferta da Petrobras prevalecerá, uma vez que várias outras empresas fizeram propostas pelo ativo.
Por outro lado, a XP diz receber com satisfação a alocação de capital da estatal para o upstream (exploração e produção) e reconhece que a companhia é uma das melhores operadoras de águas profundas do mundo e que a Namíbia offshore é uma nova e prolífica fronteira exploratória.
Vale lembrar que, no final de semana, o jornal Valor Econômico indicou que a Petrobras pode recomprar a participação total na refinaria de Mataripe (BA), mas o desfecho da operação ainda depende de decisões como o modelo da operação e, principalmente, o valor da transação.
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