Proposta de Guedes azeda humor dos mercados e Ibovespa recua mais de 2%; dólar sobe a R$ 4,95
IPCA-15 e o PCE vieram dentro das expectativas dos investidores. No Brasil, o mercado também aguarda novidades sobre a reforma tributária

Parecia ser mais um dia pautado pela inflação global. No começo do dia (25), essa de fato foi a tônica dos negócios, quando os investidores conheceram novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Sem surpresas, os números sustentam as bolsas americanas no azul.
A nova proposta do governo para alterações no imposto de renda para pessoas física, jurídica e investimentos, no entanto, acabou desviando a atenção dos investidores e deteriorando o cenário local.
A proposta aumenta o limite de isenção para aqueles que recebem até R$ 2,5 mil e passa a tributar dividendos recebidos pela pessoa física em 20% na fonte. Além disso, o projeto também reduz a alíquota do IRPJ em cinco pontos percentuais, como forma de compensar a tributação de dividendos.
Após o anúncio, o mercado começou a precificar as mudanças, o que faz o Ibovespa ir na direção contrária de Wall Street. Na última hora, a bolsa vem renovando as mínimas do dia seguidas vezes. A maior pressão vem do setor bancário, que tradicionalmente é um bom pagador de proventos. Por volta das 16h, o principal índice da B3 operava em queda de 2,15%, aos 126.734 pontos. O dólar à vista sobe 1,11%, a R$ 4,9557.
Embora a proposta exerça uma pressão negativa nos ativos hoje, é bom lembrar que o assunto ainda está em fase inicial de discussão. Para Rafael Passos, sócio da Ajax Capital, ainda é preciso esperar os próximos meses para tirar uma conclusão mais assertiva. Para Passos, a reforma tributária ainda tem muito chão para andar, mas a aproximação entre Congresso e a equipe econômica é uma articulação muito positiva para o mercado.
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No rastro do dragão
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, veio em linha com o esperado e acelerou 0,83% em junho, acumulando uma alta de 8,13% m 12 meses.
Com um IPCA-15 em linha com o esperado, o dia foi majoritariamente de alívio no mercado de juros, ainda como reflexo do discurso mais brando adotado pelo BC brasileiro. A deterioração do cenário local após a divulgação da proposta de Guedes, no entanto, reduziu o ritmo de queda dos DIs mais curtos, com os vencimentos mais longos operando em alta. Confira:
- Janeiro/22: de 5,72% para 5,69%
- Janeiro/23: de 7,22% para 7,19%
- Janeiro/25: estável em 8,15%
- Janeiro/27: de 8,53% para 8,56%
Lá fora, a atenção recai nos dados de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), o indicador utilizado pelo Federal Reserve na análise de cenário macroeconômico.
A alta foi de 0,4% em maio ante abril, com o núcleo do PCE avançando 0,5%, ambos abaixo da expectativa dos analistas. O número que salta aos olhos é o acumulado em 12 meses, que subiu a 3,9%, bem acima da meta de 2% ao ano do Fed.
O acordo para o pacote de infraestrutura do governo Biden também continua repercutindo. O plano de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão ainda não está em sua forma final. As negociações continuam no Senado, onde pode existir resistência dos próprios democratas, que apoiam um montante maior. O valor será financiado com o reaproveitamento de fundos federais não utilizados no combate à pandemia, parcerias público-privadas e a elevação de impostos já anunciados pelo governo.
Leão mais voraz?
Agora pela manhã, o ministro da Economia Paulo Guedes entregou ao presidente da Câmara, Arthur Lira a 2ª parte da proposta tributária do governo. O texto trata de mudanças no imposto de renda para pessoa física, jurídica e investimentos. Confira aqui os principais pontos da proposta.
Segundo a Receita, a tributação de dividendos deve aumentar a arrecadação em R$ 54,9 bilhões em 2023 e R$ 58,1 bi em 2024. Já a redução da alíquota do IRPJ reduz o montante arrecado em R$ 18 bi.
Além disso, ruídos políticos com relação à compra da vacina Covaxin pelo governo federal e novas pesquisas eleitorais para 2022, que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança das intenções de voto, também movimentam o noticiário.
Sobe e desce
Mais um dia de alta para o minério de ferro, mais um dia de avanço para as empresas do setor de commodities. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 73,03 | 4,22% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 113,50 | 2,22% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 45,20 | 1,35% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 70,00 | 1,16% |
| SBSP3 | Sabesp ON | R$ 38,22 | 0,87% |
Depois de subir forte com a perspectiva de uma alta mais agressiva da Selic, a SulAmérica recua no pregão de hoje. A Eletrobras também segue em um movimento de realização de lucros após a alta na esteira da aprovação da MP de privatização. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| SULA11 | SulAmérica units | R$ 34,58 | -3,92% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 44,60 | -3,53% |
| ECOR3 | Ecorodovias ON | R$ 11,87 | -3,50% |
| GNDI3 | Intermédica ON | R$ 84,49 | -3,31% |
| MULT3 | Multiplan ON | R$ 24,36 | -3,26% |
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