Selic a 15% ajudou a B3 (B3SA3)? Lucro líquido da dona da bolsa salta 20% de um trimestre para o outro. Saiba o que esperar das ações
A operadora da bolsa brasileira teve um lucro líquido de R$ 1,32 bilhão entre abril e junho deste ano; veja outros destaques do balanço

Nem mesmo a Selic a 15% ao ano ou o cenário macroeconômico turbulento foram capazes de ofuscar o brilho da B3 (B3SA3) no segundo trimestre de 2025. A operadora da bolsa brasileira surpreendeu o mercado com resultados sólidos e uma performance robusta em diversos mercados — em especial, na renda fixa.
A empresa teve um lucro líquido de R$ 1,32 bilhão entre abril e junho deste ano. Trata-se de uma expansão de 6,6% em relação ao mesmo período de 2024. Se comparado aos ganhos impressos nos três primeiros meses de 2025, houve um salto de quase 20%.
A receita líquida da B3 chegou a R$ 2,54 bilhões no trimestre, alta de 3,5% na comparação anual e de 6,5% na base trimestral.
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Apesar da ligeira queda de 2,7% no Ebitda — indicador usado para mensurar o potencial de geração de caixa operacional — recorrente em relação ao 2T24, o número subiu 3,7% em relação ao trimestre anterior, chegando a R$ 1,72 bilhão.
As despesas, no entanto, também aumentaram 15,8% ano a ano, em parte devido aos investimentos em tecnologia e ao suporte à inovação, com foco em fortalecer o mercado de capitais e ampliar as operações.
“A B3 segue comprometida com a sua agenda de inovação, com o fortalecimento do mercado de capitais e com a geração de valor para seus acionistas, mesmo em um ambiente desafiador”, escreveu a B3, em nota no balanço.
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“A companhia continuará antecipando movimentos do mercado e aprimorando seus serviços e produtos para manter a resiliência, a competitividade e o atendimento das necessidades de seus clientes”, acrescentou.
B3 (B3SA3): o brilho da renda fixa e do crédito
O mercado de Renda Fixa e Crédito foi um dos grandes destaques no trimestre, com um crescimento de 13,5% nas emissões e de 17,9% no estoque de instrumentos de renda fixa, a R$ 8,1 trilhões em custódia.
“Com um cenário ainda desafiador para a emissão de ações, o mercado de capitais de dívida tem se mostrado uma importante fonte de financiamento para as empresas e instituições financeiras”, afirmou a B3, em nota no balanço.
O volume de novas emissões de instrumentos de captação bancária cresceu 11,1% na relação anual, ajudado pelo aumento das emissões de CDBs e DIs, que dominaram as emissões no período.
Outros produtos que tiveram forte expansão em emissões no segundo trimestre foram as LCAs e LCIs, com avanço de 36,2% e 50,3%, respectivamente.
No Tesouro Direto, a performance da B3 também continuou positiva, com um aumento de 14,9% no número de investidores e de 22,4% no estoque de títulos públicos.
Embora o segmento de ações ainda enfrente desafios, o volume financeiro médio diário (ADTV) negociado no mercado à vista de Renda Variável aumentou 9,2% na base anual, para R$ 26,1 bilhões.
O desempenho foi puxado pelo crescimento em BDRs (recibos de ações), que subiram 73,8%, ETFs (fundos de índice), com alta de 23%, e ações, que avançaram 6,5% no trimestre.
Segundo a B3, a performance também foi ajudada pelas iniciativas para “fortalecer o mercado por meio de incentivos à liquidez e lançamento de produtos”.
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O olhar dos analistas sobre a B3 (B3SA3)
O BTG Pactual avalia que a B3 (B3SA3) apresentou um desempenho acima das expectativas no segundo trimestre, o que sinaliza tendências mais favoráveis para a dona da bolsa brasileira no futuro.
Na visão dos analistas, a estratégia da B3 de explorar novas avenidas e tentar tornar os negócios mais resilientes e menos dependentes das ações brasileiras fez com que a companhia se tornasse mais do que apenas uma ação de bolsa.
Além disso, mesmo com a diversificação, a B3 não perdeu de vista o core dos negócios e continua comprometida com a distribuição de caixa aos acionistas, segundo o banco.
“A B3 parece bem posicionada, com um modelo de negócios diversificado e menos cíclico, um valuation atraente e um caminho claro de crescimento de longo prazo”, avaliou.
Para o BTG, os investidores que apostam nas ações da B3 hoje estão sendo amplamente recompensados com uma política atrativa de retorno de capital, seja por dividendos ou por recompras de ações.
Isso faz com que a ação B3SA3 seja um bom lugar para “esperar” uma virada no ciclo macroeconômico e a redução das taxas de juros nos próximos 12 a 18 meses, segundo os analistas.
O BTG manteve recomendação de compra para as ações B3SA3, com preço-alvo de R$ 15,00 para os próximos 12 meses, o que implica uma valorização potencial de 16,2% frente ao último fechamento.
“Entre as instituições financeiras de maior beta [sensibilidade às mudanças de mercado] do Brasil, a B3 ainda se destaca como uma forte geradora de caixa com um perfil relativamente defensivo e alto rendimento, e vemos espaço tanto para lucros quanto para múltiplos se reavaliarem”, disse o banco.
Por sua vez, a XP Investimentos considera que os resultados da B3 (B3SA3) foram mistos no 2T25, com uma receita ligeiramente abaixo do esperado, mas com lucro ligeiramente acima do consenso de mercado.
"No geral, vemos esses resultados trimestrais como reflexo da resiliência operacional e do controle disciplinado de custos. O crescimento continuou sendo impulsionado por derivativos e produtos OTC [mercado de balcão], compensando a falta de uma recuperação mais robusta no ADTV, que ainda depende de um cenário macroeconômico mais favorável e maior apetite por risco no mercado local", avaliaram os analistas.
A XP tem recomendação neutra para a operadora da bolsa brasileira, com preço-alvo de R$ 16 para as ações, uma alta potencial superior a 23%.
O Itaú BBA também teve uma leitura neutra sobre o balanço da B3, embora afirme que a companhia registrou bons resultados recorrentes.
"Consideramos esse resultado bom, mas neutro para a ação", afirmaram os analistas.
Para os analistas, a B3 continua sendo um "veículo altamente alavancado na receita líquida", o que justifica a posição entre as preferências do Itaú BBA no mercado de capitais.
O Itaú BBA tem recomendação outperform, equivalente à compra, para as ações B3SA3, com preço-alvo de R$ 15,50 para o fim de 2025, representando um crescimento potencial de 20%.
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