Volvo vende mais do que nunca no Brasil – mas enfrenta recall que testa sua reputação
Marca sueca celebra recorde histórico enquanto administra recall de bateria no seu modelo mais vendido por risco de incêndio

Em 2025, a Volvo Car Brasil encerrou o ano com 9.721 emplacamentos, um recorde absoluto da sueca no país, se firmando como a terceira maior marca do segmento premium, atrás de BMW e Mercedes-Benz. O resultado, porém, chegou acompanhado de um recall que coloca à prova justamente o que a marca sempre vendeu como diferencial: a segurança.
A operação brasileira superou o recorde anterior de 8.684 veículos registrado em 2023, e se tornou a unidade de maior crescimento proporcional dentro da estrutura global da fabricante.
Do total de vendas, 5.160 unidades foram de modelos 100% elétricos, representando 53,1% do mix – número que posiciona o Brasil como um dos mercados mais eletrificados da Volvo no mundo.
O principal responsável pelo crescimento foi o EX30, SUV compacto 100% elétrico que acumulou 3.508 emplacamentos em 2025. O número o coloca, por margem mínima, abaixo do XC60 renovado, com 3.515 unidades. O empate técnico entre os dois modelos é o dado mais revelador do portfólio atual da marca: o novato elétrico e o híbrido consagrado venderam praticamente o mesmo volume.

O desempenho comercial veio acompanhado de investimento em infraestrutura: R$ 70 milhões da matriz para instalar 75 eletropostos ao longo de 31 mil quilômetros de rodovias, permitindo, de forma inédita, viagens de longa distância pelo litoral brasileiro utilizando apenas a rede da montadora. A meta é chegar a 100 pontos de carga rápida.
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Recall para seu modelo mais vendido
A ascensão do EX30, no entanto, trouxe o problema mais sério enfrentado pela Volvo no Brasil em anos recentes: um recall global que envolve justamente a bateria – componente central da proposta do veículo.
No Brasil, o chamado abrange unidades dos anos-modelo 2024 e 2025, especificamente as versões Single Motor Extended Range e Twin Motor. O problema identificado é um risco de curto-circuito interno nas células da bateria, o que pode levar ao superaquecimento e, em casos extremos, ao incêndio.
Falhas no software da tela central e nos sistemas de controle de frenagem adicionaram complexidade à crise, exigindo atualizações que transformam o atendimento técnico em um desafio logístico para a rede de concessionárias.
Para mitigar o risco enquanto a solução definitiva não chega, a Volvo instruiu os clientes a limitarem a recarga das baterias a 70% da capacidade. Para quem pagou a partir de R$ 240 mil no veículo, conviver com 30% a menos de autonomia por meses é uma conta que a marca ainda está devendo.
A Volvo tem reforçado o suporte nas concessionárias e apostado na sua reputação histórica para conter o desgaste. Se vai funcionar, os dados de 2026 vão mostrar.

A percepção é dividida: para alguns consumidores, a demora na solução e a limitação de carga configuram o que chamam, em fóruns e redes sociais, de “vício oculto” — termo do CDC que, se aplicado juridicamente, criaria obrigações adicionais para a marca.
Nos fóruns de proprietários, a frustração vai além do problema técnico. Os relatos convergem num ponto: a limitação de autonomia compromete o uso cotidiano do veículo – exatamente o que justificou o investimento. Há quem questione abertamente o valor de revenda e a lealdade à marca.
O que vem por aí: mais autonomia e carregamento ultrarrápido
O ano de 2026 começou com 719 emplacamentos em janeiro, crescimento de 9,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A participação de mercado da Volvo no segmento premium subiu para 24,9% no primeiro mês do ano, indicando que o recall ainda não freou o interesse de novos compradores.
A renovação do portfólio para o biênio 2026-2027 aponta para tecnologias de ultra-alta voltagem e inteligência artificial. O próximo grande movimento da marca será a introdução do ES90, sedã de luxo confirmado para o segundo semestre de 2026.

O modelo estreia a arquitetura de 800 volts, que permite recuperar 300 km de autonomia em apenas 10 minutos de carga rápida. Com alcance estimado em 700 km e foco no conforto executivo, o ES90 chegará com preço perto de R$ 850 mil.
O lançamento mais estratégico para o volume de vendas da Volvo, no entanto, é outro
Trata-se do novo EX60, SUV médio que sucederá gradualmente o XC60. Apresentado mundialmente em janeiro, tem chegada prevista para o último trimestre do ano ou início de 2027.

O diferencial é a autonomia de 810 km na versão topo de linha e a integração nativa do Google Gemini como assistente de inteligência artificial, a primeira para a marca. Com dimensões superiores às do antecessor e sistema de áudio premium de 28 alto-falantes, é a aposta da Volvo para manter a liderança do segmento em um mercado cada vez mais exigente em conectividade e alcance.
Em infraestrutura, a meta para 2026 é chegar a 500 pontos de carregamento, reduzindo a distância média de eletropostos em São Paulo para menos de 10 km.
O calendário de lançamentos indica que a Volvo não pretende reduzir o ritmo comercial enquanto resolve o recall. A pergunta que o mercado vai responder ao longo do ano é se um histórico de vendas recorde é seguro reputacional suficiente para atravessar uma crise que atinge o produto mais vendido da marca.
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