Ibovespa imparável: até onde vai o rali da bolsa brasileira?
No acumulado de 2025, o índice avança quase 30% em moeda local — e cerca de 50% em dólar. Esse desempenho é sustentado por três pilares centrais

No Brasil, o Ibovespa iniciou a semana mantendo um ritmo histórico: já são 14 pregões consecutivos de alta e 11 recordes seguidos, com o índice superando, pela primeira vez, a marca dos 155 mil pontos na segunda-feira (10).
No acumulado de 2025, o índice avança quase 30% em moeda local — e cerca de 50% em dólar — acompanhando a forte performance dos mercados emergentes desde o início do ano.
Esse desempenho é sustentado por três pilares centrais. O primeiro é o enfraquecimento do dólar no cenário global, especialmente após as novas tarifas anunciadas pelo governo americano. O segundo é a rotação internacional de portfólios, com realocação de recursos dos EUA para outras regiões, incluindo emergentes.
E o terceiro, talvez o mais relevante, é o início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, que reduz o custo de capital, melhora o valor presente dos fluxos de caixa, alivia o serviço da dívida corporativa e abre espaço para que outros países também flexibilizem suas políticas monetárias — inclusive o Brasil.
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Cenário doméstico no jogo: um novo impulso para o Ibovespa
No curto prazo, porém, alguns fatores domésticos têm ganhado protagonismo. A temporada de resultados segue positiva, com empresas listadas mostrando boa geração de caixa, margens resilientes e ganho de mercado.
Além disso, a perspectiva de queda da Selic permanece no radar, ainda que o início do ciclo tenha sido adiado pelo tom mais duro adotado pelo Banco Central (BC) na última reunião.
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Na semana passada, o BC manteve a taxa estável e reforçou seu compromisso com o controle da inflação, o que ajudou a ancorar o câmbio e preservar o diferencial de juros frente ao exterior. Com isso, as apostas de corte em janeiro perderam força, e março passou a ser o cenário-base do mercado.
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, será decisiva para calibrar expectativas.
Na sequência, os dados de vendas no varejo e volume de serviços também entrarão no radar, ajudando a medir o ritmo da atividade econômica e a confirmação — ou não — da desaceleração que pode abrir espaço para a flexibilização monetária.
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Eleições no radar
No campo político, pesquisas recentes indicaram nova queda na popularidade do governo federal, ao mesmo tempo em que levantamentos em comunidades diretamente afetadas pela operação policial no Rio de Janeiro mostraram forte aprovação à ação.
A percepção pública sobre segurança — especialmente entre eleitores de centro e direita — reforçou um ambiente mais favorável à oposição. Com isso, segurança pública tende a se consolidar como um dos principais temas das eleições de 2026.
Esse novo cenário fortalece nomes do campo oposicionista, com destaque para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, hoje visto como o protagonista mais provável da centro-direita.
Para o mercado, esse movimento elevou a probabilidade de alternância de poder, algo que costuma favorecer agendas fiscais e reformistas no debate presidencial.
Como muitas casas ainda estavam pouco alocadas em Brasil, essa combinação política ajudou a atrair fluxo comprador adicional.
Até onde vai o rali do Ibovespa?
Vale lembrar que o ciclo de cortes de juros, quando começar, deve ser gradual e condicionado à questão fiscal. A segunda fase da flexibilização monetária só virá quando houver previsibilidade sobre o rumo das contas públicas — inevitavelmente, o país precisará de uma reforma estrutural em 2027.
Nesse contexto, ainda existe espaço para continuidade da alta. Embora o Ibovespa tenha renovado máximas nominais, o índice segue atrativo em dólares, mesmo quando ajustado pela inflação e pelos múltiplos.
Se o cenário externo continuar colaborando — cortes de juros nos EUA sem recessão — e o Brasil entrar em seu próprio ciclo de flexibilização em 2026, ainda que limitado, os fundamentos corporativos sustentam a tese de valorização.
Soma-se a isso o rali eleitoral e um posicionamento extremamente leve, tanto de investidores estrangeiros quanto locais, quando comparado ao histórico.
Tudo isso pode garantir fôlego para novos avanços. Claro, movimentos de correção são normais — e até saudáveis — especialmente após quase duas semanas de altas consecutivas.
Mas, olhando para o conjunto da obra, o caráter estrutural desta recuperação, após a correção do final do ano passado, indica que o rali ainda tem boas chances de seguir com a gente.
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