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2020-03-25T11:39:32-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Setor de quarentena

BTG corta estimativas para shoppings por conta do coronavírus, mas ainda considera ações atrativas

Fechamento de shopping centers deve impactar receitas de administradoras, mas ações estão baratas; analistas recomendam suas preferidas

25 de março de 2020
11:39
shopping
Ação da Multiplan é a preferida do setor; Aliansce Sonae também tem recomendação de compra. - Imagem: Shutterstock

O BTG Pactual cortou estimativas para as ações de administradoras de shopping centers, uma vez que a maioria deles está fechada por conta da pandemia de coronavírus.

Mesmo assim, ainda vê um grande potencial de alta para todas as ações do setor, de 40% em média, dado que os papéis estão baratos, negociando a um retorno recorde ante as taxas de juros reais, "o que representa uma taxa interna de retorno de 8,5%-9,0%, sob estimativas conservadoras (um nível que não vemos desde a crise de 2008)".

Em relatório, os analistas Gustavo Cambauva e Elvis Credendio baixaram as recomendações de BR Malls e Iguatemi de compra para neutro, mantendo a recomendação de compra para Multiplan, preferida do setor. Além disso, o BTG voltou a fazer a cobertura de Aliansce Sonae, também com recomendação de compra.

Os analistas dizem estar adotando previsões mais conservadoras para vendas, tráfego de pessoas e receitas, sobretudo com aluguéis e estacionamentos. Também esperam um aumento da inadimplência e das despesas com juros, dado que as taxas futuras estão em alta. "Estamos, portanto, cortando nossas estimativas para 2020 e 2021", dizem.

O BTG espera que as receitas com estacionamentos se aproximem de zero com a maioria dos shoppings fechados, e que os varejistas tenham dificuldade de pagar os aluguéis.

A previsão é de que a inadimplência dispare e os operadores precisem conceder descontos ou renegociar os aluguéis. Os analistas destacam que a suspensão de pagamentos de aluguéis em shoppings fechados já está ocorrendo, e que os valores serão renegociados futuramente.

"Pelo lado positivo, nós acreditamos que este impacto deverá ser de curto prazo (estimamos dois trimestres), ao passo que o aspecto defensivo dos shoppings para o longo prazo deve durar mais tempo", diz o relatório.

Multiplan é 'top pick'

Os analistas cortaram as estimativas de FFO (Funds From Operations, o fluxo de caixa proveniente das operações) em 40% em média para os shoppings brasileiros em 2020, e 20% para 2021. Eles dizem acreditar que o segundo e o terceiro trimestres serão "extremamente fracos" e que o período de suspensão das atividades vai "definitivamente pesar na habilidade dos shoppings de elevar os aluguéis em 2021".

Neste cenário mais conservador e cauteloso, os analistas consideram que as ações da Multiplan (MULT3) são "o melhor veículo para navegar águas turbulentas". Segundo o BTG, a companhia combina um portfólio AAA (alto padrão, mais defensivo), baixa alavancagem (relação dívida líquida/Ebitda de 2,4 vezes) e valuation atrativo (8,5% de taxa interna de retorno).

Além disso, a empresa é menos impactada por potenciais quedas nas receitas de estacionamentos, além de ter taxas de vacância e inadimplência historicamente baixas, dizem os analistas do BTG.

Sendo assim, o BTG mantém recomendação de compra para Multiplan, com preço alvo de R$ 29, um potencial de valorização (upside) de 41% em 12 meses. As ações da Aliansce Sonae também têm recomendação de compra, com upside de 41% e preço-alvo de R$ 38.

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