“Somos liberais, mas não somos trouxas”, diz Paulo Guedes
Em live organizada pela entidade Parlatório, o ministro da Economia ativou o "modo verde" e defendeu avanço das reformas estruturais

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste domingo, 21, que foi preciso chegar uma pandemia com impactos severos sobre a economia para que houvesse atenção com o destino dos recursos públicos. Durante live realizada pelo Parlatório, organização sem fins lucrativos, ele também comentou que a covid-19 é uma "guerra biológica".
"Foi preciso chegar uma guerra no Brasil para aprendermos que a essência da política é alocar recursos", afirmou. No início da apresentação, Guedes rememorou os primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro e disse que a determinação da equipe econômica sempre foi controlar os gastos. Lembrou que a reforma previdenciária foi aprovada no primeiro ano do mandato e que houve a execução do teto de crescimento dos gastos.
O ministro afirmou, porém, que o piso continuou a subir, dificultando a manobra do orçamento. "Levou uma pandemia para aprendermos a controlar o orçamento", disse. Segundo ele, no ano passado não faltou dinheiro para Saúde, mas que foi preciso fazer desvinculações orçamentárias.
Guedes afirmou ainda que a política deu boa resposta à pandemia e o governo conseguiu fazer seu contra ataque. Ele disse que, inicialmente, apresentou auxílio emergencial no valor de R$ 200, acreditando que o Congresso aumentasse o valor para R$ 400. "Mas chegaram a R$ 600. Evidente que se fossem aqueles R$ 400, poderia durar muito mais tempo", afirmou.
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Mesmo assim, Guedes disse que a equipe econômica o tempo todo manteve "o Norte, a bússola". Sobre as reformas futuras, disse que a política dá o timing das mudanças.
Green Guedes
"A conversa não está boa. Estão nos julgando equivocadamente e não estamos sabendo colocar (o debate ambiental) no ângulo correto", disse.
Ele afirmou que o governo Bolsonaro colheu frutos de um tom errado no debate ambiental. "Entramos com um tom que foi ruim para nós, isso se somou à própria divulgação de quem perdeu as eleições aqui dentro", afirmou.
"Não dá para vender a ideia de que militares estão entrando e queimando a floresta", disse. "O Brasil está doente não só fisicamente, mas de alma por paixões políticas, perdendo a razoabilidade".
Estrategista
Guedes disse que a pandemia atropelou a estratégia da equipe econômica, que estava debruçada nos gastos públicos e em uma agenda de reformas. "Agora, temos de voltar às reformas, onde estávamos antes da pandemia", disse.
Segundo ele, "as coisas estavam começando a melhorar", com o Brasil voltando em 'V' do choque pandêmico, quando foi acometido pela segunda onda de maneira severa. O ministro afirmou, porém, que o País não vai "esmorecer".
Ao falar sobre o custo Brasil, respondendo a uma pergunta do empresário Jorge Gerdau, afirmou que o governo não vai entregar a indústria brasileira no meio de uma crise - e citou a redução de custos logísticos com a queda da tarifa de importação. "Somos liberais, mas não somos trouxas", disse.
Participam do encontro virtual o ex-Secretário Nacional de Segurança Pública e ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, General Santos Cruz, o médico Raul Cutait, a jurista Ellen Gracie, os empresários Abilio Diniz, Luiza Trajano, Jorge Gerdau, Flavio Rocha, o ex-ministro da Fazenda e atual diretor do Banco Safra, Joaquim Levy, além do também ex-ministro Luiz Furlan.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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