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Depois de muito chacoalhar...

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, pede demissão após pressão do Congresso

Situação do chanceler no governo nunca foi fácil, mas se tornou insustentável nos últimos dias após desentendimento com a senadora Katia Abreu

Ernesto Araujo, ministro das Relações Exteriores
Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores - Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Mais um ministro do governo Bolsonaro está de saída. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão nesta segunda-feira (29) após novos atritos com o Congresso.

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Segundo informações do Broadcast e da TV Globo, Araújo, que havia cancelado toda a sua agenda nesta manhã, apresentou o pedido de demissão ao presidente Jair Bolsonaro e informou aos seus assessores. Ainda não houve uma comunicação oficial da decisão.

A nova crise teve origem após o ministro acusar a senadora Kátia Abreu de fazer lobby para os chineses com relação ao leilão de 5G. Abreu disse que apenas defendeu que não exista uma discriminação à China e foi apoiada pelo Congresso. Durante o fim de semana, mais de 300 diplomatas encaminharam uma carta pedindo a saída de Araújo do cargo.

Diante da instabilidade, o presidente da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, pressionaram pela saída de Araújo da pasta. Essa não é a primeira vez que a atuação do agora ex-ministro foi questionada.

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Ministro ideológico

Desde o início de sua gestão, Araújo constantemente ataca importantes parceiros comerciais do Brasil, como a China. A postura do chanceler chegou a ser apontada como uma das razões para a dificuldade de o país importar os insumos necessários para a produção das vacinas contra o coronavírus.

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Numa palestra para jovens diplomatas, em 2019, ele afirmou que não queria reduzir a relação com a China a uma mera questão comercial. "Queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender a nossa alma", afirmou.

No ano passado, quando o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se envolveu em bate boca nas redes sociais com o embaixador chinês Yang Wanming, Araújo enviou a Pequim um pedido para que o diplomata fosse substituído, mas foi ignorado, e desde então prejudicou a interlocução com o país.

O antagonismo com a China faz parte da guinada que o chanceler deu na política de relações exteriores do Brasil, com alinhamento total aos Estados Unidos quando o presidente era Donald Trump, sem receber qualquer tipo de contrapartida. Araújo é crítico do multilateralismo que caracterizou a política externa brasileira ao longo dos anos.

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Ele é ligado ao que é conhecido no governo Bolsonaro como "ala ideológica", defensora de posturas ultraconservadoras em diferentes temas, que tem também como outra figura importante Filipe Martins, assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, que recentemente se envolveu em polêmica ao supostamente realizar um gesto ofensivo, ligado a supremacistas brancos, em sessão do Senado, na semana passada.

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