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CULINÁRIA JAPONESA

Kazuo: por dentro de um omakase com estrela Michelin em São Paulo (onde o chef escolhe o que você vai comer)

O chef Kazuo Harada conduz uma sequência de pratos quentes, frios e niguiris, combinando técnicas japonesas com referências de diferentes cozinhas asiáticas

Chef Kazuo Harada sorridente em restaurante japonês segura uma bandeja com dois filés de peixe cru.
Chef Kazuo Harada prepara um omakase de 12 a 14 etapas no Kazuo, no Itaim Bibi, em São Paulo - Imagem: Divulgação

Sentar diante do chef sem saber exatamente o que chegará à mesa é parte do jogo em um omakase. No Kazuo, restaurante japonês em plena Faria Lima, em São Paulo, quem conduz a refeição é o chef Kazuo Harada, que prepara os pratos diante dos clientes no balcão de 12 lugares e explica, ao longo do jantar, o que está sendo servido.

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Desde 2024, a casa tem uma estrela Michelin e, agora, Harada trabalha em uma nova versão do seu omakase, formato em que o cliente entrega ao cozinheiro o poder de escolher a refeição.

Quando o Seu Dinheiro acompanhou a experiência, o menu ainda estava em construção. A sequência combinava pratos quentes e frios e deixava espaço para mudanças ao longo do jantar. A ideia é que Harada tenha liberdade para decidir os preparos de acordo com os ingredientes disponíveis, o ritmo da refeição e até a conversa com quem está do outro lado do balcão.

Chef sorridente segura uma bandeja com dois filés de peixe cru em frente a prateleiras de madeira.
Chef Kazuo Harada - Imagem: Divulgação

O que é um omakase?

A palavra omakase vem do japonês e carrega essa ideia de confiar uma escolha a outra pessoa. No restaurante, isso significa entregar ao cozinheiro a decisão sobre o que será servido, em uma sequência que pode reunir sashimis, niguiris, pratos quentes e outras preparações.

Para quem cresceu em São Paulo frequentando rodízios japoneses, o omakase pode parecer quase o oposto do que se entende por uma refeição japonesa no Brasil. Em vez de abrir o cardápio e escolher entre temakis, sashimis, hot rolls e combinados, o cliente se senta e deixa a refeição nas mãos do chef.

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Sala de restaurante com mesas de madeira, balcão central e cozinha aberta ao fundo.
Interior do restaurante Kazuo - Imagem: Divulgação

O conceito, aliás, ganhou espaço na cidade nos últimos anos, acompanhando a expansão de uma cena gastronômica japonesa que vai além do rodízio e passa a valorizar também a matéria-prima, a sazonalidade e a relação direta com quem cozinha. No omakase, o ingrediente disponível naquele dia pode ser mais importante do que um menu previamente fechado.

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Mesas postas em restaurante com pratos, copos e guardanapos, diante de uma parede azul translúcida.
Interior do restaurante Kazuo - Imagem: Divulgação

Um restaurante japonês que vai além do Japão

A cozinha de Harada parte da técnica japonesa, mas percorre outros territórios da Ásia. Ao longo da carreira, o chef incorporou elementos da Tailândia, Filipinas, Coreia do Sul, China, Tibete e Índia. O curry, por exemplo, aparece entre as referências que se destacam, além de ingredientes brasileiros.

Essa mistura aparece em pratos como o bibimbap à moda do chef, servido com pimenta gochujang à parte, e também nas vieiras acompanhadas de molho cítrico, apresentadas em uma grande concha. A apresentação, aliás, ocupa um papel importante no jantar: os pratos chegam ao balcão com diferentes formas, cores e elementos que chamam a atenção antes mesmo da primeira garfada.

Prato com ostras e guarnições servido sobre gelo em uma mesa com sousplat trançado.
Prato de ostras e acompanhamentos servido no Kazuo - Imagem: Divulgação

Nos preparos, Harada combina pescados, frutas, cítricos, ervas e pimentas com técnicas e sabores asiáticos. Os peixes também não seguem uma única origem: chegam de diferentes partes do mundo e entram na sequência de acordo com o que o chef considera mais interessante para aquele momento.

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O bluefin tuna, por exemplo, pode aparecer nos cortes akami, chutoro e otoro, que variam em gordura, textura e intensidade. A partir do mesmo peixe, Harada consegue criar preparações diferentes e mudar o ritmo da refeição.

A mesma liberdade aparece no pescado cru servido com molho à base de leite de coco, pimenta e coentro, acompanhado de elementos crocantes. Os pratos combinam frescor, acidez, picância e textura e resume a maneira como o chef aproxima ingredientes e referências de diferentes cozinhas asiáticas sem abandonar a base japonesa.

A sequência do omakase começa com quatro entradas e segue para cerca de 12 a 14 niguiris. O número de pratos e os ingredientes podem mudar conforme o que chegar à cozinha.

Prato fundo preto com pedaços de peixe cru sobre creme branco, decorados com pimenta, ervas e ovas.
Prato de peixe cru servido no Kazuo - Imagem: Divulgação

A trajetória que explica a cozinha

Filho de pai japonês e mãe brasileira, Harada cresceu próximo da culinária oriental. Seu avô, imigrante japonês, manteve um restaurante na Liberdade, em São Paulo.

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Harada começou a carreira no Grand Hyatt São Paulo e depois trabalhou no Japão e em Dubai. Essas experiências, inclusive, ampliaram seu contato com diferentes cozinhas asiáticas e ajudaram a formar o repertório que hoje aparece no Kazuo.

Em 2015, assumiu o comando do Mee, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde conquistou sua primeira estrela Michelin. Depois, passou pelo Hai Yo, em Curitiba, antes de voltar a São Paulo para abrir o próprio restaurante.

Inaugurado em 2021, o Kazuo rapidamente ganhou espaço na gastronomia paulistana. Em 2022, Harada abriu o Emy, em Curitiba. Em 2024, o restaurante em São Paulo conquistou sua primeira estrela Michelin, mantida nas edições seguintes.

Parede de mármore azul e branco com o nome Kazuo em letras marrons.
Entrada do Kazuo - Imagem: Divulgação

Quanto custa?

O Omakase Itamae custa R$ 790 por pessoa. Para duas pessoas, o omakase parte de R$ 1.580, sem bebidas.

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O restaurante também oferece o menu degustação Surpreenda-se, de R$ 690, servido à mesa em dez tempos. A opção percorre diferentes referências asiáticas em preparações quentes e frias, mas não tem a mesma dinâmica do balcão.

Para acompanhar a refeição, a carta de bebidas reúne saquês de diferentes estilos, como, por exemplo, Honjozo, Junmai, Nigori, Ginjo e Daiginjo. Os preços vão de R$ 160 pelo Yauemon Honjozo Kanzukuri, de 300 ml, a R$ 1.400 pelo Dassai 23 Daiginjo.

Entre os vinhos, aliás, há rótulos brasileiros e estrangeiros, como o Sacramentos Sabina Syrah, da Serra da Canastra, e o chileno Longaví Glup Naranjo.

Serviço

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Kazuo - Rua Prudente Correia, 432, Jardim Paulistano - São Paulo

Horário de funcionamento: Segunda a quinta, 12h às 15h e 19h às 23h. Sexta, 12h às 15h e 19h às 00h. Sábado, 12h às 16h e 19h às 00, e domingo, das 12h às 17.

Telefone: (11) 96640-7596

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