Raízen (RAIZ4) e Cosan (CSAN3) lideraram quedas do Ibovespa: por que as empresas de Rubens Ometto operaram no vermelho hoje?
Queda de quase 6% na ação da produtora de etanol e açúcar também puxou os papéis de sua controladora Cosan para o negativo

As empresas do conglomerado de Rubens Ometto amanheceram no vermelho nesta segunda-feira (20), liderando as perdas do Ibovespa hoje.
A Raízen (RAIZ4) caiu 5,39%, fechando o dia a R$ 1,94, ocupando o terceiro lugar no pódio das maiores perdas do Ibovespa no dia. A controladora Cosan (CSAN3) recuou ainda mais: -6,83%, a R$ 7,64, terminando o dia como a maior queda do principal índice da bolsa brasileira.
Quando o assunto é ação, basta um fator catalisador para afetar em cheio o desempenho de um papel — para o negativo ou positivo. Contudo, no caso da Raízen, a empresa vem de uma sucessão de notícias que deixaram um sabor agridoce para os investidores.
A prévia operacional da Raízen
A primeira é prévia operacional do terceiro trimestre da safra 2024/2025 da companhia. O resultado da Raízen foi uma queda de 26,6% (cerca de 13,8 milhões de toneladas) para a moagem em relação ao mesmo trimestre da safra passada, o terceiro trimestre de 2023.
A produção de etanol, por outro lado, superou as projeções, somando 895 mil metros cúbicos — uma alta de 21,44% na comparação com a safra passada.
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Para o mercado, os números operacionais da Raízen vieram abaixo do esperado.
Vale lembrar que, no ano passado, a companhia foi uma das empresas do setor sucroenergético afetadas por incêndios que atingiram o interior do estado de São Paulo. Na ocasião das queimadas, 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar foram impactadas.
Adeus, guidance. Adeus, Costa Pinto
Além da prévia do balanço que não animou o mercado financeiro, a queda nos papéis da Raízen e da controladora hoje acontece após o anúncio da companhia na noite de sexta-feira (17) sobre a descontinuação do guidance para o ano-safra 2024/2025.
Sem dar detalhes, a Raízen disse que o abandono do guidance ocorreu em razão da “performance observada até o momento e das mudanças em curso na companhia”.
As projeções financeiras haviam sido anunciadas em maio do ano passado e traziam uma projeção de uma alta de 14% no ciclo 2024/2025 do Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), para um intervalo entre R$ 14,5 milhões e R$ 15,5 milhões.
Essas projeções foram anunciadas logo após a companhia encerrar o quarto trimestre de seu exercício de 2024 com prejuízo líquido de R$ 178 milhões, ante lucro de R$ 2,5 bilhões no mesmo período do ano-fiscal anterior. O próximo ciclo, portanto, seria a safra da “virada”.
Contudo, o guidance não foi o único a ser “abandonado” pela Raízen. Após quase dez anos em funcionamento, a produção de etanol de segunda geração (E2G) no Parque de Bioenergia da Usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP) também será interrompida.
A planta foi a primeira a ser inaugurada para a produção de etanol celulósico do grupo e, agora, de acordo com a companhia em comunicado feito a acionistas e ao mercado, passará a fazer apenas testes e “futuros desenvolvimentos” do biocombustível.
Apesar dos desafios operacionais, o Itaú BBA manteve a classificação “Outperform” para as ações da Raízen, equivalente a compra. Já o preço-alvo para 2026 é de R$ 4,50 — uma alta de 120% sobre o fechamento anterior da ação na última sexta-feira (17).
“Como resultado da menor produtividade e de uma taxa de conversão de açúcar, as vendas próprias de açúcar ficaram 15% abaixo de nossa previsão, totalizando aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, embora com preços de realização 12% maiores do que o previsto”, afirmam os analistas do Itaú BBA, Monique Martins, Bruna Amorim e Eric de Mello.
“Por outro lado, os volumes de etanol excederam nossas estimativas em 15%, embora os valores tenham sido 9% menores do que o esperado. Esses números implicaram um ajuste para baixo de 4% em nossas projeções de Ebitda para a Raízen para o trimestre”.
O Itaú BBA estima um lucro líquido de R$ 202 milhões para a Raízen no 3º trimestre de 2024/2025. O valor representa uma queda de 74% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e um aumento significativo em comparação ao prejuízo do trimestre anterior.
A companhia divulgará seus resultados do terceiro trimestre da safra 2024/2025 em 14 de fevereiro.
Na Cosan, o desinvestimento na Vale (VALE3)
Enquanto isso, a Cosan pegou o mercado de surpresa na semana passada ao vender sua participação na mineradora Vale (VALE3) por meio de um leilão em bloco na B3.
De acordo com fato relevante, foram alienadas 173.073.795 ações de emissão da Vale que estavam nas mãos da Cosan, o equivalente a uma participação do capital social votante na mineradora de cerca de 4,05%. Ao valor de hoje, o negócio envolveria R$ 9,1 bilhões.
A decisão seria uma solução rápida para o caixa da empresa. Assim como sua controlada, a Cosan também registrou um prejuízo no terceiro trimestre, mas a cifra foi bem maior: R$ 33,8 bilhões, valor 38% acima do apresentado no mesmo período do ano anterior.
O cenário macro de tendência de alta de juros (que já estão em patamares elevados) prejudica ainda mais a situação de empresas pouco líquidas, como é o caso da gigante, que reúne negócios tão díspares quanto minério, gás, energia, combustível e logística.
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