A Previdência de cada um
Para minha sorte, nunca fui muito seduzido por essa ideia de ficar sem nada para fazer, muito menos ver novelas da Globo ou jogar dominó com os outros velhinhos.

No final do primeiro semestre deste ano, ou no início do segundo, deverá ser votada, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a PEC da Previdência. Para que seja aprovada, serão necessários três quintos dos votos de deputados e senadores, mais precisamente 308 e 41 votos.
Durante os próximos meses, a não ser que aconteça algum imprevisto, o mercado financeiro ficará antenado nos trâmites da PEC nas duas casas do Congresso. Ah, antes que me esqueça, haverá dois mata-matas em cada plenário.
Como qualquer pessoa que pense pragmaticamente, torcerei para que a alteração constitucional se materialize. Caso contrário, o Brasil quebra. O caixa do Tesouro não aguenta o déficit previdenciário.
Para minha pessoa, Ivan Sant’Anna, assim como a de minha mulher, a reforma da Previdência é uma covardia. Estamos casados há 40 anos e sempre acreditávamos que o primeiro que morresse herdaria a pensão do outro, como acontece nos termos da legislação atual.
Vamos aos números. Fica mais fácil explicar.
Ganho do INSS aproximadamente quatro mil reais por mês. Ela, cinco mil. Com o fator previdenciário, quase sempre essa aposentadoria é reajustada anualmente um pouco abaixo da inflação. O mesmo não acontece com o plano de saúde, que trabalha com a lógica fria dos negócios: “quanto mais velho, mais consultas, exames, procedimentos, etc.”
Leia Também
Suponhamos que eu morra em 2025, com 85 anos de idade, por sinal um desfecho que me satisfaz plenamente.
Como as mulheres têm expectativa de vida sete anos maior que a dos homens, e minha cara-metade é nove anos mais moça que eu, atuarialmente ela viverá até 2041, sendo os últimos 16 anos recebendo apenas sua própria aposentadoria, que mal dá para pagar o condomínio e o seguro médico. Além, é claro do que deixarei para ela, já que nossas contas são conjuntas.
Felizmente, jamais deixei de poupar. São raríssimos os meses nos quais tenho déficit. Só quando viajo para o exterior.
Espero que a madame aqui não cometa a asneira de viver até os 100, 105 anos.
Cláusulas pétreas
Pois bem, o atual projeto de reforma da Previdência não é o dos meus sonhos. Gostaria que a Constituição fosse atropelada na marra e, com ela, extintos os absurdos adquiridos pelas chamadas cláusulas pétreas.
Há uma dentista aqui do Rio de Janeiro que recebeu mensalmente dos cofres do Judiciário (ou seja, dos nossos bolsos), durante anos, o equivalente hoje a 43 mil reais. Seu benefício já foi cassado, reposto, cassado novamente e a doutora não se manca. Está sempre recorrendo em busca dos seus “direitos”.
Explicação: ela é filha solteira (não se casou no papel; uniu-se no religioso e teve dois filhos) de um desembargador que morreu em 1982.
E quanto aos militares, policiais, bombeiros…? Eles alegam que não têm hora certa de trabalho, que às vezes varam dia e noite. Agora mesmo, a gente viu em Brumadinho os socorristas rastejando na lama após o rompimento da barragem da Vale.
Tudo bem, chafurdar em meio aos mortos é estressante. Mas, como todos têm cargo vitalício e aposentadoria com ganho integral, não sofrem o estresse maior do trabalhador da iniciativa privada que é o medo de perder o emprego e não encontrar outro.
Fica então combinado. Não vou sofrer nenhum AVC, muito menos padecerei de demência e chegarei aos 85 (que é quando virá o apito final) escrevendo meus livros e artigos, dando cursos e fazendo palestras, recebendo por esses serviços.
Minha mulher pega minha poupança (não é caderneta; burro ainda não sou) e vai até os 92.
Trabalhador braçal
Pensemos agora no trabalhador braçal. O operário da construção civil, os caras que racham o asfalto com britadeiras, empurram carrinhos de mão nas salinas e aram a terra na agricultura familiar. Os catadores de frutas.
Isso tudo terá de ser levado em conta nas discussões da PEC previdenciária. Tem muita gente que não consegue trabalhar até os 65. Pior, mesmo que consigam, não são contratados. Tem sempre um jovem com mais físico, saúde e disposição para o seu lugar.
Por causa do egoísmo de certas categorias, não por coincidência justamente aquelas que fazem as leis, garantem sua observância (garantem mesmo?) e julgam sua inobservância (julgam mesmo?), erigimos, pedra por pedra, esse déficit colossal nas contas públicas.
Apesar de todas essas incongruências, tenho profunda convicção de que a PEC tem de ser aprovada. É questão de sobrevivência do país.
Só que algum dispositivo legal (cotas, quem sabe?) terá de cuidar para que as pessoas consigam emprego até os 65.
Caso contrário, essa PEC vai gerar uma faixa etária de miséria que poderá durar de cinco a dez anos, dependendo da profissão. E como pessoas sem empregos não recolhem para a Previdência, poderemos estar formando uma legião de miseráveis.
O lado social é importante
Economia não pode ser uma ciência apenas de números. O lado social é importante e tem de ser levado em conta. Caso contrário, eles (vocês sabem de quem estou falando) voltam.
Caríssimo leitor, se você foi sensato, deve estar acumulando algum tipo de investimento para ter uma velhice tranquila. Agora terá de engordar essa poupança todos os meses para a hipótese de que não consiga emprego entre os, digamos, 50 e 65 anos.
Essa reforma, dependendo de seus termos, vai atingir cada pessoa de uma maneira diferente.
Como escrevi acima, se o destino colaborar, meu problema aparentemente está resolvido. Meus 65, idade mínima da PEC, já se foram há anos.
Para minha sorte, nunca fui muito seduzido por essa ideia de ficar sem nada para fazer, muito menos ver novelas da Globo ou jogar dominó com os outros velhinhos.
Por sorte, vivo de inspiração. Não preciso quebrar pedras, muito menos arar a terra ou catar cocos para sobreviver. Que a dentista faça bom proveito do dinheiro que recebeu dos cofres públicos por causa da distorção do espírito de uma lei.
Só gostaria que ela lembrasse todos os dias que não o mereceu.
(Esta coluna foi publicada na Inversa Publicações. Para acompanhar os conteúdos gratuitos do Ivan Sant'Anna na Inversa, entre aqui. Ele também escreve uma newsletter matinal chamada Warm Up Pro, para experimentar, acesse aqui.)
OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO