No embalo do Minha Casa Minha Vida, Cury (CURY3) tem mais um trimestre forte; ações sobem com tudo na bolsa
A construtora divulgou os resultados referentes ao segundo trimestre de 2025 na última terça-feira (5) e o mercado gostou do que viu; papéis avançaram mais de 6,5% hoje (6)

No embalo do bom momento do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a Cury (CURY3) tem tido um ano e tanto na bolsa de valores, com as ações disparando mais de 80% desde janeiro. E a divulgação dos resultados mais fortes do que o esperado referentes ao segundo trimestre de 2025 dão um gás a mais aos papéis nesta quarta-feira (6).
As ações encerraram o pregão com alta de 6,51%, negociadas a R$ 32,06. Na visão da XP, o desempenho da companhia entre abril e junho foi robusto e ligeiramente acima das expectativas da corretora. Santander, BTG Pactual e BB Investimentos também gostaram do que viram.
Cabe lembrar que a Cury foi citada na primeira prévia da carteira teórica do Ibovespa, podendo passar a fazer parte do principal índice acionário da bolsa a partir de 1° de setembro.
A construtora também anunciou um novo programa de recompra de ações, de até 10% dos papéis em circulação — cerca de 13,7 milhões de ações —, que poderão ser mantidas em tesouraria, canceladas ou usadas em planos de incentivo.
“A operação pode gerar um yield de aproximadamente 5% em execução máxima. De modo geral, acreditamos que complementa a sólida distribuição de dividendos esperada da Cury, criando um carrego atrativo para as ações durante seu potencial ciclo intenso”, diz a XP em relatório.
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Os resultados da Cury no segundo trimestre
Depois de entregar resultados fortes no front operacional — que você pode conferir nesta matéria — a Cury também veio com tudo no balanço do segundo trimestre.
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Entre abril e junho deste ano, o lucro líquido da empresa cresceu 37,5% na base anual, para R$ 236,7 milhões. A XP atribuiu o progresso à combinação de um forte crescimento da receita, expansão das margens e diluição de despesas maior do que o esperado.
Isso levou a uma margem líquida de 17,6%, o que representa uma alta de 0,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Isso significa que a empresa está conseguindo gerar mais lucro em cima do dinheiro que entra.
Já a margem bruta ficou em 39,6%, alta de 1,3 p.p. Esse indicador mostra quanto a empresa lucra com a venda de um produto subtraindo apenas o que ela pagou por ele, sem considerar outras despesas.
“Acreditamos que esse aumento reflete um cenário positivo de controle dos custos de materiais e aquisições favoráveis de terrenos, em meio ao aumento dos preços de venda graças às recentes revisões no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, o que também contribuiu para margens de backlog elevadas, de 43,4%, alta de 30 pontos-base trimestre a trimestre”, escreveram os analistas da XP em relatório.
- Backlog é o volume de pedidos ou contratos que a empresa tem em aberto para execução. As margens de backlog mostram o lucro esperado sobre essas vendas.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 55% ano a ano, para R$ 323 milhões, beneficiado por eficiência operacional e provisões para devedores duvidosos abaixo do esperado.
A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 1,346 bilhão, quase 35% a mais do que no segundo trimestre de 2024. Por trás desse crescimento está a alta de 29,3% anual nas vendas líquidas, para R$ 2,3 bilhões; o aumento dos repasses e produção robusta.
A rentabilidade, medida pelo retorno sobre patrimônio líquido (ROE), ficou em 70%, um avanço de 8,1 pontos percentuais ano a ano — algo que impressionou os analistas do BTG, da XP, do Santander e do BB.
A geração de caixa operacional da companhia foi de R$ 103,3 milhões, queda de 32% frente ao segundo trimestre de 2025. A comparação anual mostra distorções em função da alteração de regras de depósito de recursos pela Caixa Econômica Federal, que passou a ser realizado apenas após o registro em cartório dos contratos de financiamento imobiliário.
Excluindo esse efeito, a geração de caixa seria de R$ 252,9 milhões no trimestre, 66% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. Trimestre a trimestre, essa linha do balanço dobrou.
O que fazer com as ações?
As ações da Cury vêm sendo beneficiadas pelo bom momento do Minha Casa Minha Vida, que aumentou o teto da renda para financiar um imóvel pelo programa para R$ 500 mil este ano, com a inauguração da faixa 4.
A construtora é praticamente 100% exposta ao programa e atua em São Paulo e Rio de Janeiro. O Seu Dinheiro conversou com o CFO da companhia, João Carlos Mazzuco, sobre a nova fase do MCMV e a estratégia da empresa que ajuda a impulsionar os papéis, confira nesta matéria.
Para a XP, os destaques positivos dos resultados se baseiam na forte receita impulsionada por sólidos indicadores operacionais e reconhecimento do backlog, margens brutas e de backlog elevadas decorrentes de um ambiente de custos mais favorável, e alavancagem operacional positiva.
“Mantemos a Cury como nossa principal recomendação, considerando a forte combinação de crescimento do lucro por ação, geração de caixa e distribuição de dividendos no futuro”, afirmam os analistas.
O BTG reiterou a recomendação de compra. De acordo com os analistas, os papéis estão negociados a um preço atrativo, a 6,5 vezes o lucro projetado para 2026.
“Reiteramos nossa recomendação de compra para Cury, sustentada por um ambiente favorável para habitação de baixa renda, forte momento de resultados e uma avaliação atrativa”, diz o banco.
Na mesma linha, BB Investimentos e Santander também reiteraram a recomendação de compra para a construtora.
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