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Golpe e disputa de poder

OpenAI, criadora do ChatGPT, ‘expulsou’ o próprio fundador do cargo de CEO; agora investidores o querem de volta

Sam Altman foi demitido na última sexta (17) em um aparente golpe do conselho de diretores, mas nomes como Microsoft e Tiger Global o querem de volta ao comando da empresa

Sam Altman, co-fundador da OpenAI, criadora da ferramenta de inteligência artificial ChatGPT
Sam Altman, co-fundador da OpenAI, criadora da ferramenta de inteligência artificial ChatGPT - Imagem: TechCrunch/Wikimedia Commons

Não é muito comum que fundadores sejam demitidos – ou expulsos – das empresas que ajudaram a criar, ao menos não sem um histórico de má conduta ou uma longa batalha com outros investidores. Mas foi o que aconteceu com Sam Altman, co-fundador e "rosto" da OpenAI, empresa que criou o ChatGPT.

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Pego de surpresa, Altman foi demitido dos cargos de CEO e conselheiro pelo board de diretores em uma reunião online na última sexta-feira (17), sob a alegação de que não vinha sendo "consistentemente sincero" nas suas comunicações com o Conselho, "atrapalhando" a habilidade do colegiado de "exercer suas responsabilidades".

"O Conselho não tem mais confiança na sua habilidade de continuar liderando a OpenAI", diz comunicado no blog da companhia.

Como não tinha ações da empresa, Altman não teve outra escolha a não ser deixar o negócio. Em seu lugar, assumiu interinamente Mira Murati, a CTO (chefe de tecnologia) da criadora do ChatGPT.

Outro co-fundador, Greg Brockman, também foi removido do Conselho, mas foi mantido no cargo de presidente da OpenAI. No entanto, com a expulsão do colega, Brockman decidiu pedir demissão e também sair da empresa, no que foi seguido por outros funcionários seniores.

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Altman e Brockman inclusive já estariam conversando com amigos e investidores sobre fundar uma nova empresa, no que uma parte dos empregados da OpenAI estaria disposta a pedir demissão para se juntar a eles.

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Investidores da OpenAI pressionam pela volta de Sam Altman

Mas agora, depois de toda essa confusão, investidores da OpenAI – tais quais Microsoft (que investiu bilhões de dólares na empresa), Tiger Global e a empresa de venture capital Thrive Capital – estão pressionando pela volta de Altman ao comando da companhia, diz a CNBC

Pela própria governança diferenciada da empresa, eles não tiveram voz na decisão de demitir o fundador do cargo de CEO.

Segundo o site The Verge, o Conselho da OpenAI está discutindo com Sam Altman seu possível retorno à empresa, mas o ex-CEO estaria "ambivalente" a respeito e exigindo significativas mudanças de governança.

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Ainda segundo fontes ouvidas pelo site, o Conselho havia concordado em renunciar para que Altman e Brockman pudessem voltar, mas acabou mudando de ideia.

A Sequoia Capital também está em contato com Altman para apoiá-lo na decisão que ele decidir tomar, seja retornar para a companhia ou fundar uma nova startup, disse uma fonte à CNBC.

Estrutura organizacional da criadora do ChatGPT é diferenciada

Por ter como empresa principal uma organização sem fins lucrativos, a estrutura decisória da OpenAI é um pouco diferente daquela das empresas tradicionais.

Por um lado, os fundadores não têm ações da empresa, o que os impede de se defender de golpes do board de diretores, como demissões em razão de disputas de poder.

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Os investidores, por sua vez, não têm assento no conselho. Antes da demissão de Altman, o conselho da OpenAI era composto por seis membros: três co-fundadores da empresa (Altman, Brockman e o cientista-chefe da empresa, Ilya Sutskever) e três diretores independentes, não ligados à empresa.

Como Brockman não esteve envolvido na demissão de Altman, os três diretores independentes e Sutskever precisam ter votado pela saída do ex-CEO.

De acordo com fontes ouvidas pelo The Verge, Sutskever teve um papel-chave na expulsão de Altman, o que sugere uma disputa de poder entre os principais fundadores da OpenAI, notadamente entre a área de pesquisa e de produto.

*Com informações de The Verge e CNBC

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