Taxa zero para o Tesouro Direto faz número de novos investidores triplicar
Volume de novos aplicadores, que estava estacionado em 11 mil ao mês, saltou para perto de 32 mil em setembro do ano passado

Depois de os grandes bancos zerarem as taxas para aplicação no Tesouro Direto no segundo semestre do ano passado, o número de novos investidores no programa de compra e venda de títulos do governo federal praticamente triplicou de lá para cá. O volume de novos aplicadores, que andava estacionado em 11 mil ao mês há pelo menos dez meses consecutivos, saltou para perto de 32 mil em setembro, imediatamente após o anúncio em massa das instituições financeiras.
Os bancos isentaram as taxas de administração dos aportes dentro da plataforma do Tesouro Direto, uma prática que já era adotada pelas corretoras independentes e, na avaliação dos especialistas, tido como um dos principais atrativos até então para a expansão da base de investidores nessas plataformas.
Em setembro, mês em que Itaú, Santander e Banco do Brasil anunciaram a isenção nas taxas (o Bradesco foi o primeiro a aderir à onda, em junho de 2018), foram veiculados comerciais na TV e na internet sobre a medida. Com isso, segundo o Tesouro Direto, o número de novos investidores ativos mensais bateu recorde histórico de 31.911 e se manteve, na média, na casa de 29 mil novos aplicadores até novembro, último mês que consta com divulgação por parte do governo.
Segundo o gerente da plataforma, Paulo Marques, a publicidade feita pelas instituições financeiras impulsionou a procura pelo produto. "A forte divulgação do Tesouro Direto em setembro fez com que a procura fosse generalizada, mesmo nas corretoras que já não cobravam taxas", afirma.
Ele acredita que, como indicam dados preliminares de dezembro e janeiro, que mostram uma forte demanda do público, o número de investidores ativos no Tesouro Direto deve superar em breve o número de quem aposta na Bolsa. Segundo dado de novembro, 752 mil pessoas aplicavam recursos no programa, frente a 810 mil na B3, em dezembro.
"Os custos ficaram ainda menores para se investir em títulos públicos. Quando o investidor conhece o produto, que entrega boa rentabilidade e é o mais seguro do mercado, ele muda de referência quando vai procurar outras aplicações de renda fixa", afirma.
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Custódia
Outra boa notícia deve atrair ainda mais investidores nos próximos meses, segundo Marques. Em dezembro, a taxa de custódia, obrigatória e cobrada pela B3, caiu de 0,30% para 0,25% ao ano. Segundo cálculos do coordenador do Laboratório de Finanças do Insper, Michael Viriato, a economia com as taxas pode ser relevante no longo prazo.
Considerando um investidor que aporte mensalmente R$ 100 em um título público com uma rentabilidade de 9% ao ano, antes das reduções - com uma taxa de 0,5% da instituição financeira e uma custódia de 0,3% da B3 -, ele acumularia R$ 339.847 mil em 40 anos. Com apenas os 0,25% atualmente cobrados, o acúmulo seria de R$ 394.220 no mesmo período, uma diferença de R$ 54.373.
O movimento de alta na procura pelos papéis também foi reforçado pela rentabilidade atrativa dos títulos durante o período eleitoral. Com a variação nas taxas de juros de mercado no período, alguns títulos públicos chegaram a superar o desempenho do Ibovespa em 2018.
Viriato acredita que o salto no número de investidores tenha relação direta com a rentabilidade que eles apresentaram no período.
Segundo ele, os ganhos expressivos podem ter gerado um "boca a boca" entre os investidores, levando um aumento na procura pelos títulos.
*Com o jornal O Estado de S. Paulo.
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