Elon Musk, bitcoin e as verdades no mundo dos investimentos
Basta que exista uma quantidade suficiente de pessoas ricas acreditando em uma ideia para ela se torne uma verdade; mercado financeiro têm agora dois casos emblemáticos

Desde o último seleção Empiricus, fiquei refletindo sobre como é preponderante o capital financeiro abundante para todas as teses “fora da caixinha” serem bem-sucedidas.
Uma mostra disso é que o homem mais rico do mundo atualmente é Elon Musk, cujas empresas (Tesla e SpaceX) não são lucrativas e talvez demorem a ser.
No entanto, os trilhões de dólares em capital disponível pouco ligam para isso se a visão do guru/ídolo estiver alinhada a algum futuro utópico que nos aponte para uma sociedade melhor.
Um carro autônomo capaz de transportar o seu dono para qualquer lugar e depois poder ir trabalhar sozinho, integrando-se à malha de automóveis de algum aplicativo, é parte desse futuro.
Um veículo sem motorista capaz de zerar os acidentes graves e fatais em vias públicas também é.
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Assim como satélites capazes de cobrir o planeta inteiro com internet de alta velocidade e de graça.
Quanto mais rica e sem precificação for uma narrativa, mais fácil de ser bancada pelo capital abundante no mundo.
Se quiser mostrar algum fundamento na visão de longo de prazo, que não seja lucro ou receitas previsíveis.
Não mesmo.
Não se começa a sonhar estabelecendo fronteiras para um sonho, pois ele deveria ser livre; deixe o caminho mostrar para onde ir.
No entanto, tudo isso não é uma crítica, pois as grandes realizações humanas vieram de devaneios coletivos, ou melhor, de realidades intersubjetivas que só existem em nossas cabeças.
Linguagem, religião e dinheiro são aquelas mais difíceis de admitirmos como realidades intersubjetivas, até porque foram elas que nos ajudaram a nos organizar minimamente como sociedade e, de alguma forma, parecem intrínsecas a nossa própria vida.
A linguagem nos ajudou a transmitir cultura entre gerações, consolidar conhecimento e registrá-lo ao longo da história para que os novos indivíduos não iniciassem suas jornadas do zero.
A religião nos auxiliou na formação de grupos capazes de se articular em prol de algo maior que nós mesmos, seguindo uma série de dogmas e rituais.
O dinheiro permitiu que falássemos uma mesma língua na hora de realizar trocas comerciais e que, assim, fosse possível destravar o modelo limitado que o escambo impunha.
Na atualidade, o que está nos ajudando a evoluir é a crença em nossos empreendedores “rockstars”, que são capazes de coisas inimagináveis e ainda sem precificação.
O mais badalado agora se chama Elon Musk, com seus carros autônomos, foguetes que irão nos levar para Marte e integrações com computadores diretamente em nossos cérebros.
Pode não parecer, mas a visão dos investidores de que Musk pode conseguir tudo isso é uma realidade intersubjetiva compartilhada muito parecida com linguagem, religião e dinheiro.
Isso quer dizer que, dependendo da quantidade de crentes e da propagação do racional, a sociedade inteira pode assumir como verdade.
Outra realidade dessa que aos poucos começa a se alastrar é a do bitcoin como ouro digital. Basta que exista uma quantidade suficiente de pessoas ricas acreditando na ideia para que seja um caminho sem volta.
Felizmente, uma parcela mais rica da população mundial tem abraçado essa tese, e outra parte, ainda maior, espera para alocar nessa classe de ativos.
Pessoalmente, tenho a visão de que é uma questão de tempo até isso acontecer, pelo seguinte: em um mundo cada vez mais digital, um ativo que seja comprovadamente escasso, de código aberto, volátil, com grande potencial de retorno, transparente e verificável é quase como “o Santo Graal dos millennials”.
Apostar no crescimento desse mercado é quase como apostar no caminho natural da humanidade, no qual, até 2030, cerca de US$ 15,4 trilhões passarão das mãos da geração X para os millennials.
A união disso ao fato de que 44% dessa geração, que irá receber trilhões de dólares em riqueza, acredita que criptomoedas vão ser largamente aceitas no futuro coloca cripto como uma das classes potenciais para entregar grandes retornos na próxima década.
Consequentemente, não ter cripto em seu portfólio é quase como ir contra uma correnteza óbvia.
Para entender do que se trata essa revolução do dinheiro, sugiro que assista à série de quatro vídeos preparados pelo Jojo Wachsmann, CIO da Vitreo.
O primeiro vídeo foi ao ar hoje e explica por que você não deve ignorar essa classe de ativos que completou uma década recentemente.
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