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Lula, presidente eleito que assumirá a chefia do Executivo no próximo ano, já avisou que quer que a petroleira reduza o pagamento de proventos para voltar a investir em atividades além do pré-sal

Mais de uma dezena de empresas brasileiras divulga o balanço financeiro na noite desta quinta-feira (3). E, liderando o pelotão de resultados do terceiro trimestre, está a Petrobras (PETR4).
Os investidores aguardam ansiosamente o comunicado da empresa não só para conferir os números do período — que, segundo a projeção dos analistas, devem subir na comparação anual —, mas também para saber como serão os dividendos neste trimestre.
Vale relembrar que a estatal distribuiu mais de R$ 87 bilhões no trimestre passado. O valor recorde fez com que a companhia conquistasse o título de maior pagadora de proventos do mundo.
A curiosidade a respeito do tamanho da conta também é aguçada pelo fato de que uma distribuição possivelmente anunciada hoje pode ser a última da era dos ‘megadividendos’ da Petrobras.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assumirá a chefia do Executivo no próximo ano, já avisou que quer que a petroleira reduza o pagamento de proventos para voltar a investir em atividades além do pré-sal, como o refino.
O uso da estatal em investimentos sem retorno comprovado é justamente um dos temores do mercado com a volta de Lula ao poder. Não por acaso, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras registraram fortes quedas de 7% a 8,5% no pregão após a vitória do petista nas eleições.
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Lula também comentou a possibilidade de acabar com a política de paridade de preços que garante que a Petrobras compre gasolina no mercado internacional e revenda sem prejuízos no Brasil.
O fim dessa regra ajudaria a segurar o preço dos combustíveis no Brasil, mas teria um grande impacto no lucro da estatal e na conta dos dividendos.
Por falar em lucro, os analistas consultados pela Refinitiv esperam que a estatal registre ganhos de R$ 43,3 bilhões no terceiro trimestre.
O valor supera com folga o lucro líquido de R$ 31,1 bilhões registrado entre julho e setembro de 2021, mas ficaria cerca de 20% abaixo dos R$ 54,3 bilhões obtidos no segundo trimestre deste ano.
A queda na base trimestral é explicada pelo recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. As cotações do barril do tipo Brent, referência da petroleira, recuaram cerca de 13% no período.
Já a projeção média para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, da sigla em inglês) é de R$ 87,9 bilhões. O indicador também deve cair na comparação com o 2T21 e avançar 45% ante o terceiro trimestre do ano passado.
Mesmo com a queda na base trimestral, o Itaú BBA espera “um anúncio relevante de dividendos diante da forte geração de caixa operacional”. Os analistas do banco preveem um pagamento de R$ 2,80 a R$ 3,80 por ação.
Após a publicação desta matéria, a Petrobras anunciou que o conselho de administração aprovou a distribuição de um valor de aproximadamente R$ 44 bilhões — R$ 3,3489 por ação ordinária (PETR3) ou preferencial (PETR4). A estatal não divulgou o total dos dividendos, então o Seu Dinheiro fez a conta com base no total de papéis em circulação no mercado.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Anapetro — associação que representa os petroleiros acionistas minoritários da Petrobras — prometem entrar com uma ação judicial contra a gestão da estatal e seus conselheiros caso o conselho de administração aprove uma nova distribuição de proventos.
Os petroleiros e minoritários representados pela associação argumentam que “qualquer decisão sobre dividendos deveria caber à futura administração da empresa, e já considerando as diretrizes de um novo controlador”.
Vale destacar que a próxima Assembleia Geral Ordinária da Petrobras está marcada para 2023, já sob a gestão do novo governo Lula.
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