Explosão destrói ponte que liga a Rússia à Crimeia, e governo Putin culpa a Ucrânia. Veja o vídeo e entenda as consequências do ataque
A ponte de Kerch é a única ligação terrestre entre a Rússia e a Crimeia; entenda como o ataque mexe com a guerra da Ucrânia

A guerra entre russos e ucranianos pode ter entrado numa nova fase neste sábado: explosões destruíram parcialmente a ponte de Kerch, única ligação terrestre entre a Rússia e a região da Crimeia — uma área que pertencia à Ucrânia até 2014, quando foi anexada pelo governo Vladimir Putin.
Trata-se de uma infraestrutura bastante importante para os planos expansionistas da Russia: a ligação de 19 quilômetros viabiliza o transporte de contingente militar para a região sul da Ucrânia; sua construção levou quatro anos e custou 2,7 bilhões de libras (cerca de R$ 15,5 bilhões, no câmbio atual).
Mais que isso: a ponte é vista pelos ucranianos como um símbolo da dominação russa sobre a região da Crimeia — e sua destruição parcial ocorre um dia depois do aniversário de 70 anos de Putin, eclipsando as comemorações que têm sido feitas por Moscou.
A origem das explosões ainda é incerta — a priori, um caminhão-tanque que transportava combustível foi o principal causador dos danos à ponte. O governo da Ucrânia não admitiu oficialmente o ataque, mas um porta-voz do presidente Volodymir Zelensky deu a entender que há envolvimento oficial do país:
"Crimeia, a ponte, o começo. Tudo que é ilegal deve ser destruído, tudo que foi roubado deve ser devolvido à Ucrânia, tudo que foi ocupado pela Rússia deve ser expulso", escreveu Mikhail Podoliak, via Twitter, junto a uma imagem que mostra os danos causados à ligação — ele, no entanto, não fez menções diretas a uma possível atuação de Kiev.
Segundo a mídia estatal russa, pelo menos dois ramos rodoviários da ponte foram totalmente interrompidos; também há danos na malha ferroviária que corre em paralelo à via. Especula-se que havia explosivos instalados no ramo férreo, e que a detonação ocorreu simultaneamente à explosão do caminhão-tanque.
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Esse não é o primeiro ataque à infraestrutura russa na região da Crimeia desde o início da guerra. Em abril, o navio militar Moskva foi afundado na costa de Odessa — a Ucrânia reivindica o ataque; a Rússia diz que um incêndio atingiu o cruzador, detonando a artilharia que estava armazenada nele e causando os danos que levaram à destruição.
Rússia, Ucrânia e Crimeia: como Putin vai reagir?
Segundo a RT, mídia estatal do governo da Rússia, três pessoas morreram por causa das explosões na ponte de Kerch — vídeos de câmeras de segurança mostram o momento do ataque, por volta de 6 da manhã no horário local, e os danos causados à infraestrutura:
Autoridades russas já deram declarações no sentido de culpar a Ucrânia pelas explosões, embora o governo de Kiev não tenha assumido oficialmente o ataque. Porta-vozes do ministério das relações exteriores da Rússia disseram que "a reação do regime ucraniano à destruição de infraestrutura civil comprova a sua natureza terrorista".
O episódio ocorre em meio a uma nova fase da guerra: enquanto a Ucrânia tem conseguido vitórias militares e reconquistado parte do território invadido, a Rússia anexou as regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson — o movimento ocorreu após referendos populares que não são reconhecidos pela maioria dos países ocidentais.
Recentemente, Vladimir Putin voltou a sinalizar que o uso de armamento nuclear no conflito é uma alternativa que está na mesa, elevando as tensões na região; em paralelo, o fornecimento de gás russo à Europa continental é cada vez mais incerto — uma retaliação de Moscou contra os embargos econômicos à Rússia.
Mas, e agora? Qual será o próximo passo de Putin?
Ainda não há qualquer manifestação oficial do governo russo a respeito do ataque. No entanto, a importância estratégica da via, somada ao orgulho associado à ponte — a mídia estatal do país classificou sua inauguração como "a construção do século", faz crescer a especulação quanto a uma escalada nas agressões militares.
Via Telegram, o líder do parlamento da Crimeia e aliado da Rússia, Vladimir Konstantinov, disse que as ponte foi danificada por "vândalos ucranianos"; o deputado Oleg Morozov, presidente da Duma — a Câmara russa — disse que o evento é "uma declaração de guerra sem regras", e que é preciso uma resposta "adequada" por parte de Moscou.
Veja abaixo o mapa da região do estreito de Kerch — a ponte atingida pelo ataque é, justamente, a via terrestre que conecta a Crimeia e a Rússia continental:
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