‘Queremos ações mais concretas do Brasil’, diz executivo do grupo Nordea
Com ativos de 550 bilhões de euros, um dos 10 maiores da Europa, grupo parou de comprar ativos do governo brasileiro em 2019 por causa do aumento das queimadas na Amazônia.

O grupo financeiro Nordea, com ativos de 550 bilhões de euros, um dos 10 maiores da Europa, parou de comprar ativos do governo brasileiro em 2019 por causa do aumento das queimadas na Amazônia.
Desde então, colocou a carteira de títulos soberanos do Brasil, ao redor de 100 milhões de euros, em uma espécie de "quarentena". Ainda não há planos de voltar a comprar os papéis e, no limite, o banco pode até se desfazer dos ativos atuais, caso não haja melhora da política do presidente Jair Bolsonaro para o meio ambiente.
"Queremos ver ações mais concretas daqui para a frente", afirmou em entrevista ao Broadcast/Estadão Eric Pedersen, executivo responsável pela área de melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) do grupo, que tem sede em Helsinque, na Finlândia.
O presidente Jair Bolsonaro está tomando medidas para o meio ambiente em resposta às críticas de investidores internacionais. O governo anunciou que vai proibir queimadas na Amazônia por quatro meses. O que você acha dessa medida? O governo pode fazer mais?
O anúncio da proibição de queimadas é um bom início, mas é apenas um começo, sobretudo porque tem um tempo limitado. Esperamos ver mais ações e planos concretos daqui para a frente.
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A área de gestão de recursos do Nordea parou de comprar títulos soberanos do governo brasileiro em 2019 e os colocou em um espécie de “quarentena”. Como está a situação dessa carteira?
A decisão de não mais colocar ativos soberanos do governo brasileiro em nossa carteira ainda está mantida. Foi uma decisão baseada em risco, tomada por conta do risco mais amplo, devido ao desmatamento, e ao risco específico de deterioração dos ratings de crédito de médio e longo prazo, causado pelos efeitos que as queimadas estão tendo na probabilidade de aprovação do acordo pendente entre a União Europeia e o Mercosul.
Se a questão ambiental não melhorar no Brasil, há o risco desta carteira de títulos soberanos do País ser desfeita?
Não existe este plano, mas nossas decisões de investimento são baseadas em risco, incluindo o risco de sustentabilidade pelos critérios ESG. E se virmos que estes riscos podem crescer, haverá um ponto em que um investimento se torna menos atrativo do que outras alternativas disponíveis.
O tema ESG no mercado de investimento ainda é novo Brasil, está apenas começando a ganhar impulso. Como está na Europa? Você acha que essa questão vai ganhar ainda mais força no mercado internacional de investimentos?
Na verdade, isso já está acontecendo. Nos últimos 18 meses houve uma aceleração muito significativa na demanda mundial por investimentos baseados nos critérios ESG. E este movimento deve crescer ainda mais, na medida em que a regulação de finanças sustentáveis da União Europeia, em regras similares em outros lugares, ganham força.
A pandemia do coronavírus mudou algo no mundo de investimentos sustentáveis?
O interessante é que a pandemia da covid-19 apenas reforçou esta tendência, de busca por investimentos com critérios ESG, na medida em que a vulnerabilidade das empresas e das economias a todo o espectro de riscos ESG se tornou ainda mais clara aos participantes do mercado financeiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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