Se Bolsonaro falar menos sobre reforma até aprovação, ajudará bastante, diz presidente da Comissão
Deputado Marcelo Ramos (PR-AM) observa que cada vez que o chefe do Executivo fala algo sobre a reforma, ele retira alguma coisa

O presidente da Comissão Especial da Reforma na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PR-AM) observa que cada vez que o presidente Jair Bolsonaro fala algo sobre a reforma, ele retira alguma coisa.
Ramos, que foi escolhido na quinta-feira, 25, para presidir a Comissão falou à Rádio Eldorado. Ele disse que o governo dá sinalizações mistas sobre a reforma da Previdência e que não ajudam a garantir uma economia relevante com o projeto.
O deputado lembrou que no mesmo dia em que ministério chefiado por Paulo Guedes apresentou um novo cálculo sobre o impacto fiscal da proposta, passando de R$ 1 trilhão para R$ 1,14 trilhão de economia em dez anos, o próprio chefe de Estado brasileiro reconheceu que a proposta pode ser desidratada e a economia pode ficar em torno de R$ 800 bilhões.
Para Ramos, com exceção do Ministério da Economia, que "tem uma visão clara de projetos e propostas para o Brasil", o governo federal não tem planos concretos. "Se Bolsonaro falar menos sobre a reforma até ela ser aprovada, vai ajudar bastante", comentou o deputado.
Ajustes
Ramos diz ter consciência da necessidade de reformar o sistema previdenciário brasileiro. Ele vê, porém, "alguns ajustes" como necessários na proposta apresentada pelo governo. "Não podemos fazer um ajuste fiscal exigindo este sacrifício do trabalhador rural, dos mais pobres que recebem o BPC", disse.
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"Da mesma maneira, não me parece correto com os professores deste País a mudança abrupta que está sendo colocada. É preciso calibrar melhor as regras de transição deste grupo."
O presidente da Comissão Especial ainda afirmou que pretende aprofundar o debate sobre a proposta de mudança de regime, da repartição para a capitalização. "É um tema que não está claro nem aos deputados e nem à população brasileira", declarou.
Estados
Outro ponto na reforma criticado por Ramos é a reforma da Previdência nos Estados. "Os governadores têm que assumir a sua parcela de responsabilidade. É delicado impor a reforma aos Estados se os entes federados estão em situações muito diferentes entre si", disse. "A reforma não pode ter aplicação imediata sobre os regimes próprios dos servidores estaduais."
Ao longo da entrevista, Ramos ressaltou que tais posições eram pessoais e não vão interferir na condução de seu trabalho na Comissão Especial. "Esta posição sobre a reforma dos Estados, repito, é pessoal. Todos sabem que sou favorável e entendo a reforma da Previdência como necessária."
*Com Estadão Conteúdo
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