Para BTG Pactual Digital, queda de braço no petróleo pode fazer Brasil crescer apenas 1,5% em 2020
Segundo economista do banco, com o novo patamar de preços do óleo, o impacto na atividade local deve ser significativo e a tendência tanto de PIB quanto de inflação será de novas revisões baixistas

Depois que o Boletim Focus oficializou pela primeira vez um recuo nas estimativas de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) para menos de 2% em 2020, o BTG Pactual Digital divulgou um relatório dizendo que espera novas revisões para baixo, tanto para o PIB quanto para a inflação.
No documento, o economista do BTG Pactual Digital, Álvaro Frasson, disse que o coronavírus e a "derrocada" da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) tendem a "jogar a economia brasileira para algo próximo a 1,5% de PIB em 2020".
Em sua análise, ele ressaltou que a queda nos contratos futuros de petróleo nesta segunda-feira (9) é um "movimento que coloca ainda mais lenha na fogueira da desaceleração global dos últimos anos". Hoje, os contratos futuros do Brent com vencimento em maio fecharam em queda de 24,10%, cotados em US$ 34,36.
"O preço do Brent está em valores pré-2004, antes do boom chinês pela demanda da commodity, e o índice de Commodities da Bloomberg está na mínima histórica desde 1986, época de recessão de economias maduras", destacou o economista.
A queda de braço está ligada à guerra de preços do petróleo desencadeada pela Arábia Saudita. Ontem (8), os sauditas anunciaram que iriam vender petróleo com enormes descontos, o que derrubou os preços internacionais da commodity.
Segundo ele, com o novo patamar de preços do óleo, o impacto na atividade local deve ser significativo e a tendência tanto de PIB quanto de inflação será de novas revisões baixistas.
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Hoje, o Focus trouxe um recuo nas estimativas do mercado para o crescimento do PIB, que ficaram em 1,99% para este ano. A mediana da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2020 também sofreu alteração e passou de 3,19% para 3,20%.
BC está de mãos atadas
De olho no cenário global, o economista destacou que agora vê o BC brasileiro de mãos atadas e que a autoridade deve fazer o corte de juros na próxima reunião, que ocorre ainda neste mês.
"Apesar do BCB mostrar sua preocupação com o atual nível de câmbio, dada sua maior intensidade nos leilões de swaps cambiais nos últimos dias (mais de US$ 5 bilhões), a pressão para mais cortes de juros coloca o Copom de mãos atadas para reunião do dia 18: ou é de 0,5 p.p. ou é de 0,25 p.p. com um comunicado mais dovish [suave]", disse o economista.
Em sua análise, Frasson também argumentou sobre preocupações com relação à meta fiscal. Segundo ele, se por um lado a redução dos juros pode ajudar na melhora da perspectiva do resultado nominal, o resultado primário tende a ser agravado por conta do impacto negativo da atividade neste primeiro semestre de 2020.
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