Petrobras (PETR4) vai para escanteio na preferência dos analistas; Empiricus corta recomendação e ações caem mais de 2% com queda no lucro e dividendos
O resultado do segundo trimestre da Petrobras veio praticamente em linha com o esperado, mas interferência política pesa na avaliação da estatal

Ainda que as jogadoras da seleção brasileira de futebol tenham sido retiradas do gramado pela Jamaica, o espírito de Copa do Mundo demora a sair do corpo dos brasileiros. Nessa onda, podemos dizer que a Petrobras (PETR4) foi colocada de escanteio após apresentar um resultado, no mínimo, controverso para os analistas.
Mas vamos por partes. A estatal brasileira apresentou uma queda de 47% no lucro do segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2022. Junto com o balanço, a empresa anunciou uma distribuição de dividendos e um programa de recompra de ações.
O resultado não foi dos melhores, mas veio praticamente em linha com o esperado pelo mercado. A desvalorização do petróleo entre abril e junho pesou, mas a valorização do real frente ao dólar ajudou os números.
Assim, a Petrobras virou uma bola dividida para os analistas. Para Ruy Hungria, da Empiricus Research, está na hora de colocar a empresa no banco de reservas porque a relação entre o risco e o retorno do ativo já não é mais tão atrativa diante das cotações atuais e do retorno esperado com dividendos (dividend yield) de 14% esperado para 2024. “Deixamos de ter a recomendação de compra para os papéis a partir de hoje”, escreveu.
O UBS BB manteve a recomendação de venda dos papéis da Petrobras e fala em um “novo normal” para a companhia, com margens e preços menores do petróleo.
A primeira reação das ações da Petrobras ao balanço também é negativa. Por volta das 11h20, as ações PETR4 operavam em queda de 2,91%, a R$ 30,01, no pregão desta sexta-feira (04) da B3.
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Uma olhada no jogo da Petrobras
Apesar da queda de hoje, a Petrobras vem jogando bonito na bolsa. Os papéis PETR3 e PETR4 tiveram uma valorização de aproximadamente 20% e 25%, respectivamente, desde o começo do ano.
Acontece que as caneladas com os donos do clube — estamos falando do governo federal — desagradou, especialmente após o anúncio da nova política de dividendos. Já no último balanço, a distribuição de proventos ficou mais enxuta.
Segundo a Petrobras, a mudança nas regras também "mantém seu objetivo de promover a previsibilidade do fluxo de pagamentos de proventos aos acionistas, ao mesmo tempo em que garante a perenidade e a sustentabilidade financeira de curto, médio e longo prazos".
Entretanto, as constantes críticas do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva à política de dividendos ligaram o sinal amarelo dos investidores para uma possível interferência mais intensa na Petrobras.
“De forma geral, seguimos vendo as ações da companhia pressionadas pelo fator político nos próximos meses e preferindo Prio (PRIO3)”, diz a corretora Ativa.
Na ponta contrária, o Santander segue acreditando na Petrobras e tem recomendação outperform (equivalente a compra) para as ações. Ainda assim, os analistas fazem algumas ressalvas.
“Olhando para frente, continuamos a monitorar as implicações sobre a dívida bruta, que pode se aproximar de US$ 65 bilhões [limite para a distribuição de dividendos] e a lucratividade da área de refino, pois acreditamos que as margens certamente foram comprimidas ao longo das últimas semanas”, escreveram os analistas do Santander, em relatório.
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