Guedes garante que reforma ministerial não mudará orientação da equipe econômica
O ministro da Economia declarou que o presidente Jair Bolsonaro não irá ceder sobre questões 'no coração da política econômica'

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (22) que o desmembramento de seu superministério e a recriação do Ministério do Emprego e Previdência Social não vai mudar os rumos da política econômica e a orientação liberal da equipe.
"O programa de reforma tem que seguir. Conversei várias vezes com o presidente Jair Bolsonaro sobre pressões por ministérios, sempre nos entendemos. Qualquer pedido feito para desviar nosso programa, o presidente disse que não iria ceder", afirmou.
Guedes reconheceu que sempre houve pressão política pela recriação dos ministérios que, na gestão Bolsonaro, foram fundidos para formar a pasta da Economia, como da Indústria e Comércio Exterior e do Planejamento.
"O presidente nunca cedeu no coração da política econômica. Ele está estudando. Quem fala de reorganização de ministérios é ele", acrescentou.

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Dança das cadeiras
Em entrevista na portaria do Ministério da Economia nesta manhã, Guedes comentou as mudanças pretendidas pelo presidente Bolsonaro, que convidou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ser ministro da Casa Civil, o que deverá levar a um efeito dominó nas cadeiras.
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O atual ocupante do cargo, general Luiz Eduardo Ramos, será realocado na Secretaria-Geral de Governo, onde está hoje Onyx Lorenzoni, que se tornará ministro do Emprego e Previdência Social, assumindo a nova pasta a ser criada na área que hoje está sob comando de Guedes.
Onyx Lorenzoni é "como se fosse parte da equipe econômica", disse Guedes. O ministro afirmou, ainda, que não acredita em reação ruim do mercado à reforma ministerial.
O Ibovespa, no entanto, segue em queda nesta quinta-feira e o dólar em alta com os investidores de olho na reforma ministerial de Jair Bolsonaro, além de outros ruídos políticos.
"O Onyx está com presidente desde a campanha política, vai ficar sem ministério?", questionou Guedes. "Onyx é completamente alinhado com nossas políticas e defende política econômica".
Segundo o ministro, o atual secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, ficará como "secretário geral" de Onyx na nova pasta, para dar sequência ao trabalho que vem sendo feito.
Pressão política foi mais forte
Ele admitiu que se não fosse a necessidade de um "rearranjo político", o Ministério do Emprego não seria recriado, e disse que, se reeleito, Bolsonaro pode voltar a fundir ministérios. "No futuro, pode haver um grande Ministério de Políticas Sociais, ao invés de várias pastas", comentou.
O ministro da Economia também elogiou Ciro Nogueira: "É um profissional de política. Ele tem sido um grande apoiador das nossas reformas", disse.
Guedes afirmou que, no início do governo, chegou a dizer a Bolsonaro que o atual ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, seria um "bom chefe da Casa Civil".
Marinho foi secretário de Guedes, mas os dois se desentenderam e o ministro da Economia acusou o primeiro de ser "fura teto" após pressão por gastos.
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