Ibovespa encerra pregão pré-Carnaval no negativo
Bolsa operou o dia todo em baixa depois de o presidente Jair Bolsonaro ter "desidratado" um dos pontos críticos do projeto de reforma da Previdência

Desidratação é a palavra da moda e a Bolsa de Valores de São Paulo sabe disso. Operou o dia todo em baixa depois que presidente Jair Bolsonaro, antes mesmo de se iniciar o debate sobre a reforma no Congresso, ter "desidratado" um dos pontos críticos do projeto, ao dizer que poderia baixar ainda mais a idade de aposentadoria das mulheres. Os investidores temem que, quanto mais desidratada for a reforma, menos economias trará. Nessa onda, o Ibovespa passou o pregão pré-Carnaval no vermelho: fechou em baixa de 1,03%, e voltou aos 94 mil pontos, com o placar final de 94.603. Na semana, as perdas da Bolsa somam 3,55% - reduzindo os ganhos do ano para 7,64%. O dólar, que encerrou o dia negociado em alta de 0,75%, a R$ 3,78, acumula ganhos de 1,09% no mesmo intervalo.
Petrobras
Com a pressão da queda do petróleo, as ações da Petrobras caíram 2,21% para as ON, e 1,33% para as PN. Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta sexta-feira. Após chegarem a subir um pouco mais cedo, foram pressionados diante da valorização do dólar ao longo do pregão e também por temores em relação à demanda futura.
O petróleo WTI para abril fechou em baixa de 2,48%, a US$ 55,80 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para maio teve queda de 1,87%, a US$ 65,07 o barril, na ICE. Na comparação semanal, o WTI teve queda de 2,55% e o Brent registrou recuo de 3,24%.
No câmbio, o dólar se valorizou ao longo do pregão, o que torna o petróleo mais caro para os detentores de outras divisas, consequentemente reduzindo o apetite dos investidores.
Além disso, o Ibama multou a Petrobras em R$ 8,19 milhões pelo vazamento de 260 mil litros de óleo durante transferência da plataforma P-58 para o navio São Sebastião, a cerca de 85 quilômetros da costa do Espírito Santo, no último sábado. O vazamento ocorreu no dia 23 de fevereiro e dois dias depois a estatal informou que não havia mais encontrado petróleo no mar.
Vale profundo
As ações ON da Vale chegaram a cair mais de 2%, mas fecharam em baixa de 0,76%. Em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Vidigal, disse que não há investigação contra a Vale e é equivocado dizer que a companhia será multada em 20% de seu faturamento por conta da tragédia em Brumadinho. "Estamos em fase de investigação. Isso é que vai dar respostas sobre Brumadinho. Não se antecipa qualquer juízo em dizer que a Vale é responsável ou não", afirmou.
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Em nota, a companhia esclareceu que não foi comunicada sobre qualquer investigação que possa gerar multas elevadas caso ela seja considerada culpada no caso do rompimento da barragem de Brumadinho.
A afirmação vem em resposta à reportagem publicada pela Bloomberg, de que uma investigação sobre o caso Brumadinho pode levar a empresa a ser multada em até 20% do seu faturamento bruto de 2018 caso seja considerada culpada no rompimento da barragem.
CSN é a nova Vale?
De novo, as ações ON da CSN se destacam foram as maiores altas, com avanço de 5,89%. Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, explica que desde que a CSN divulgou resultado trimestral positivo puxado pelo setor de mineração, a ação tem se destacado, uma vez que a perspectiva para o preço do minério de ferro é de alta com a redução da produção da Vale. A queda da Vale tem levado os investidores a migrarem para a CSN. "O papel da CSN é um papel muito vendido, então qualquer movimento de alta leva os investidores vendidos a comprarem o papel para acompanhar o movimento", explicou o analista.
JBS
A segunda maior arrancada do dia foi da JBS, com 5,14% de ganhos. No noticiário, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin encerrou ontem a fase de instrução do processo que poderá cassar ou manter os benefícios concedidos aos executivos da companhia.
Eletrobras
As ações da Eletrobras lideraram as quedas do Ibovespa. Os papéis ON caíram 3,62%, enquanto PNB tiveram retração de 3,80%. As ações subiram nesta semana após a informação dada pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de que o modelo de capitalização da Eletrobras deve ser definido até junho.
"O papel subiu com a informação sobre a capitalização e agora cai junto com o mercado, que repercute negativamente as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a reforma da Previdência. A fala de Bolsonaro trouxe um pouco de intranquilidade ao mercado. Ficou claro que o presidente está fazendo concessões antes mesmo da Proposta de Tramitação Constitucional (PEC) ser analisada na Câmara dos Deputados. Como pode haver negociação e concessões antes mesmo do processo rodar?", questiona Monteiro.
Minha ação, minha vida
As ações da MRV Engenharia subiram 2,13% após a empresa divulgar balanço. Embora a companhia tenha obtido alta de 5,8% no lucro líquido no quarto trimestre de 2018 ante o mesmo período de 2017, foi o resultado operacional que agradou. A receita operacional líquida foi de R$ 1,521 bilhão no quarto trimestre, aumento de 11,5%, e chegou a R$ 5,326 bilhões em 2018, expansão de 14,1%.
Suzano
A alta do dólar impulsionou as ações ordinárias da Suzano, que foram a terceira maior alta do dia, com 1,89%. Operadores comentam ainda que o movimento é respaldado também pelo preço da celulose e a divulgação dos resultados financeiros da companhia na semana passada. No quarto trimestre de 2018, a Suzano reportou lucro líquido pro forma, incluindo as operações da Fibria, de R$ 2,987 bilhões, desempenho 368% acima do lucro registrado um ano antes. Excluindo Fibria, a Suzano obteve lucro líquido de R$ 1,462 bilhão no quarto trimestre, indicando um salto de 308,5% ante lucro de R$ 358 milhões de igual período do ano anterior e revertendo prejuízo de R$ 108 milhões do terceiro trimestre.
No cheque especial
Houve perdas generalizadas no bloco financeiro, todas na onda da desidratação. Bradesco PN perdeu 1,66%%. Itaú Unibanco teve baixa de 1,08% e Santander Unit, de 1,42%.
Momo na Bolsa
Com o feriado de carnaval, a Bolsa de Valores de São Paulo só volta a operar na quarta-feira de Cinzas, dia 6, em horário especial de negociação: a partir das 13h. Boa folia!!
*Com Estadão Conteúdo
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