Ibovespa acompanha Wall Street e firma-se em queda com aversão ao risco; dólar sobe
Os mercados reagem negativamente ao boletim médico de Trump e ao payroll fraco, com as bolsas americanas recuando e as principais praças europeias no vermelho

A julgar pelas primeiras horas do pregão desta sexta-feira, o dia promete ser de grandes emoções no mercado financeiro.
O anúncio de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, testou positivo para o novo coronavírus amplia a percepção de risco nos mercados.
Com a proximidade das eleições presidenciais norte-americanas, a notícia também lança uma nova onda de incerteza sobre o cenário político do país.
No Brasil, o Ibovespa apresenta intensa volatilidade, acompanhando em grande medida a queda da bolsa de valores Nova York, onde o índice Dow Jones recuava 0,13%, o S&P 500 cai 0,64% e o Nasdaq opera em queda de 1,97%.
Depois de operar parte da manhã no campo positivo, o principal índice da bolsa brasileira recuava 1,12% por volta das 15h55, aos 94.410 pontos. No mesmo horário, o dólar apresentava alta de 0,02%, a R$ 5,6554.
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Entre os componentes do Ibovespa, as empresas do setor bancário se destacam hoje depois de o Banco Central ter prorrogado até abril de 2021 a vigência da alíquota temporária de 17% dos compulsórios sobre recursos a prazo.
Já as ações da Petrobras puxam a bolsa para baixo acompanhando o recuo do barril do brent nos mercados internacionais de petróleo.
Payroll reforça mau humor entre investidores
Ainda nos Estados Unidos, outra notícia a contribuir para o mau humor entre os investidores foi a divulgação, pelo Departamento do Trabalho dos EUA, dos dados do relatório de emprego do país, o payroll.
O resultado veio muito aquém das expectativas dos analistas. Foram criadas 661 mil novos postos de trabalho em setembro, enquanto as projeções indicavam a abertura de pelo menos 800 mil novas vagas.
Depois do payroll mais fraco do que o esperado, a divulgação de dados de encomenda à indústria dos EUA e da confiança do consumidor norte-americano injetaram um pouco de ânimo nos mercados.
Além da preocupação com o ajuste fiscal e com o clima político em Brasília, que seguem no radar, os agentes financeiros locais possuem dados domésticos para repercutir.
Na manhã de hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial subiu 3,2% em agosto ante julho. Apesar de ter sido a quarta alta mensal seguida, o resultado veio abaixo do esperado pelos analistas.
Trump testa positivo para covid-19
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou o Twitter para anunciar que tanto ele quanto a primeira-dama testaram positivo para o coronavírus.
"Esta noite, Melania e eu testamos positivo para covid-19. Vamos iniciar nossa quarentena e processo de recuperação imediatamente. Vamos superar isto juntos"
Na Ásia, parte do mercado não funcionou em razão de um feriado na região. A Bolsa de Tóquio, no entanto, reagiu negativamente e fechou em queda durante a madrugada.
Faltando apenas um mês para as eleições presidenciais norte-americanas, o teste positivo de Trump para covid-19 inspira diversas incertezas.
No momento, analistas ainda avaliam se a notícia pode mudar o curso da corrida eleitoral, uma vez que o candidato à reeleição terá de permanecer isolado restando pouco mais de um mês para a votação. Além disso, a idade e o sobrepeso enquadram Trump dentro do grupo de risco.
A atenção dos investidores também se volta para o adversário de Trump, o candidato democrata e ex-vice-presidente Joe Biden. Os dois estiveram no decorrer desta semana para a primeira rodada de debates com vistas às eleições de novembro.
Na avaliação de Nannette Hechler-Fayd’herbe, diretora de investimento do banco Credit Suisse, o teste positivo de Trump tende a servir como um sinal de alerta para os agentes dos mercados financeiros com relação ao persistente avanço da pandemia.
"Se aconteceu com o presidente, pode acontecer com qualquer um, com todo o potencial disruptivo que isso pode ter sobre a atividade econômica", alertou ela.
Além disso, prossegue Nannette Hechler-Fayd’herbe, a notícia tende a colocar em evidência a forma como o presidente norte-americano lidou com a pandemia.
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