FGTS aumenta lucro líquido da Caixa em R$ 684 bilhões, diz presidente do banco
Previsão de receita total da Caixa com o FGTS em 2019 é de R$ 5,1 bilhões; hoje banco taxa de 1% para administrar os quase R$ 550 bilhões do Fundo

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta terça-feira, 8, que a projeção de resultado líquido do FGTS para a Caixa em 2019 é de R$ 684 milhões.
A previsão de receita total da Caixa com o FGTS em 2019 é de R$ 5,1 bilhões para este ano. Em 2018, conforme Guimarães, o resultado líquido do FGTS para a Caixa foi de cerca de R$ 450 milhões.
Hoje, a Caixa cobra uma taxa de 1% para administrar os quase R$ 550 bilhões do Fundo, que é usado para o financiamento de projetos de infraestrutura, saneamento e habitação.
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Dividir gestão?
Os comentários de Guimarães sobre a importância do FGTS para a Caixa surgem na esteira de notícias de que o governo interessado em alterar a gestão do FGTS. Mas Guimarães negou que essa possibilidade agrade o Executivo.
Para Guimarães, isso pode prejudicar as cidades menores, porque haveria interesse de outros bancos apenas em operar em cidades maiores, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.
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"Existem 50 municípios do Brasil em que haverá competição (para gerir o FGTS). Tenho muito dúvida se haverá qualquer competição em outros 4 mil municípios", disse Guimarães.
Segundo ele, ao receber a taxa de 1%, a Caixa cobre hoje os cursos em locais onde as despesas na gestão do FGTS são menores, como as capitais, e também em municípios menores, onde os custos são mais elevados. "Quando vamos para cidades menores, o custo é maior. É uma questão regressiva. (Se a gestão do FGTS for dividida), você vai cobrar mais de quem tem menos."
Guimarães afirma que o risco de separar a gestão do FGTS é o de ter um custo diferente para cada cidade. Se isso ocorrer, conforme o presidente, a Caixa precisará se adequar. "Temos que ter resultados em números. Não posso realizar operação para ter prejuízo", afirmou. "Se tivermos que competir operação por operação no FGTS, nós faremos", acrescentou.
Defesa do presidente
Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro já havia feito uma defesa do monopólio da Caixa na gestão do FGTS. "Se o Congresso decidir quebrar o monopólio da Caixa, eu a vetarei segundo orientação da própria (ministério) Economia", escreveu o presidente numa rede social.
Numa reação à possibilidade de perder o monopólio da gestão do FGTS, a Caixa também estuda a possibilidade de reduzir a taxa de administração. Na segunda-feira, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) havia informado que uma das propostas em análise é cortar a taxa de 1% para 0,8%.
"Vamos ver uma maneira de reduzir despesas. Entendemos que isso é possível com o uso da tecnologia", confirmou nesta terça Guimarães. "Certamente, faz sentido reduzir a taxa de gestão do FGTS se tiver avanço de gestão", disse.
De acordo com Guimarães, a redução da taxa de gestão do FGTS será discutida apenas com o ministro Paulo Guedes. Ele evitou comentar, no entanto, qual seria o novo porcentual.
A preocupação de Guimarães com as articulações no Congresso é justificada também pelo impacto que eventual mudança pode trazer para os cofres da Caixa.
A projeção de resultado líquido do FGTS para a Caixa em 2019 é de R$ 684 milhões. Em 2018, o resultado líquido do FGTS para a instituição foi de cerca de R$ 450 milhões.
*Com Estadão Conteúdo
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