A nova postura de Bolsonaro sobre as relações políticas e econômicas do Brasil com a China
Declarações do presidente sobre as relações entre os países vieram após encontro com o presidente chinês, Xi Jinping

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, após encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, ontem que Brasil e China estão "próximos de 100% afinados" na questão econômica, e que questões políticas - inclusive as disputas entre China e Estados Unidos, outro país que Bolsonaro vê como importante aliado - serão discutidas "caso a caso".
"Nunca seremos 100% afinados (com a China), mas na questão econômica, acredito que estamos bem próximos disso", afirmou o presidente brasileiro.
O megaleilão de petróleo marcado para 6 de novembro é uma das questões econômicas onde parece haver alinhamento. Bolsonaro convidou estatais chinesas para participarem da oferta de áreas de exploração no pré-sal. "As informações que eu tive são de que a China tem interesse em participar. E é bom para todos nós."
O presidente brasileiro afirmou que na reunião também se falou do etanol. Segundo Bolsonaro, o governo chinês se interessa pelo biocombustível por buscar cumprir metas de menor poluição e emissão de CO2. "Acredito que brevemente, estaremos exportando etanol para a China", disse.
Carne inigualável
Bolsonaro aproveitou para fazer elogios à carne brasileira - outro produto para o qual ele e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tentam abrir mercados. "Ele (Xi) falou que gosta de churrasco e falou muito bem da carne brasileira. Eu espero que isso ecoe em todos os continentes e países do mundo - que a carne brasileira é inigualável", afirmou.
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Na quinta-feira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já havia dito que novos frigoríficos brasileiros devem ser habilitados para exportar para o gigante asiático. Depois da reunião entre Bolsonaro e Xi, ela participou da assinatura dos protocolos sanitários. Com a visita da comitiva brasileira, a China decidiu liberar a exportação de farelo de algodão e carne bovina termoprocessada.
Visita ao Brasil
Há expectativa de que outros pontos que vinham sendo negociados possam ser anunciados durante a visita de Xi ao Brasil para a reunião do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, no próximo mês. "As outras coisas estão sendo discutidas e tenho expectativas de que talvez em novembro quando o presidente Xi for ao Brasil, ou entre agora e a ida dele, a gente possa ter outras coisas", disse a ministra ao Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado. "A gente exporta muito para cá, mas muito concentrado em carne e soja, acho que a gente tem outras coisas para trabalhar. A gente exporta café, mas podemos ousar mais, eles estão muito interessados em cafés especiais."
Tereza Cristina disse também que sai da China "muito otimista" e que será criado um núcleo voltado exclusivamente para o país no Ministério da Agricultura. No núcleo, haverá pelo menos um técnico que fale mandarim e que domine a legislação chinesa "para facilitar e dar eficiência para as tratativas com o país".
'Mar de oportunidades'
Bolsonaro afirmou que o Brasil "tem feito o dever de casa" para equilibrar as contas públicas e reconquistar a confiança do mundo. Ele disse que o País é "um mar de oportunidades". "Queremos compartilhar isso com a China."
O presidente enalteceu as relações comerciais entre os dois países e destacou a decisão de isentar os chineses de visto para a entrada no Brasil como um gesto de aproximação. "Eu estava ansioso por essa visita porque temos na China o primeiro parceiro comercial e nos interessa ampliar novos horizontes. O Brasil precisa da China e a China também (precisa do Brasil)."
O presidente chinês recebeu Bolsonaro com honras de Estado no Palácio do Povo, em Pequim. No início da reunião, ele afirmou que as relações estratégicas entre Brasil e China possuem "longo alcance". "É inalterada a tendência de ascensão coletiva dos mercados emergentes como China e Brasil", disse. "A colaboração China-Brasil terá futuro brilhante."
Depois da reunião, Bolsonaro e Xi participaram de uma cerimônia para assinatura de atos, seguida por uma troca de presentes. O brasileiro deu um agasalho do Flamengo para o chinês. Palmeirense, Bolsonaro disse que o clube rubro-negro é o "melhor time brasileiro do momento".
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.
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