A BRF (BRFS3) já disparou 75% na bolsa em 2023 — mas esse bancão está menos otimista com a dona da Sadia; ação lidera quedas na B3
O JP Morgan rebaixou a recomendação para os papéis do frigorífico de “compra” para “neutro”, apesar de enxergar uma melhora operacional na empresa; entenda

Dizem que foguete não tem ré. Mas, quando o assunto é valuation, a disparada da BRF (BRFS3) em 2023 fez as ações da dona das marcas Perdigão e Sadia perderem fôlego para novos ganhos, na visão do JP Morgan.
Apesar de enxergarem uma melhora operacional no frigorífico, os analistas rebaixaram a recomendação para os papéis de “compra” para “neutro”.
Isso porque as ações BRFS3 já dispararam mais de 75% no acumulado deste ano e encerraram o último pregão negociadas a R$ 14,45.
Para os analistas, os papéis já atingiram um patamar de preços que o banco norte-americano considera justo, uma vez que o valor está próximo do preço-alvo estipulado pelo JP Morgan para o fim do próximo ano, de R$ 15,50.
A notícia do rebaixamento não agradou os investidores da companhia — e fez as ações liderarem as quedas do Ibovespa na primeira hora do pregão. Por volta das 10h45, os papéis recuavam 4,14%, cotados a R$ 13,91.
A melhora na BRF (BRFS3)
Na visão do banco, a recuperação da BRF está acontecendo em um ritmo sólido, muito ajudada pela oferta subsequente de ações (follow-on) lançada em meados deste ano.
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“A oferta subsequente deste ano ajudou a melhorar a estrutura de capital e levou à redução do custo da dívida”, afirma o banco, em relatório.
Além disso, o programa de eficiência BRF Mais está colocando os indicadores da empresa de volta nos trilhos, segundo os analistas.
Para os especialistas, a dinâmica do mercado também é favorável e está levando as margens no Brasil “a um nível saudável de dois dígitos”, com os custos da ração nas mínimas de vários anos, a oferta de frango in natura atingindo o pico e os preços dos alimentos processados se mantendo bem, apesar da maior concorrência.
Acontece que, no fim, o que importa é o preço — e, mesmo com o bom momento econômico, a cotação atual das ações da BRF já reflete a melhoria do cenário, segundo o banco norte-americano.
Nas contas do JP Morgan, os papéis estão sendo negociados com rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) de apenas 7,1% para o fim de 2024, enquanto os concorrentes negociam na faixa de 13% a 15%.
As ações ainda negociam a um múltiplo de 6 vezes a relação de valor de firma sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), acima dos pares locais, que negociam a 4,8 vezes, e próximas da média de cinco anos, de 6,6 vezes.
“A dinâmica dos lucros permanece positiva, mas provavelmente no pico do otimismo”, destacam os analistas.
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O que pode destravar valor para a BRF (BRFS3)
Desse modo, a recomendação do JP Morgan agora é que os investidores aguardem um ponto de entrada de valuation melhor para comprar os papéis da BRF (BRFS3).
Outra questão que poderia fazer as ações da dona da Sadia voltarem a ficar atrativas é uma maior visibilidade nas margens internacionais do negócio de frango — que é o principal potencial de crescimento para o Ebitda da companhia no ano que vem.
O JP Morgan projeta um Ebitda de R$ 6,28 bilhões para o frigorífico no próximo ano, um aumento de 1% em relação às expectativas anteriores e 5% acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
Para os analistas, a oferta de frango será moderada em todo o mundo, principalmente no Brasil e nos EUA, o que deve levar a uma oferta e preços mais saudáveis.
“Embora vejamos um ano ciclicamente positivo para o frango em 2024, pensamos que o ritmo de recuperação das margens globais é difícil de prever e pode ser desigual entre regiões.”
Isso porque, em mercados como o Japão e a China, os preços permanecem fracos devido a um aparente excesso de oferta, de acordo com os analistas.
Além do desempenho do mercado de frango, o programa BRF Mais ainda deverá entregar ganhos marginais no próximo ano, na projeção do JP Morgan.
“Acreditamos que o BRF Mais faz com que a empresa se qualifique gradativamente para uma reavaliação, mas primeiro queremos ver uma rentabilidade mais estável e previsível no futuro.”
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