Inflação: sucessor de Campos Neto deve enfrentar a ‘velha inimiga’ mais forte em 2025
Mandato do atual presidente do Banco Central termina em dezembro deste ano; a inflação acima da meta deve continuar a ser uma 'pedra no sapato' para o BC

A inflação pode não só diminuir menos do que se esperava como também voltar a acelerar na passagem de 2024 para 2025 — com maior peso nas decisões de política monetária.
Embora ainda longe de ser predominante, esse risco tem crescido nos cenários de economistas do mercado, devido a uma combinação de fatores: rigidez da inflação de serviços, dólar mais alto por incerteza com os juros dos Estados Unidos e chance de pressão em alimentos.
Analistas ouvidos pelo Broadcast mencionam os serviços como primeiro ponto de preocupação.
Na avaliação deles, tudo indica que a inflação deste grupo deve se estabilizar em nível alto, acima de 4% no acumulado de 12 meses, um ponto porcentual acima do centro da meta, de 3%.
Isso embute a necessidade de que os outros componentes ficassem abaixo de 3% para que a inflação pudesse convergir ao alvo.
Mas atingir essas taxas modestas é uma perspectiva improvável.
Leia Também
De um lado, pesa contra esse cenário a expectativa de aumento da inflação de alimentos no ano que vem, em decorrência de um dólar mais caro e da mudança do ciclo da pecuária, que vem garantindo preços mais baixos de carne.
Do outro, economistas esperam aumento dos preços administrados, sobretudo com eventuais impactos do fenômeno La Niña na energia elétrica.
- Existe renda fixa “imune” à queda da Selic? Analista recomenda títulos que podem render bem mais do que o IPCA e do que CDI. Baixe o relatório gratuito aqui.
Mercado de trabalho versus inflação
O economista-chefe do PicPay, Marco Caruso, já tem no cenário-base uma aceleração da inflação entre 2024 e 2025, de 3,6% para 4,2% — pouco abaixo do teto da meta, de 4,5%.
Para ele, o crescimento expressivo esperado para o PIB nos dois anos — de 2,1% e 2%, respectivamente — sugere pouco espaço para alívio nos serviços, devido à percepção de que o emprego e os reajustes salariais podem continuar em ritmo forte.
Dois outros fatores complementam esse quadro: a percepção de que o governo terá déficits primários recorrentes — isto é, desconsiderando fatores atípicos — em torno de 1% do PIB, o que deve impulsionar o consumo e a própria trajetória de queda da taxa Selic.
"Hoje, ainda sofremos parte da alta dos juros. Quanto mais andarmos no tempo, mais o efeito do juro mais baixo vai pegar na economia, o que sugere diminuir a pressão baixista nos itens mais sensíveis a juros", afirma Caruso.
Na mesma linha, o economista da LCA Consultores Fábio Romão diz que a robustez do mercado de trabalho não sinaliza espaço para um alívio da inflação dos serviços que ajude na convergência.
Ele espera que o IPCA fique em 3,7% este ano e acelere a 3,8% no próximo, considerando uma taxa virtualmente igual, de 4,3%, para o grupo.
"É natural, olhando para qualquer índice de preços no mundo, os serviços ficarem um pouco acima do 'headline' de inflação, porque eles têm uma característica não-comercializável. Mas 4,3% contra um 'headline' de 3% começa a ter um diferencial já relevante", diz o analista.
Outras pressões sobre o IPCA
Sem a possibilidade de alívio da inflação de serviços, outros fatores podem empurrar a inflação para cima.
Romão, da LCA Consultores, tem no cenário-base uma aceleração da inflação de alimentos, de 3,8% para 4,5%, considerando inclusive o impacto mais fraco do que o esperado do El Niño nos preços do grupo este ano.
Já Caruso, do PicPay, dá destaque à expectativa de aceleração dos preços de alimentos, conduzida basicamente pela desvalorização do real em relação ao dólar e pela virada do ciclo da pecuária, que deve resultar em preços mais salgados no ano que vem.
"O ciclo da pecuária tem ajudado muito o preço de carnes a estar baixo. Tem-se abatido muita fêmea, o que aumenta a oferta e diminui os preços das proteínas, e esse ciclo começa a virar este ano", afirma Caruso.
Outro foco de pressão nos cenários fica na energia elétrica, que deve ser beneficiada este ano pela medida provisória (MP) editada pelo governo para reduzir os preços das contas de luz.
