Os novos ruídos fiscais, os planos de Lula para a economia e o empurrãozinho da Oi (OIBR3); confira os destaques do dia
Enquanto o presidente Jair Bolsonaro entrava em cena para anunciar a proposta de zerar impostos sobre os combustíveis, as lideranças do Congresso e o ministro Paulo Guedes serviam como fiéis assistentes de palco

Pelo menos por um dia, a segunda-feira (06) teve cara de uma tarde de domingo dos anos 90 em Brasília — e hoje (07) só se falava nisso.
Enquanto o presidente Jair Bolsonaro entrava em cena, as lideranças do Congresso e o ministro Paulo Guedes serviam como fiéis assistentes de palco.
Encurralados em uma cabine, sem contrapartidas ou detalhes dos planos do apresentador, os governadores dos 27 Estados da Federação se veem obrigados a responder uma pergunta que pode colocar tudo a perder.
“Você troca o certo pelo duvidoso? Sim ou não?”, pergunta o presidente. Até agora a resposta tem sido o silêncio, mas a plateia assiste preocupada à gincana de poder.
Seja lá qual for a saída para a tentativa do governo federal de reduzir o preço dos combustíveis por meio de subsídios, o mais provável é que não exista vencedor nesse jogo.
Para Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, os Estados devem ser relutantes em trocar o certo pelo duvidoso e, ainda que aceitem a proposta do governo, a medida está longe de resolver os problemas inflacionários dos combustíveis.
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Isso porque existe uma defasagem de cerca de 40% entre o preço do petróleo no mercado internacional e os reajustes promovidos pela Petrobras — o que significa que mesmo que algum governador aceite reduzir a alíquota ao mínimo possível, ainda há um potencial de alta de 10%.
O fato da medida ser ineficiente é preocupante, principalmente por comprometer ainda mais a saúde das contas públicas.
Na análise de Argenta, a alta da arrecadação observada nos últimos meses se apoia na inflação mais elevada e no Estado, que abriu mão dessa receita para fins políticos — com um método de compensação questionável, pode trazer problemas ainda maiores para o presidente Jair Bolsonaro caso ele seja reeleito.
No momento, boa parte do mercado acha que esse é um blefe para tirar a atenção das mudanças realizadas na Petrobras (PETR4) e tentar ganhar simpatia do eleitorado, mas caso as pesquisas de opinião não reajam, o risco de o governo insistir na proposta traz preocupação.
Assim, o mercado de juros e o dólar operaram em forte alta nesta sessão, refletindo os temores renovados com o quadro fiscal brasileiro. A moeda americana fechou o dia com avanço de 1,64%, a R$ 4,8742.
Contrariando o movimento visto no exterior, o Ibovespa recuou 0,11%, aos 110.069 pontos. A queda foi amparada pelo bom desempenho do setor de commodities.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta terça-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
[captacao]
É HORA DE COMPRAR
XP (XPBR31), PagSeguro (PAGS34), Stone (STOC31) ou B3 (B3SA3)? Saiba qual a ação preferida do UBS no setor — e por quê. Todas elas sentem os efeitos das altas taxas de juros no Brasil — o que deve aumentar a inércia entre os investidores tradicionais de varejo —, mas uma se sobressai entre as demais.
CRÉDITO APROVADO
Boa Vista (BOAS3) tem potencial de subir 58% neste ano, diz JP Morgan; recomendação é de compra. O preço-alvo foi cortado de R$ 10 para R$ 9; a revisão ocorre após divulgação do resultado do primeiro trimestre, que trouxe números sólidos apesar dos desafios macroeconômicos.
EXPANSÃO DE NEGÓCIOS
Wiz (WIZS3) anuncia criação de joint venture com a Polishop; operação deve movimentar até R$ 51 milhões. Com a parceria, a WIZS3 quer ampliar a oferta de seguros pelos canais de comunicação da varejista; a companhia já firmou outros dois acordos para a expansão dos negócios neste ano.
DE GIGANTE PARA GIGANTE
Compra dos ativos da Oi (OIBR3) dá uma forcinha extra para os negócios da Telefônica Brasil (VIVT3). A análise é da agência de classificação de risco Fitch Ratings, que manteve a classificação de risco da dona da Vivo em ‘AAA(bra)’, a mais alta na escala de risco de crédito.
BEM À ESQUERDA
Diretrizes de Lula para a economia preveem revogação do teto de gastos, da reforma trabalhista e oposição às privatizações, inclusive da Eletrobras. Texto também sugere possível interferência na política de preços da Petrobras e fim da paridade com as cotações internacionais do petróleo.
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