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Os analistas do banco consideram que o aumento de gastos do novo governo e falta de clareza na política fiscal tornam o cenário difícil para as construtoras

A Cyrela (CYRE3) e outras construtoras da B3 já foram consideradas parte do “kit Lula” — o grupo de ações que seriam favorecidas com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas a situação inverteu-se rapidamente com as incertezas geradas pelas primeiras sinalizações da equipe do presidente eleito.
A PEC da Transição, por exemplo, que será usada para financiar parte das promessas de campanha de Lula, abrirá um furo bilionário no teto de gastos. E, com o pilar fiscal brasileiro novamente abalado, surgem as preocupações macroeconômicas.
Considerando as perspectivas para a inflação e a taxa de juros — que pode se manter elevada por mais tempo para conter o aquecimento dos preços —, o Morgan Stanley revisou suas estimativas para o setor.
As principais mudanças ocorreram na avaliação da Cyrela. A recomendação para a companhia foi rebaixada de compra para neutra e o preço-alvo sofreu um corte de 28,5%, descendo a R$ 20 por ação.
Mas o valor ainda representa um potencial de alta de 64,8% em relação à cotação atual dos papéis. Por falar no desempenho da empresa na bolsa, CYRE3 está entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (16). Por volta das 12h55, as ações recuavam 4,19%, a R$ 12,13.
Segundo o Morgan Stanley, os comentários sobre aumento de gastos do novo governo, maior percepção de risco e falta de clareza na política fiscal contribuíram para a construção de cenário difícil para as construtoras.
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“Esperamos que as ações sejam negociadas lateralmente no curto prazo devido à incerteza política e preferimos ficar à margem até que haja mais clareza macro”, afirmam os analistas em relatório divulgado hoje.
O banco de investimentos enxerga potencial de alta até para o menor preço-alvo das três ações do setor que cobre — a própria Cyrela, MRV (MRVE3) e Plano & Plano (PLPL3). Mas destaca que, com a baixa probabilidade dos juros recuarem no próximo ano, os ganhos só se materializarão a partir de 2024.
Com esse horizonte turbulento incorporado à avaliação das empresas, o Morgan Stanley rebaixou a Cyrela e igualou sua recomendação a de outras construtoras cobertas pelo banco.
“Nossa tese de compra anterior baseava-se em sua correlação com as taxas de juros e um potencial ciclo de flexibilização surgindo no horizonte. Nos últimos dias, porém, a falta de clareza na política fiscal adicionou riscos à tese” citam os analistas.
Além disso, o banco de investimentos também cortou o preço-alvo de MRV e Plano & Plano. Os analistas agora esperam que os papéis MRVE3 subam para R$ 13, enquanto as ações PLPL3 devem chegar à cotação de R$ 5.
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