Ações devem sofrer impacto de incertezas com a reforma da Previdência
Analistas consultados acreditam que o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, deve encontrar dificuldades em renovar máximas no curto prazo

A expectativa de que o governo enfrente dificuldades para aprovar com rapidez a reforma da Previdência pode prejudicar o desempenho das ações nos próximos meses.
Analistas consultados acreditam que o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, deve encontrar dificuldades em renovar máximas no curto prazo, até que o governo forme uma base de apoio suficiente para aprovar as reformas no Congresso, em especial a da Previdência.
"À medida em que este apoio se tornar mais visível, é natural imaginar que os investidores resgatarão o ânimo, permitindo que as ações retomem a trajetória de alta vista anteriormente", afirmaram os analistas do Santander.
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Fernando de Almeida Prado Bresciani, analista de investimento da Mirae Asset, disse que quanto menores forem os cortes da proposta inicial da reforma da Previdência, maiores serão os benefícios para as contas do País e consequentemente para uma melhor performance do Ibovespa. "Nesse sentido, as ações de empresas ligadas aos setores internos da economia, bens de capital, autopeças, siderurgia, varejo, construção civil, infraestrutura e serviços, serão as mais beneficiadas", afirmou Bresciani.
Ontem, em uma transmissão ao vivo via Facebook, Jair Bolsonaro disse que o Congresso vai ser soberano na reforma da Previdência, mas que ele espera que a proposta não seja muito "desidratada" pelos parlamentares. A previsão do presidente é de que a proposta seja aprovada ainda no primeiro semestre deste ano.
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No fim de fevereiro, o presidente chegou a dizer que estava disposto a negociar alguns pontos, entre eles baixar a idade mínima para aposentadoria das mulheres de 62 para 60 anos. Ele também disse que poderia fazer concessões no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago para idosos e deficientes de baixa renda, e na porcentagem da pensão por morte, que poderia passar de 60% para 70%.
Sobre as carteiras recomendadas aos clientes, a maior parte das corretoras manteve o portfólio inalterado. Entre as poucas mudanças, a Modalmais trocou Suzano ON, Localiza ON e BRF ON por Itaú Unibanco ON, B2W ON e IRB Brasil Re ON. Já Nova Futura substituiu QGEP ON, JBS ON e Qualicorp ON por Ambev ON, Ser Educacional ON e Raia Drogasil ON.
Na Mirae, saíram Iochpe Maxion ON, Randon PN e Santander Brasil Unit e entraram Sanepar Unit, Usiminas PNA e Banco do Brasil ON. Bresciani explicou que a certeza de aumento da tarifa da Sanepar, já que o governo do Paraná garantiu que não vai interferir no reajuste, beneficia o preço dos papéis. Além disso, explicou, tem ainda os bons resultados da companhia no quarto trimestre e a expectativa de um bom ano para a empresa.
Já a Usiminas é indicada pela Mirae por conta da expectativa de reajuste no preço do aço. "No caso do Banco do Brasil, achamos que a próxima semana será mais agitada do que essa de carnaval. Assim, o banco, com o interesse de melhorar a sua rentabilidade, pode trazer declarações positivas. Na CCR, a ação caiu demais essa semana. Daqui para a frente, com o consumo de combustível já apresentando melhora em janeiro e com a perspectiva de crescimento da economia, haverá aumento no fluxo de veículos leve e pesados nas estradas, o que beneficia as ações da empresa de concessões", afirmou.
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