A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, lembra que esse efeito não vai contribuir com a inflação de 2025, que ainda pode ficar pressionada com o impacto do efeito climático La Niña nos preços do setor.
"Os problemas de chuva e de La Niña são ruins, podem mudar a bandeira e são outra pressão para 2025", diz a analista, que tem no cenário IPCA de 3,85% este ano e de 3,8% no próximo.
"Além disso, este ano é eleitoral e ninguém está aumentando preço de ônibus, mas ano que vem, quando não tem essas amarras, podemos ter uma recomposição desses preços."
Pela mesma razão, Caruso espera que os preços administrados terminem este ano próximos de 3,5% e avancem a um nível mais próximo de 5% em 2025.
"Em anos eleitorais, você tende a postergar notícias ruins de reajustes, que tipicamente entram nos administrados. Essa é uma sazonalidade anual dos administrados. E ainda tem essa dúvida, que é a energia elétrica".
Leia também:
- Sucessor de Campos Neto terá trabalho: para economistas, desordem fiscal deve elevar Selic a partir do ano que vem
- Mudança de rota: Campos Neto deixa claro que BC pode reduzir o ritmo de cortes na Selic a partir de maio
- Análises aprofundadas, relatórios e recomendações de investimentos, entrevistas com grandes players do mercado: tenha tudo isso na palma da sua mão, entrando em nossa comunidade gratuita no WhatsApp. Basta clicar aqui.
A CONTA DA GOVERNABILIDADE
A euforia com Flávio Bolsonaro pode virar frustração? Por que uma vitória sobre Lula não é cheque em branco para reformas
8 de outubro de 2026 - 11:38ALTOS PRÊMIOS
Lotofácil 3799 deixa duas pessoas a meio caminho do primeiro milhão de reais no Paraná; +Milionária 396 acumula com bola na trave impressionante
8 de outubro de 2026 - 7:10NO FOGO CRUZADO DAS ELEIÇÕES
Fim da escala 6×1: nova regra pode sair do papel antes do segundo turno? Entenda em que pé está a votação
7 de outubro de 2026 - 17:52ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores
7 de outubro de 2026 - 14:05FINANCIAMENTO SUSTENTÁVEL
ETF com selo do BID e que investe na Amazônia Legal? AMAB11 atrai R$ 66 milhões em apenas dois meses
7 de outubro de 2026 - 12:03RECEIO COM A IA
Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
7 de outubro de 2026 - 11:47TEM PRA TODO MUNDO
Lotofácil 3798 tem 58 ganhadores, mas só um vai embolsar valor milionário; Mega-Sena 3067 acumula e prêmio atinge a marca de R$ 100 milhões
7 de outubro de 2026 - 7:16ESTÁ VALENDO
Primeiro dia sem bets e R$ 1,3 bilhão em saldo: o prazo para a restituição das apostas on-line começará a correr
6 de outubro de 2026 - 19:28SD EXPLICA
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda os riscos para os títulos públicos do Tesouro Direto
6 de outubro de 2026 - 11:41PISOU NO FREIO
Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos
6 de outubro de 2026 - 8:00DE OLHO NOS BOLETOS
Inquilino não pagou o condomínio? Saiba quem responde pela dívida e o que pode acontecer com o morador inadimplente
6 de outubro de 2026 - 6:01CORRIDA CONTRA O RELÓGIO
Tem dinheiro esquecido nas bets? Faltam poucas horas para sacar antes do fechamento das plataformas
5 de outubro de 2026 - 14:21NO RETROVISOR
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 100 milhões e cola de vez na +Milionária
5 de outubro de 2026 - 7:48ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: como fazer sua ‘colinha’ para votar? Veja a ordem dos candidatos na urna
4 de outubro de 2026 - 11:39LOTERIAS
Lotofácil premia aposta solitária de São Paulo em R$ 1,83 milhão; veja o que aconteceu com a Mega-Sena e outras loterias
4 de outubro de 2026 - 10:21GÁS RENOVADO
Gás do Povo outubro 2026: veja critérios e como receber gás grátis do governo
4 de outubro de 2026 - 5:13O QUE BOMBOU
Chinelo-mule polêmico da Havaianas, o que falta para a Hapvida se recuperar e o fim da greve da Caixa: veja as mais lidas da semana
3 de outubro de 2026 - 17:24VEJA COMO VOTAR
Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar
3 de outubro de 2026 - 10:00PARA OS ESTUDANTES