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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A IMPORT NCIA DO PREÇO

A BRF (BRFS3) já disparou 75% na bolsa em 2023 — mas esse bancão está menos otimista com a dona da Sadia; ação lidera quedas na B3

O JP Morgan rebaixou a recomendação para os papéis do frigorífico de “compra” para “neutro”, apesar de enxergar uma melhora operacional na empresa; entenda

Camille Lima
Camille Lima
6 de dezembro de 2023
11:01 - atualizado às 11:07
Unidade da BRF
Unidade da BRF. - Imagem: Divulgação

Dizem que foguete não tem ré. Mas, quando o assunto é valuation, a disparada da BRF (BRFS3) em 2023 fez as ações da dona das marcas Perdigão e Sadia perderem fôlego para novos ganhos, na visão do JP Morgan.

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Apesar de enxergarem uma melhora operacional no frigorífico, os analistas rebaixaram a recomendação para os papéis de “compra” para “neutro”.

Isso porque as ações BRFS3 já dispararam mais de 75% no acumulado deste ano e encerraram o último pregão negociadas a R$ 14,45.

Para os analistas, os papéis já atingiram um patamar de preços que o banco norte-americano considera justo, uma vez que o valor está próximo do preço-alvo estipulado pelo JP Morgan para o fim do próximo ano, de R$ 15,50.

A notícia do rebaixamento não agradou os investidores da companhia — e fez as ações liderarem as quedas do Ibovespa na primeira hora do pregão. Por volta das 10h45, os papéis recuavam 4,14%, cotados a R$ 13,91.

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A melhora na BRF (BRFS3)

Na visão do banco, a recuperação da BRF está acontecendo em um ritmo sólido, muito ajudada pela oferta subsequente de ações (follow-on) lançada em meados deste ano.

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“A oferta subsequente deste ano ajudou a melhorar a estrutura de capital e levou à redução do custo da dívida”, afirma o banco, em relatório.

Além disso, o programa de eficiência BRF Mais está colocando os indicadores da empresa de volta nos trilhos, segundo os analistas. 

Para os especialistas, a dinâmica do mercado também é favorável e está levando as margens no Brasil “a um nível saudável de dois dígitos”, com os custos da ração nas mínimas de vários anos, a oferta de frango in natura atingindo o pico e os preços dos alimentos processados se mantendo bem, apesar da maior concorrência.

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Acontece que, no fim, o que importa é o preço — e,  mesmo com o bom momento econômico, a cotação atual das ações da BRF já reflete a melhoria do cenário, segundo o banco norte-americano.

Nas contas do JP Morgan, os papéis estão sendo negociados com rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) de apenas 7,1% para o fim de 2024, enquanto os concorrentes negociam na faixa de 13% a 15%. 

As ações ainda negociam a um múltiplo de 6 vezes a relação de valor de firma sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), acima dos pares locais, que negociam a 4,8 vezes, e próximas da média de cinco anos, de 6,6 vezes. 

“A dinâmica dos lucros permanece positiva, mas provavelmente no pico do otimismo”, destacam os analistas. 

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O que pode destravar valor para a BRF (BRFS3)

Desse modo, a recomendação do JP Morgan agora é que os investidores aguardem um ponto de entrada de valuation melhor para comprar os papéis da BRF (BRFS3).

Outra questão que poderia fazer as ações da dona da Sadia voltarem a ficar atrativas é uma maior visibilidade nas margens internacionais do negócio de frango — que é o principal potencial de crescimento para o Ebitda da companhia no ano que vem.

O JP Morgan projeta um Ebitda de R$ 6,28 bilhões para o frigorífico no próximo ano, um aumento de 1% em relação às expectativas anteriores e 5% acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg.

Para os analistas, a oferta de frango será moderada em todo o mundo, principalmente no Brasil e nos EUA, o que deve levar a uma oferta e preços mais saudáveis.

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“Embora vejamos um ano ciclicamente positivo para o frango em 2024, pensamos que o ritmo de recuperação das margens globais é difícil de prever e pode ser desigual entre regiões.” 

Isso porque, em mercados como o Japão e a China, os preços permanecem fracos devido a um aparente excesso de oferta, de acordo com os analistas. 

Além do desempenho do mercado de frango, o programa BRF Mais ainda deverá entregar ganhos marginais no próximo ano, na projeção do JP Morgan. 

“Acreditamos que o BRF Mais faz com que a empresa se qualifique gradativamente para uma reavaliação, mas primeiro queremos ver uma rentabilidade mais estável e previsível no futuro.”

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