Oi registra crescimento de receita pelo segundo trimestre seguido
Empresa está em processo de reestruturação das atividades, com alguns resultados começando a aparecer no 4º trimestre

Em recuperação judicial desde 2016, a Oi (OIBR3) conseguiu encerrar o quarto trimestre de 2020 com sinais de melhoras do lado operacional, sendo este o segundo trimestre seguido em que a receita cresceu, além de ter mostrado uma redução de custos e despesas.
Mas os números continuam retratando uma empresa fragilizada, em meio a um processo de reestruturação das atividades, que inclui a venda de ativos.
A Oi informou na madrugada desta segunda-feira (29) que fechou o trimestre com um prejuízo operacional de R$ 96 milhões, menos que a perda de R$ 405 milhões do mesmo período de 2019.
No trimestre, por conta de um crédito tributário diferido no valor de R$ 3,4 bilhões, ela registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,8 bilhão, revertendo prejuízo em base anual e trimestral. Ela encerrou 2020 com prejuízo de R$ 10,5 bilhões, alta de 17%.
Recuperação sequencial de receita
A Oi registrou uma receita líquida consolidada de R$ 4,8 bilhões no quarto trimestre, um incremento de 1,5% em relação ao terceiro trimestre e uma redução de 2,8% em relação ao ano anterior. No acumulado de 2020, a receita da Oi recuou 5,5%, para R$ 5,2 bilhões.
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Segundo ela, o desempenho no trimestre reflete a estratégia de substituição dos serviços de cobre por fibra no segmento residencial, de migração de clientes pré-pago para pós-pago no segmento de mobilidade pessoal e de maior comercialização de serviços corporativos e atacado na divisão de serviços para negócios.
Mas é preciso levar em conta que a companhia está em fase de transição, com alguns segmentos já tendo sido vendidos, ou em fase de venda. No final do ano passado, a Oi vendeu sua rede de telefonia móvel para um consórcio formado por TIM, Vivo e Claro (o negócio ainda está sendo analisado pelo Cade). E ela negocia a venda de uma participação de 51% na InfraCo, unidade de negócios de fibra ótica, para um fundo gerido pelo BTG Pactual.
Redução de despesa, aumento do Ebitda
Os custos e despesas operacionais consolidados de rotina, incluindo as operações internacionais e que excluem itens não recorrentes, totalizaram R$ 3,3 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 1,3% na comparação com o trimestre anterior e queda de 6,1% em relação ao quarto trimestre de 2019.
Segundo a companhia, ela continuou atuando nas frentes de redução de custos e simplificação operacional, eficiência e transformação digital, como parte do plano estratégico de se tornar mais “leve e ágil”, apresentando redução em praticamente todas as linhas na comparação com 2019.
Esta redução de custos e despesas levou o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) a subir 28,4%, para R$ 1,6 bilhão, com a reversão de parte da provisão para baixas contábeis em ativos. Se desconsiderarmos este ponto, o Ebitda recorrente registrou alta de 5,5%, para R$ 1,5 bilhão.
A margem Ebitda recorrente subiu 2,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao quarto trimestre de 2019 e 0,1 p.p. ante o terceiro trimestre de 2020, para 31,2%.
Em 2020, o Ebitda recorrente caiu 3%, para R$ 5,8 bilhões, mas a margem cresceu 1,3 p.p., a 31,1%.
Fluxo de caixa e endividamento
O fluxo de caixa operacional consolidado de rotina, que representa o Ebitda recorrente menos os investimentos, foi negativo em R$ 245 milhões e, nas operações brasileiras, foi negativo em R$ 269 milhões. No acumulado do ano de 2020, o fluxo de caixa consolidado de rotina foi negativo em R$ 1,454 bilhão e, nas operações brasileiras, foi negativo em R$ 1,423 bilhão.
Tanto no trimestre quanto em todo o ano de 2020, o resultado foi negativo por conta principalmente do elevado volume de investimentos no projeto de expansão da rede de fibra ótica, para garantir a execução de seu plano de transformação.
A dívida bruta consolidada da Oi registrou um saldo de R$ 26,3 bilhões no quarto trimestre, uma redução de 2,1% quando comparada com o trimestre anterior e um aumento de 44,6% no ano contra ano.
A redução no trimestre é decorrente, principalmente, da valorização do real em relação ao dólar no período, resultando em receita financeira de variação cambial. No comparativo anual, por sua vez, a elevação foi decorrente, principalmente, da forte desvalorização do real, resultado dos efeitos da pandemia, além das incertezas fiscais e risco político, no front doméstico.
Teve ainda o resultado da acumulação de juros e da amortização do ajuste a valor presente (AVP), que contribuem para o crescimento da dívida a cada período. Tem ainda o efeito da emissão de uma debênture privada no valor aproximado de R$ 2,5 bilhões, conforme previsto no plano de recuperação judicial.
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