A eleição no Senado ajuda ou atrapalha as reformas?
Indo direto ao ponto, não sei e acho que só descobriremos quando os projetos começarem a ser votados

Depois de um tumultuado processo eleitoral, o Senado será comandando pelo até então desconhecido Davi Alcolumbre (DEM-AP). Acompanhando todo o processo, que começou na sexta-feira (1) e se arrastou até o fim da tarde do sábado, estive sempre pesando em como a eleição e seu resultado poderiam ter alguma influência sobre o andamento da agenda de reformas.
Confesso que até agora não encontrei resposta clara e objetiva. Lendo o noticiário do fim de semana, fiquei com a percepção de que não estou sozinho, pois vi diversas explicações para o mesmo fato.
Os mercados podem trazer uma “resposta objetiva” via preço dos ativos nesta segunda-feira, mas ela dura pouco, pois em política vemos apenas “fotos” de um “filme” sem roteiro e de final nunca previsível.
Foi uma vitória de Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil e articulador da candidatura de Alcolumbre desde o fim do ano passado? Ou seria mesmo uma derrota de Renan Calheiros (MDB-AL), que tinha certeza de seu retorno à presidência da Casa e já tinha até montando um gabinete, segundo me contou um conhecido com trânsito no Senado? Ou seria, ainda, uma vitória da pressão popular sobre os senadores, resultado de uma massiva campanha contra o senador alagoano? Foi uma vitória de Onyx ou do governo Bolsonaro?
[captacao]
O ponto mais comum que li e ouvi é que Renan vai “se vingar” do governo, pois foi “rifado” e se viu obrigado a abrir mão da candidatura mesmo depois de telefonemas do presidente Jair Bolsonaro e afagos em Flávio Bolsonaro.
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Aliás, a única coisa que podemos falar com um pouco de certeza é que Davi já estava eleito no momento em que Flávio abriu seu voto. Mas voltando, Renan vai se vingar como? Esse desentendimento seria assim tão irremediável? Ainda mais se tratando de figura pragmática como Renan?
Sinto desapontar o leitor com mais perguntas que respostas, mas, por ora, só consigo lembrar da máxima de Getulio Vargas, segundo a qual: se ninguém é tão amigo que não possa virar inimigo, também não existem inimigos que não possam ser convertidos em amigos.
Acho que teremos uma resposta sobre o impacto dessa eleição no Senado quando os projetos encampados pelo governo começarem a entrar na pauta de votações. Davi, em tese, só tem de pautar as matérias. E que creio que cada votação será uma “batalha” diferente.
Teria ele ou Onyx a capacidade de angariar votos e “tirar o pulso” dos Plenários na Câmara e do Senado para evitar derrotas desnecessárias? A pressão popular e das redes sociais também estará presente em votações ou momentos nos quais as audiências das TVs Câmara e Senado estiverem no habitual “traço”? Será que estamos vendo algo “novo” ou tudo se resume, como sempre, a poeira e vaidade?
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