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Frigorífico

Marfrig reverte prejuízo com dinheiro da venda da Keystone no bolso

A segunda maior produtora de carne bovina do mundo registrou um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no ano passado, com uma ajudinha do dólar

Frigorífico Marfrig JBS BRF carne
Imagem: Shutterstock

Ao receber o dinheiro da venda da Keystone no fim do ano passado, a Marfrig conseguiu colocar a casa em ordem e reverter o prejuízo que amargou ao longo do ano. Segundo maior produtor de carne bovina do mundo, a Marfrig anunciou hoje um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão em 2018, resultado muito superior que o prejuízo de R$ 461 milhões registrado em 2017.

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Segundo a companhia, o desempenho se explica pelo resultado recorde da operação na América do Norte e pelo impacto positivo da venda da Keystone. No quarto trimestre de 2018, o lucro líquido da Marfrig foi de R$ 2,2 bilhões, suficiente para reverter o prejuízo acumulado até o terceiro trimestre.

O resultado anual ficou muito acima das projeções dos analistas, que previam prejuízo de R$ 305,3 milhões em 2018, segundo a Bloomberg.

A venda da Keystone foi concretizada em 30 de novembro do ano passado, no valor total de US$ 2,4 bilhões. Tirando a dívida líquida da Keystone, a Marfrig recebeu US$ 1,4 bilhão pelo negócio. Com a entrada dos recursos, a Marfrig quitou o empréstimo ponte de US$ 900 milhões feito para comprar a National Beef.

Em 2018, a receita líquida da Marfrig (consolidada) foi de R$ 29,715 bilhões, alta anual de 193%, beneficiada pela alta do dólar e maior volume. O Ebitda ajustado (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,601 bilhões, alta de 229%.

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Dívida caiu, conforme o esperado

Outra informação positiva do balanço foi a redução da alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda), que é sinal de saúde financeira. A empresa fechou o ano com alavancagem de 2,39 vezes, abaixo da meta de 2,5 vezes que havia sido definida pela empresa. Um ano antes, este índice era de 3,5 vezes.

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No final do ano passado, a dívida bruta da empresa ficou em US$ 3,931 bilhões, uma redução de 19% em relação ao trimestre anterior devido à liquidação do empréstimo ponte. Em reais, a dívida bruta foi de R$ 15,233 bilhões. Foi justamente o impacto cambial sobre a dívida dolarizada que impactou os resultados da Marfrig ao longo do ano.

Santo dólar!

A alta do dólar ajudou a Marfrig, que tem 85,4% da sua receita dolarizada. A operação da empresa na América do Norte teve um aumento de 17,3%, para R$ 28,7 bilhões, refletindo a valorização da moeda do país de Donald Trump. Em dólares, o ganho de receita foi de 2,1% em relação ao ano anterior.

Já na América do Sul, a receita líquida avançou 26% para R$ 12,8 bilhões. Neste caso, o dólar também ajudou, contribuindo com uma fatia de R$ 847 milhões desta receita.

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IPO nos EUA?

Além do balanço, outra notícia sobre a Marfrig chamou atenção nesta quarta-feira. Em entrevista à Bloomberg, o CEO da companhia, José Oliveira Miron, afirmou que a empresa pode considerar uma oferta de ações nos Estados Unidos para destravar valor e reduzir o custo do crédito.

Ele destacou que não existe ainda uma movimentação neste sentido, mas disse que a empresa está "aberta a boas soluções". Segundo Miron, as empresas brasileiras normalmente enfrentam custos mais altos de crédito e carregam mais caixa para mitigar riscos do que os rivais nos Estados Unidos.

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