Odebrecht anuncia que não pagará juro de US$ 11,5 milhões e inicia negociação de bonus com credores
Companhia vinha usando os 30 dias de carência, previstos em contrato, para fazer o pagamento a credores

A Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) anunciou a seus credores, detentores de US$ 581 milhões bônus com vencimento em 2025, que não fará o pagamento do juro de US$ 11,5 milhões que venceram em 25 de outubro. A informação foi obtida pelo "Broadcast", do Estadão, e divulgada nesta segunda-feira, 26.
A OEC vinha usando os 30 dias de carência, previstos em contrato, para fazer o pagamento. No mesmo comunicado enviado aos investidores, disse ter contratado a assessoria financeira Moelis & Company e os escritórios Munhoz Advogados e o Cleary Gottlieb Steen & Hamilton para dar início a discussões consensuais com alguns de seus principais credores.
A construtora deve partir para reestruturação de todos os bônus que tem emitidos no exterior, algo que os credores externos da companhia desconfiavam desde o início das investigações da Lava Jato, há cerca de três anos. Nessas conversas estarão envolvidos papéis que, juntos, somam cerca de US$ 3 bilhões. Uma parte dos bondholders, detentores de cerca de 25% dos bônus da OEC, contrataram a Rothschild. Entre esses credores estariam a BlackRock, o Fidelity, o Gramercy e o AllianceBernstein. Os credores especulativos ainda se organizam para entrar no processo.
Em abril, a OEC conseguiu evitar o início de tais conversas depois de receber parte de um empréstimo de R$ 2,6 bilhões de Bradesco e Itaú Unibanco concedidos à holding, dinheiro com o qual honrou um vencimento de R$ 500 milhões de bônus.
Na ocasião, a construtora também recorreu ao prazo de 30 dias de carência e, com consenso dos bondholders, acabou pagando o compromisso depois desse prazo. O atraso decorreu da demora nas negociações com bancos para obtenção do empréstimo, que envolvia as ações da Braskem como garantia, as quais já estavam dadas em outros empréstimos.
Manutenção das operações
A OEC chegou a sinalizar, quando os recursos foram liberados à holding, que boa parte migraria para a construtora, com o que os próximos pagamentos de vencimentos de bônus estariam garantidos, assim como a manutenção das operações da companhia.
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Entretanto, a situação financeira da construtora se fragilizou sensivelmente este ano, frente às dificuldades para recompor sua carteira de obras, assim como do grupo em dar vazão à venda de ativos. No final do segundo trimestre, a carteira de projetos da OEC havia sido reduzida a cerca de US$ 9,8 bilhões, de US$ 12,1 bilhões em dezembro de 2017. Seu caixa estava em US$ 456 milhões em junho.
No meio do ano, a Atvos, por exemplo, voltou à mesa de negociações com os bancos para reestruturar uma dívida que já alcançava quase R$ 13 bilhões e que já havia sido renegociada dois anos atrás. A Atvos, ex-Odebrecht Agroindustrial, foi a primeira empresa do grupo que teve seus passivos realinhados, para evitar um pedido de recuperação judicial, do grupo ou parte dele. As ações da Braskem foram dadas como garantia na ocasião a alguns bancos.
*Com Estadão Conteúdo
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