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de olho nos preços

Inflação oficial registra menor taxa para julho em 5 anos

IPCA passou de 0,01% em junho para 0,19% neste mês, informou o IBGE nesta quinta-feira

Imagem: Shutterstock

A inflação passou de 0,01% em junho para 0,19% em julho - menor taxa para o mês desde 2014, quando ficou em 0,01%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quinta-feira, 8, pelo IBGE.

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O índice acumula alta de 2,42% em 2019 e de 3,22% nos últimos 12 meses, seguindo abaixo da meta de 4,25% definida para o ano.

A alta foi puxada pelo aumento da energia elétrica, que segundo o instituto, aconteceu pela mudança da bandeira tarifária, que passou de verde para amarela, e o reajuste da tarifa em São Paulo.

[captacao]

De acordo com o analista da pesquisa, Pedro Kislanov, se não fosse a energia elétrica, o IPCA de julho ficaria muito próximo da estabilidade, pois outros grupamentos importantes, como alimentação, transportes e saúde e cuidados pessoais, tiveram estabilidade ou queda.

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Grupos

O grupo alimentação e bebidas, que responde por cerca de um quarto das despesas das famílias, ficou estável, com variação de 0,01%. “Por um lado, houve aumentos em alimentos como cebola, frutas e carnes. Por outro, tomate, hortaliças e batata-inglesa tiveram quedas nos preços”, esclarece Pedro.
Já os transportes tiveram deflação em julho, com uma variação de -0,17% e impacto de -0,03 p.p. Apesar das passagens aéreas terem aumentado pelo segundo mês seguido, foram os combustíveis que ditaram o comportamento de queda do grupo. “A gasolina caiu 2,80% e já vinha de uma queda de 2,04% em junho. Também o etanol caiu 3,13%, vindo de uma queda de 5,08% no mês anterior”, analisa Pedro.

Destacou-se ainda, a deflação observada no grupo saúde e cuidados pessoais, que caiu 0,20% por conta dos itens de higiene pessoal, que tiveram descontos e promoções. Com isso, o grupo gerou um impacto negativo de -0,02 p.p.

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Por outro lado, o grupo de despesas pessoais subiu 0,44%, ficando com o segundo maior impacto positivo no mês (0,05 p.p). O grupo foi pressionado pelos itens excursão, com aumento de 4,43%, e empregado doméstico, com aumento de 0,24%.

Pressões pontuais

Em avaliação sobre os números mensais, o gerente no Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves, afirmou que a inflação sofre pressões pontuais, não há nada ainda que indique influência de um eventual aumento na demanda por bens e serviços.

Segundo Gonçalves, o aumento sazonal na procura por passagens aéreas e alimentação fora de casa durante as férias de julho impulsionou os preços desses itens no mês. No entanto, a elevada informalidade no mercado de trabalho e o alto nível de endividamento das famílias ainda não dão segurança para que aumentem o consumo, opina o pesquisador.

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"Só pressões pontuais, nada que indique pressão de demanda", disse Gonçalves.

Para as próximas leituras do índice de preços, o gerente do IPCA lembra que está previsto o impacto da entrada em vigor da cobrança extra na conta de luz pela incidência da bandeira vermelha, mas a safra recorde esperada para este ano pode ajudar a amenizar a pressão sobre a inflação através dos alimentos. "Pode ser que tenha impacto para frente sim, se for uma safra boa. Considerando que alimentos tem peso de um quarto do índice", lembrou.

A bandeira vermelha patamar 1 implicará na cobrança de energia elétrica em agosto de R$ 4,00 adicionais a cada 100 kW/h consumidos. "A gente tem que ver os outros componentes para saber como vai ficar (o IPCA). Isso (bandeira vermelha) com certeza tem um impacto no índice como um todo. A safra agrícola veio muito boa, alimentos têm peso importante", acrescentou.

*Com Estadão Conteúdo.

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