Após impasse, Bolsonaro confirma Mário Vilalva na presidência da Apex
No cargo por uma semana, Alex Carreiro disse que não se demitiu e abriu crise interna no governo; Bolsonaro confirmou demissão e apontou Vilalva para o cargo

O presidente Jair Bolsonaro confirmou a nomeação do embaixador Mário Vilalva como novo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), na noite desta quinta-feira, 10.
Após impasse que se estendeu ao longo do dia, Vilalva substituirá oficialmente Alex Carreiro, que foi demitido na quarta-feira, 9, mas se recusava a deixar a função até uma decisão do Presidente da República.
Em nota, o Palácio do Planalto confirmou a nomeação de Vilalva na noite desta quinta. Na sequência, pelo Twitter, Bolsonaro publicou foto ao lado de Vilalva e Araújo. A foto foi tirada após reunião entre os três no Palácio do Planalto, que circulava pelo Whatsapp desde o final da tarde.
Recebi hoje o embaixador Mário Vilalva, indicado pelo Chanceler Ernesto Araújo para o cargo de Presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Boa noite a todos! pic.twitter.com/zs45lpyqMC
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) January 10, 2019
Com a publicação, o presidente buscou colocar fim ao impasse que durava desde ontem sobre como ficaria o comando da Apex e até mesmo do Ministério de Relações Exteriores.
Imbróglio
A escolha de Vilalva para o cargo foi anunciada ontem pelo ministro Ernesto Araújo. Pelo Twitter, ele disse que Carreiro pediu "o encerramento de suas funções como presidente da Apex". No mesmo tuíte, Araújo disse que tinha indicado o embaixador Mário Vilalva a Bolsonaro.
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Interlocutores de Carreiro, no entanto, alegaram que não foi isso que ocorreu. Carreiro teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência, a diretora de Negócios Letícia Catel, que atuou como assessora durante a transição.
De acordo com fontes, Letícia, que é próxima de Araújo, não gostou de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo e queria reverter as exonerações. Na reunião, Araújo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou. Ao sair do encontro, o chanceler publicou o tuíte. Carreiro viu nisso uma tentativa de criar um "fato consumado" e forçá-lo a sair do cargo.
Contrariado, Carreiro despachou normalmente no prédio do órgão nesta quinta-feira. Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ele não aceitava ser demitido por Araújo e decidiu continuar atuando até a exoneração ser confirmada por Bolsonaro.
Mais cedo, a Apex confirmou, em nota, que Carreiro "nomeado para o cargo pelo presidente da República", cumpriu expediente normal na agência hoje, "tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado". A agência, no entanto, não informou quem foram as autoridades recebidas pelo presidente.
Como mostrou a Coluna do Estadão, o novo embaraço na Apex, envolvendo Carreiro, iniciou especulações na agência de que o próximo a ser substituído seria o próprio Ernesto. Sua participação em reuniões com Bolsonaro na tarde de hoje, no entanto, já sinalizava o apoio do presidente ao ministro e que ele permaneceria na função normalmente.
Desde o anúncio da demissão, Carreiro mostrou a deputados do PSL, com quem já trabalhou, troca de mensagens pelo WhatsApp que comprovariam que ele não pediu para sair como informou o ministro nas suas redes sociais, mas foi forçado a deixar o cargo na Apex.
Hoje, Carreiro também procurou interlocutores no Palácio do Planalto para apresentar sua versão, mas não foi recebido pelo presidente da República. Ernesto Araújo, por sua vez, teve uma reunião com o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional, GSI) logo no início da manhã.
*Com Estadão Conteúdo
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