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crise em debate

Na China, preço do minério de ferro dispara 24%

Negociadores temem que a situação da pandemia por aqui provoque interrupções na cadeia de fornecimento do material

Terminal da Vale
Terminal da Vale - Imagem: Reprodução/Vale

O aumento no número de casos da covid-19 no Brasil é um fator de preocupação para a economia brasileira, mas também acende sinal de alerta do outro lado do mundo, destaca o Estadão.

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Na China, principal parceiro comercial do País, os preços do minério de ferro dispararam 24% nos últimos 30 dias com os negociadores temendo que a situação da pandemia por aqui provoque interrupções na cadeia de fornecimento do material - o que atrapalharia ou, no mínimo, tornaria mais cara a retomada da segunda maior economia do mundo, primeira a entrar e a sair da crise causada pelo novo coronavírus.

O Brasil não é o principal fornecedor de minério à China: esse posto é da Austrália, que vende aos chineses 63% do minério que eles consomem. Entretanto, a australiana Rio Tinto compete de perto com a brasileira Vale no mercado mundial. A Rio Tinto espera produzir de 324 milhões a 334 milhões de toneladas de finos de minério em 2020; a brasileira Vale, entre 310 milhões e 330 milhões de toneladas.

O mercado para ambas tem se aquecido à medida que a China retoma suas atividades no pós-covid e, em maio, a tonelada do minério no porto chinês de Qingdao ficou consistentemente acima dos US$ 90. Na sexta-feira, deu um salto de 5% e chegou a US$ 102.

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"O grande ponto tem sido o Brasil se tornar um epicentro da doença e as operações da Vale serem paralisadas", diz, sob condição de anonimato, o analista de um grande banco de investimento.

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Ao peso da Vale na cadeia mundial de minério de ferro se soma, no curto prazo, um fator sazonal que já havia reduzido, até março, os embarques para a China.

O primeiro trimestre, que em geral tem produção menor no Brasil por conta das chuvas, foi ainda mais prejudicado pela pluviometria em 2020. O fator, que já havia aparecido nos balanços de Vale, CSN e Usiminas, foi confirmado pela divulgação do Produto Interno Bruto pelo IBGE na Sexta-feira.

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A indústria extrativa no País cresceu 4,8% em um ano, mas a alta foi puxada pelo setor de petróleo e gás, que compensou a queda na mineração. A produção da mineradora no primeiro trimestre já havia dado uma pista do resultado. De janeiro a março, a Vale extraiu 18,2% menos minério em suas minas que no mesmo período de 2019, marcado pela tragédia de Brumadinho (MG).

Concorrência. Na semana passada, a China criou barreiras alfandegárias adicionais ao minério de ferro australiano, o que despertou, no país da Oceania, temores de que o produto brasileiro seja liberado muito mais rápido nos portos chineses.

Adicionalmente, as críticas da Austrália à maneira como Pequim lidou com a covid-19 têm levado tensão à relação entre os dois países. Mas, em eventual cenário de problemas na mineração brasileira, os chineses dificilmente teriam para onde correr.

"A China não deve impor novas restrições à Austrália porque não conseguiria comprar minério de outra região", diz Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA. Ou seja: problemas no Brasil podem abrir mais espaço para o minério australiano no mercado chinês.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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