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Ricardo Mioto
Ricardo Mioto
CONTEÚDO PATROCINADO POR EMPIRICUS

E se a gente não souber nada?

19 de abril de 2020
16:10 - atualizado às 13:36
Investimentos dúvida
Imagem: Shutterstock

Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano acabava empatado.

Neném Prancha foi nos anos 50 e 60 um roupeiro, massagista e depois técnico das divisões de base do Botafogo. Mas foi, acima de tudo, um filósofo.

São atribuídas a ele várias pílulas de sabedoria, com a primeira frase deste texto. Outra, também famosa: pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do time.

A sabedoria de Neném Prancha pode nos ajudar a entender esses tempos de crise econômica.

É verdade que ninguém sabe o quanto as frases eram dele mesmo ou lhe foram atribuídas inveridicamente por jornalistas como Armando Nogueira e Nelson Rodrigues. Mas não importa: como diria o próprio Nelson, se estes não forem os fatos, pior para os fatos.

O futebol é similar aos mercados de vários modos. Sem dúvida existe espaço para a análise da qualidade fundamental dos times. Ou seja, é óbvio que a chance de o Flamengo ser campeão é maior que a do Atlético Goianiense. Mas isso só funciona com certa margem de certeza no longo prazo e nos casos extremos. Para um determinado jogo ou no curto prazo, tudo pode acontecer. Para citar novamente Nelson: qualquer pelada é de uma complexidade shakespeariana.

Essa aleatoriedade do futebol, porém, não é facilmente aceita por quase ninguém. O futebol é o reino dos sabichões. Quando eu era criança, ouvia os comentaristas de TV durante os jogos e pensava: poxa, esse cara sabe exatamente o que o time precisa fazer, ele seria um técnico excepcional.

Obviamente, o erro da criança é confundir convicção com competência, e a experiência como treinador de pessoas como Paulo Roberto Falcão mostra com clareza que da cabine de imprensa ao vestiário vai muito choque de realidade.

Não precisaríamos nem falar de comentaristas profissionais. Todo torcedor tem a convicção de que sabe melhor que qualquer técnico o que fazer. Esse cara é burro, burro demais, diz qualquer torcedor mais engajado sobre o técnico da rodada.

Daí a minha frase favorita de Neném Prancha. Sua recomendação para um time que enfrenta a situação adversa de estar sendo amplamente pressionado pelo adversário é de uma complexidade tática profunda, repleta de confiança e sofisticação técnica: “Meu filho, joga a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol."

*

Em outras palavras, e pensando na atual crise, foi o que o grande investidor Charlie Munger, sócio intelectual de Warren Buffett, disse na última semana ao Wall Street Journal.

“Ninguém sabe o que vai acontecer. Ninguém sabe quanto estrago vai haver, quanta recessão, quanto vai durar, ninguém sabe”, disse. “Então está todo mundo optando por ficar congelado.” Bola pro alto.

Vai surgir a tal imunidade de rebanho? Vai haver um medicamento ou uma vacina? O vírus vai passar por mutações perigosas? Vai ter problema de crédito? Quanto tempo isso tudo vai durar? Ninguém sabe.

Howard Marks falou algo parecido, também nesta semana: “Se está acontecendo algo que nunca aconteceu antes, você simplesmente não pode dizer que sabe o que vai acontecer”. Ele cita um artigo de um professor da Universidade do Michigan cujo título resume o seu pensamento: “Nós somos todos uns idiotas confiantes”.

Curiosamente, verdadeiros fazedores de dinheiro, em oposição a quem ganha a vida dando palpite na TV, têm muito menos dificuldade para admitir a sua posição de ignorância.

Questionado ainda em 2009 por dois grandes investidores brasileiros (Luis Stuhlberger e Artur Wichmann) sobre o que achava de os bancos centrais do mundo imprimirem um monte de dinheiro para tentar salvar a economia, George Soros parou por uns segundos, sorriu e disse: “Sabe que já pensei muito nisso e a resposta é: eu não sei. Durante a minha carreira, sempre sofri nesses momentos de tumulto.”

O Fed está imprimindo agora dinheiro em uma quantidade que faz 2009 parecer mera brincadeira. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que o poder do banco de irrigar a economia com dinheiro novo é “ilimitado”.

Mas será?, questiona Marks. Imagine que amanhã o governo americano mandasse um cheque de um milhão de dólares para cada americano, ao custo da impressão de US$ 330 trilhões em dinheiro novo. Não daria em nada? Inflação, perda de relevância do dólar, problemas para o governo americano se financiar? É de se imaginar que sim. Não se deixa as pessoas milionárias por milagre ou impressora. Caso contrário, estamos esperando o quê?

Bom, uma vez que se aceita que US$ 330 trilhões é demais, podemos ir abaixando o sarrafo: 200 trilhões daria problema? 50 trilhões? 10 trilhões? Qual é essa barreira a partir do qual o governo americano vai destruir o valor da sua moeda? Ninguém sabe.

O fato é que não há guru infalível, não há fórmula mágica, não há atalho para a riqueza. No longo prazo, é uma aposta razoável que a vida vai seguir em frente, que vamos atravessar, tudo que vai passar. No curto, porém, qualquer previsão é arriscada.

Warren Buffett costuma dizer que o mercado transfere renda dos pacientes para os impacientes. Se você comprar uma ação qualquer em uma data aleatória, a chance de ela subir, segundo os dados históricos, é de pouco mais de 50%. É uma loteria. Impossível saber, ainda mais em períodos de grande volatilidade como o nosso.

Após seis meses, porém, essa chance já é maior do que 60%, como mostraram dados compartilhados por João Luiz Braga, da XP, com base nas oscilações do Ibovespa desde 1994. Em cinco anos, maior que 80%. Após dez anos, são muito raros os casos de perda.

Após dez anos, é claro que o Flamengo vai ter sido mais vitorioso que o Atlético Goianiense.

Se você quer investir com base nesse raciocínio de humildade intelectual, ou seja, de concordar que ninguém sabe o que vai acontecer com o coronavírus ou qualquer novidade que o mundo nos reserve, a melhor pessoa para lhe ajudar é Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus e responsável pela série O Programa de Riqueza Permanente (PRP).

“Eu defendo que o sucesso de um investimento depende de escolher um bom ativo e ser capaz de carregá-lo por três, cinco ou dez anos”, diz Rodolfo. “As crises não duram para sempre. Elas criam oportunidades que apenas alguns poucos investidores – aqueles que conseguem mirar três anos para frente – aproveitam.”

Se você tem uma visão de longo prazo e topa esperar alguns anos até ter retornos extraordinários para você e sua família, Rodolfo tem uma mensagem exclusiva para leitor do Seu Dinheiro.

QUERO LIBERAR MEU ACESSO

Rodolfo vai lhe oferecer uma carteira completa de ativos.

“Eu sei que as correções e crises do mercado doem. Mas a partir de hoje elas não precisam mais ser tão dolorosas pra você. Você também não vai precisar mais ficar em pânico se o mercado estiver caindo em um determinado dia, semana ou mês. Porque mais do que chances pontuais de lucro, você terá um plano financeiro sólido para seguir.”

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