Dólar nas mínimas do dia: o dado de emprego dos EUA que derrubou a moeda norte-americana aqui e lá fora
As bolsas tanto aqui como lá fora reagiram pouco ao payroll, que trouxe dados mistos sobre a saúde do mercado de trabalho norte-americano em janeiro; saibam como ficam os juros na maior economia do mundo após esses relatórios

Não vim para explicar, vim para confundir. A frase eternizada por um dos maiores apresentadores da televisão brasileira traduz o payroll de janeiro. O principal relatório de emprego dos EUA, divulgado nesta sexta-feira (7), trouxe dados mistos, pouco mexeu com as bolsas aqui e lá fora, mas derruba o dólar.
A economia norte-americana criou 143.000 empregos no primeiro mês do ano, mas a taxa de desemprego caiu de 4,1% para 4%, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics.
O crescimento de empregos em janeiro ficou significativamente abaixo dos 307.000 revisados para cima de dezembro e não atingiu o consenso da Dow Jones de 169.000 para o mês.
O relatório fez atualizações significativas no total de 2024. As revisões, que o BLS faz a cada ano, reduziram a contagem de vagas em 589.000 — um ajuste preliminar em agosto de 2024 indicou 818.000 postos de trabalho a menos nos EUA.
O payroll pouco mexeu com os futuros em Wall Street, cujos principais índices de ações seguiram operando perto da estabilidade. Na abertura, o Dow Jones avançava 0,21%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq tinha alta de 0,22% e 0,09%, respectivamente.
Por aqui, o Ibovespa seguiu operando em leve alta após o relatório de emprego dos EUA, mais concentrado na repercussão dos resultados financeiros de empresas brasileiras no quarto trimestre. Por volta de 11h55, o principal índice da bolsa brasileira caía 0,40%, aos 125.753,13 pontos.
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No mercado de câmbio, no entanto, a história é outra. No exterior, o dólar perdeu força ante o iene, mas ganhou fôlego ante moedas fortes europeias, como euro e libra. O índice DXY subia 0,16%, a 107,873 pontos.
Na comparação com o real, o dólar seguiu operando em queda, chegando a renovar mínima intradia, ao R$ 5,7390. Por volta de 11h55, a moeda norte-americana operava em queda por aqui, cotada a R$ 5,7500.
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Como ficam os juros depois do payroll
Depois de manter a taxa de juros na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano na reunião de janeiro — a primeira do ano e com Donald Trump na Casa Branca — o comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) volta a se reunir nos dias 18 e 19 de março.
A tendência, pelo menos para os traders, é de que a taxa referencial seja mantida, mais uma vez, no patamar atual.
Depois do payroll de janeiro, a curva futura manteve o mês de junho como a chance majoritária de corte de juros, conforme indica a ferramenta FedWatch do CME Group.
Por volta de 11h30, a probabilidade de a taxa básica estar abaixo do nível atual ( em junho era de 57% — sendo 44,5% de chance de corte de 25 pontos-base (pb) e 12,2% de corte de 50 pb.
Para a próxima reunião, marcada para março, a chance de manutenção saltou de 85,5% antes do payroll para 91,5%, enquanto as de redução de 25 pb caíram de 14,5% para 8,5%.
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EUA: a opinião de quem entende
Embora o payroll de janeiro tenha trazido dados mistos, Thomas Feltmate, diretor e economista sênior da TD Economics, diz que o relatório sugere que as coisas ainda estão um pouco mais quentes do que o esperado anteriormente.
Ele chama atenção para a taxa de desemprego, que caiu para o menor nível em oito meses, enquanto o crescimento salarial mostrou mais poder de permanência.
“Com o progresso da inflação estagnado nos últimos meses e as incertezas sobre até onde a nova administração irá com as tarifas, o Fed provavelmente permanecerá mais cauteloso em cortar os juros e manterá a taxa estável até algum momento neste verão [que começa em junho]”, afirma Feltmate.
André Valério, economista-sênior do Inter, tem a mesma visão.
“Em termos de política monetária, é um resultado que não altera as expectativas desde a última reunião, com a incerteza sobre a implementação das tarifas por parte de Trump dominando o cenário. Assim, caminhamos para uma nova pausa por parte do Fed na reunião de março, mas ainda com espaço para dois cortes ao longo do ano”, afirma.
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