Ibovespa segue exterior e tem queda de 1%, ainda digerindo reação dos BCs; dólar avança
Os investidores seguem se ajustando ao novo cenário de menor liquidez e juros mais elevados

A alta volatilidade segue sendo a tônica das bolsas internacionais. No Brasil, a sexta-feira (17) tem uma dose extra de movimentação, com o vencimento de opções na B3.
A semana, que foi marcada pela decisão de política monetária em diversas partes do globo, está longe de ser digerida totalmente, o que leva a um comportamento misto dos investidores.
Para combater a inflação, o fim dos estímulos monetários se aproxima, levando a uma migração de recursos de ativos de risco, como ações e criptomoedas, para moedas fortes e renda fixa. A alta de juros torna os títulos do tesouro, em especial os Treasuries americanos, mais atrativos em um cenário de cautela global.
Mesmo com um dia positivo para as commodities metálicas, após novo avanço de 3%, o Ibovespa opera em queda, mas engatou leve recuperação com uma melhora em Nova York. Por volta das 15h45, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,53%, aos 107.786 pontos. O dólar à vista avança 0,04%, a R$ 5,6881.
[captacao]
No balanço dos BCs
Os últimos dois dias foram marcados pela postura mais agressiva (hawkish, no jargão do mercado) dos Bancos Centrais pelo mundo contra a inflação.
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É verdade que cada país terá um caso específico. Os emergentes, por exemplo, iniciaram o ciclo de alta nos juros antes dos países mais desenvolvidos.
Nos Estados Unidos, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, lidera uma ofensiva de retirada de estímulos monetários acelerado e já avisou que, caso a estratégia não funcione, a elevação da taxa de juros é o próximo passo.
Já o Banco Central Europeu (BCE) diz não ver espaço para uma alta de juros no próximo ano e o Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) foi para o tudo ou nada e elevou a taxa básica de 0,1% para 0,25%.
Quem fechou a fila de posicionamento dos BCs pelo mundo foi o Banco Central do Japão (BoJ, me inglês), que anunciou a retirada de estímulos da economia e manteve a taxa de juros inalterada.
Depois dos precatórios…
A PEC dos precatórios foi aprovada esta semana na Câmara dos Deputados e abriu o tão desejado espaço para o programa Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. O texto foi fatiado na Casa e, no total, deve disponibilizar cerca de R$ 106 bilhões no Orçamento de 2022.
Entretanto, cálculos de congressistas da oposição afirmam que R$ 62,2 bilhões são suficientes para manutenção do programa social e o restante seria usado para inflar as chamadas emendas do relator (ou RP9), mecanismo essencial para o orçamento secreto.
… A bonança
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal O Estado de São Paulo, o governo pretende conceder um pacote de benesses até o final do ano, que inclui reajuste aos policiais federais, novas despesas com renúncias tributárias, vale-gás e correção da tabela do imposto de renda.
O governo enfrenta uma crise de popularidade, com a corrida eleitoral de 2022 já tomando conta do noticiário local. De acordo com as últimas pesquisas, a rejeição ao presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou a 53% do eleitorado.
Sobe e desce do Ibovespa
As ações dos frigoríficos continuam sendo o principal destaque do Ibovespa. A notícia de que a BRF planeja uma nova oferta de ações bilionária deu gás extra para os papéis. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 24,00 | 4,67% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 21,30 | 4,41% |
| NTCO3 | Natura ON | R$ 27,07 | 2,54% |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 10,09 | 1,82% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 26,40 | 1,38% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| BIDI4 | Banco Inter PN | R$ 10,38 | -4,95% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 4,23 | -4,73% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 22,63 | -4,31% |
| LCAM3 | Locamérica ON | R$ 25,85 | -4,01% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 57,42 | -3,87% |
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