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2019-04-20T16:43:55-03:00
Empresas podem ser muito afetadas...

Olha a bomba! Fim da dedução do JCP pode diminuir lucro de 17 empresas em mais de 10% em 2019, segundo BTG

No quesito preço-alvo de ações, os setores mais afetados seriam o financeiro e de varejo. Preço-alvo das ações do Banco do Brasil poderiam cair até 19%

24 de janeiro de 2019
11:48 - atualizado às 16:43
B3 – BRF – BR V3
Imagem: Montagem/Andrei Morais

Em relatório divulgado hoje (24) pelo BTG Pactual, o banco ressalta que o fim da dedução tributária do juro sobre o capital próprio (JCP) pode promover a queda de mais de 10% no lucro de 17 companhias em 2019. Segundo o documento, as empresas mais impactadas seriam a BRF, que teria queda de 63%; seguido pela Telefônica Brasil e Hypera, com baixa de 17%, e Duratex, com diminuição de 16,5%.

Na sequência, viriam a BR Distribuidora e B3, com queda de 16%. As empresas brasileiras de capital aberto pagaram R$ 66 bilhões em JCP aos seus acionistas em 2018.

Segundo os analistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, responsáveis pelo relatório, é possível que, em alguns casos, o impacto estimado no lucro das ações não seja proporcional ao impacto nos preços-alvos dos papéis dessas empresas.

Para entender os setores que seriam mais afetados no quesito preço-alvo das ações, os analistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira fizeram um estudo com 40 companhias e perceberam que os setores financeiro e de varejo seriam os mais impactados.

No primeiro caso, a média de queda no preço-alvo das ações seria de 10%, enquanto que no varejo a desvalorização seria de 6%.

Os bancos mais afetados seriam o Banco do Brasil, com baixa de 19% no preço-alvo das ações. Em seguida, viriam Bradesco e Santander. Ambos teriam queda de 15% no preço-alvo. O Itaú Unibanco com desvalorização de 12%.

Já no varejo, as maiores baixas seriam lideradas por Hypera, com queda de 13%, e Raia Drogasil com baixa de 12% no preço-alvo das ações. Durante a análise, os especialistas não levaram em consideração qualquer redução nos impostos cobrados sobre as empresas, que hoje é em torno de 34%.

Vai e volta

O assunto voltou à tona agora com o discurso de ontem (23) do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial. Guedes afirmou que pretende reduzir a carga tributária das empresas dos atuais 34% para 15%, em média. Para não afetar a arrecadação federal, outros impostos teriam que aumentar - e daí vem a ideia de tributar dividendos e juros sobre capital próprio.

Para os analistas, mesmo se o governo diminuir os impostos sobre as empresas, as companhias que pagam altos dividendos e juros ao acionista podem ser impactadas de forma "desproporcional".

O JCP foi criado em 1995 com a finalidade de impulsionar o mercado de ações. Ele permite que a empresa remunere os acionistas até o valor da TJLP. Quanto mais alta a taxa, maior o benefício fiscal.

A vantagem é que a empresa pode deduzir o valor pago na forma de JCP do lucro tributado pelo Imposto de Renda e da Contribuição Social do Lucro Líquido (CSLL). Isso é benéfico para a companhia porque o pagamento é contabilizado como despesa da empresa, ou seja, entra antes do lucro.

Na opinião dos especialistas, ao acabar com a dedução do JCP, a nova administração estaria aumentando os impostos sobre o ganho de capital e diminuindo as taxas em cima da produção, o que já é feito em países desenvolvidos.

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