Depois de uma década de desconfiança, BTG faz rara virada com Ambev (ABEV3) e vê ação entrando em ‘modo premium’
O banco afirma que a dona da Brahma e da Stella Artois voltou a ganhar força no segmento premium, recuperou poder de preço e pode retomar protagonismo diante da Heineken no mercado brasileiro de cerveja

Depois de 13 anos com o pé atrás com a Ambev (ABEV3), o BTG Pactual finalmente está dando o benefício da dúvida para a empresa. O time de análise do banco elevou a recomendação para o papel de neutro para compra, além de subir o preço-alvo de R$ 17 para R$ 20, o que implica um potencial de valorização de 22% em relação ao fechamento de ontem.
Segundo o BTG, ao que tudo indica, a companhia finalmente tem uma base sólida sobre a qual construir. Por volta das 12h, as ações da empresa subiam 0,55% na bolsa, a R$ 16,49. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,83%, a 176.341,29 pontos.
“Estamos mudando de opinião agora porque a capacidade da Ambev de impor preços, a principal variável que explica sua criação de valor, sustentada por um portfólio que a concorrência não consegue igualar, finalmente parece estar dando resultados”, detalham os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttila.
Ambev finalmente vai tomar o protagonismo da Heineken?
Para o BTG, pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação de receita no mercado brasileiro de cerveja, enquanto a Heineken dá sinais de maturidade de ciclo após uma impressionante trajetória de 15 anos.
“Por trás da lata verde, o portfólio da Heineken continua limitado. O da Ambev, em contraste, agora atua de forma granular nos segmentos core, core plus, premium de entrada e premium”, avalia.
Como os últimos quatro trimestres demonstraram, o portfólio permitiu à Ambev potencialmente reacender uma recuperação de participação em valor.
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A Ambev continua sub-representada no segmento premium (cerca de 50% de participação), em comparação com aproximadamente 70% no segmento core, diz o BTG. No entanto, os analistas avaliam que, com um portfólio consistente, a expectativa é de que a companhia pode ter conquistado o direito de vencer no segmento premium.
Na avaliação do BTG, com o portfólio reconstruído e a Heineken aparentemente se aproximando dos limites de sua estratégia premium baseada em uma única marca, a Ambev retomou o protagonismo em preços em 2025 e no início de 2026. Crucialmente, a Heineken foi forçada a seguir os aumentos, em vez de liderá-los.
“O aumento de preços se converte em resultado com necessidade mínima de capital adicional, razão pela qual esse é o principal motor do nosso modelo daqui para frente. À medida que a Ambev retoma o protagonismo no premium, agora assumimos que ela capturará 1,4 ponto percentual de aumento real de preços por ano no segmento de cerveja no Brasil nos próximos anos, permitindo a maior parte da nossa expectativa positiva de delta de retorno sobre capital investido “ROIC) daqui em diante”, explica.
Não precisa de muito
No relatório, o banco menciona que o retorno sobre o capital investido (ROIC) da Ambev se recuperou para 31% em 2025 e que a projeção indica que ele deve alcançar 37% até o fim da década. Na metodologia do BTG, entrar na faixa de 35%–40% separa o múltiplo de uma cervejaria global comum de um múltiplo premium.
“Criticamente, essa expansão é quase inteiramente uma história de giro de ativos: o capital investido permanece praticamente estável até 2030, enquanto as receitas crescem com preços e mix em termos reais. A tese de preços e a tese de ROIC são, na prática, a mesma tese — e é nisso que se baseia a elevação da recomendação”, afirma.
Ao considerar o histórico, o BTG acrescenta que um ROIC em trajetória positiva esteve associado a uma performance positiva das ações e a múltiplos premium.
O BTG avalia que a Ambev não precisa fazer grandes investimentos para continuar crescendo. A aposta é que a companhia consiga extrair mais valor da estrutura que já possui, elevando preços, vendendo produtos mais rentáveis e aumentando a eficiência operacional. Isso faz com que a receita e o lucro avancem sem uma expansão relevante do capital investido, impulsionando o ROIC.
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