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UBERIZAÇÃO

Número de trabalhadores por aplicativo cresce 170% no Brasil em 10 anos, diz BC; mas condições de trabalho não são das melhores…

Pesquisa do BC revela que taxa de desemprego no país aumentaria entre 0,6 e 1,2 ponto percentual sem os aplicativos

Entregadores da 99 Food, delivery da 99 no Brasil.
Entregadores da 99 Food, delivery da 99 no Brasil. - Imagem: Divulgação

Em 2014, o Brasil foi sede da Copa do Mundo de futebol, evento que atraiu vários turistas ao país. Mas não foram só estrangeiros que desembarcaram por aqui. Junto a eles, veio o aplicativo Uber, que se tornou uma nova opção de trabalho para os brasileiros.

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De lá para cá, o número de motoristas cadastrados no Uber e trabalhadores de aplicativos no geral não parou de crescer no Brasil. Mais especificamente, a quantidade de profissionais desse tipo aumentou 170% desde 2015, segundo o Banco Central (BC), passando de 770 mil para 2,1 milhões.

Nesse mesmo intervalo, a taxa de pessoas ocupadas no país cresceu quase 10%.

Para chegar a esse número, o BC fez um levantamento sobre o impacto dos aplicativos no mercado de trabalho e na economia.

A instituição concluiu que “o crescimento da quantidade de trabalhadores por aplicativos resultou em elevação do nível de ocupação e da taxa de participação, além de uma redução da taxa de desocupação”.

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Embora ajudem a diminuir os índices de desemprego, os motoristas e entregadores de aplicativos sofrem com condições ruins de trabalho e baixa remuneração.

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Em outro universo…

Caso não existissem esses tipos de ocupações em aplicativos, a taxa de desemprego no país aumentaria entre 0,6 e 1,2 ponto percentual, de acordo com a pesquisa.

Hoje, a taxa de desemprego é 4,3% no Brasil. Sem a opção de ser motorista ou entregador de aplicativos, ela poderia chegar ao patamar de 5,5%.

O BC estima também que a maioria das pessoas que realizam essas funções estava fora do mercado de trabalho antes de começar a dirigir para as plataformas. Ou seja, os aplicativos não as tiram das demais empregos.

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Tem um grande “mas” 

Os trabalhadores desse segmento são vítimas de exploração, salário baixo e falta de direitos básicos, de acordo com um relatório do Fairwork Brasil. Esse projeto pesquisa condições de trabalho em aplicativos em parceria com a Universidade de Oxford.

Somente duas das dez empresas pesquisadas pelo projeto conseguiram cumprir os critérios que definem um trabalho justo — remuneração, condições, contratos, gestão e representação.

As empresas pesquisadas foram Uber, Rappi, Parafuzo, Loggi, Lalamove, iFood, Ame Flash, 99, Superprof e InDrive. As únicas que pontuaram foram a Superprof e a InDrive, que pagam ao menos um salário mínimo por hora, com custos já descontados.

A remuneração, além de baixa, vem diminuindo. Entre 2012 e 2015, existiam cerca de 400 mil motoristas autônomos no setor de transporte. O rendimento médio na época era de quase R$ 3,1 mil. Em 2022, quando o total de ocupados se aproximava de 1 milhão, o rendimento médio era menor que R$ 2,4 mil.

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O dinheiro quase não vai para a economia

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta ainda que o trabalho por aplicativos resultou em jornadas de trabalho mais longas e menor contribuição previdenciária.

O percentual de motoristas que contribuem com a previdência saiu de 47,8% contribuintes, em 2015, para 24,8%, em 2022.

A participação dos trabalhadores de aplicativos de transportes é relativamente pequena na economia no geral, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). 

O marcador mostra que passou de 0,8% para 2,1% da população ocupada, entre 2015 e 2025, e de 0,5% para 1,2% da população em idade de trabalhar no mesmo período.

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Já a inflação do segmento de transporte por aplicativo foi de 0,3% em agosto deste ano. Para comparação, a inflação de passagem aérea foi 0,6%. A taxa é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As corridas e entregas passaram a fazer parte do indicador em 2020.

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